Produção de arroz em Angola: Famílias camponesas têm apoio para cultivo

Diversos equipamentos têm sido disponibilizados às famílias pelos governos locais a fim de incentivar o cultivo do arroz no âmbito do combate à pobreza. (Foto: D.R.)
Diversos equipamentos têm sido disponibilizados às famílias pelos governos locais a fim de incentivar o cultivo do arroz no âmbito do combate à pobreza. (Foto: D.R.)
Diversos equipamentos têm sido disponibilizados às famílias pelos governos locais a fim de incentivar o cultivo do arroz no âmbito do combate à pobreza.
(Foto: D.R.)

Associações de camponeses já se dedicam à produção de arroz nas localidades onde os governos locais continuam a garantir incentivos ao cultivo dos cereais.

Os governos provinciais estão a prestar apoios materiais e de incentivo aos agricultores de vários municípios que se dedicam ao cultivo de arroz, de modo a aumentar a produção interna de um dos cereais mais consumidos no país e, consequentemente, reduzir as importações, de acordo com as metas previstas até 2017.

Em várias províncias, os camponeses beneficiam de vários apoios como formação, disponibilização de “inputs” agrícolas, como sementes, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de produção. A produção em larga escala do arroz em várias regiões do país, e que se enquadra igualmente no programa de combate à fome e pobreza, deve ainda apresentar bons resultados a médio e longo prazo devido a outros apoios dados aos camponeses como a criação de indústrias locais de processamento e descasque de arroz.

No Bié, por exemplo, oito associações de camponeses do município do Cuito estão a ser apoiadas desde 2014 com diversos bens de produção agrícolas, pela Cruz Vermelha de Angola (CVA), visando o incentivo no cultivo do arroz. Segundo o delegado provincial da CVA, Ângelo Sassongo, as associações estão a ser apoiadas através do programa “meios de vida”, que está a ser implementado no município do Cuito, sobretudo nas comunas de Cambandua e Chicala.

Com efeito, o governo local, através da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural e Pescas, aposta igualmente no cultivo de arroz nas localidades do Cuemba, Camacupa, Cuito, Nhârea e Catabola, tendo adquirido três máquinas de descasque de arroz, distribuídos nos municípios do Camacupa e Cuemba. O cultivo do arroz na província do Bié, teve início nos finais de 2012 nas localidades do Cuito, Cuemba, Catabola e Camacupa.

Além dos apoios do governo do Bié, a Cruz Vermelha de Angola e sua congénere da Espanha vão, a partir deste mês, instalar uma máquina de descasque de arroz na comuna da Cambândua, município do Cuito. O JE não pôde apurar a capacidade de produção da máquina, mas soube dos responsáveis que a unidade fabril vai de certa maneira facilitar a vida dos produtores que antes o faziam de forma rudimentar.

Ainda no Bié, uma outra fábrica de descasque do arroz está a ser erguida, desde o início deste ano, desta feita no município do Cuemba. O apoio é do governo local, que avança uma produção de 40 toneladas de arroz na campanha deste ano, cujo cultivo está a ser desenvolvido numa área de 25 hectares, nas localidades de Sachinemuna e em algumas zonas da sede municipal do Cuemba.

O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) na província do Huambo aposta no fomento do cultivo do arroz, com vista a diversificar a actividade agrícola e maximizar a produção.

Dezassete variedades de semente de arroz estão a ser testadas no quadro da implementação do projecto de desenvolvimento do cultivo deste cereal no país. O sistema inundado, em que permanece uma lâmina de água, tem apresentado ao longo das fases experimentais já executadas melhor rendimento na província do Huambo, ao passo que no Bié tem predominado com bons resultados o sistema de sequeiro, que depende directamente da chuva.

Malange segue ritmo

Malange já contribui igualmente para este sector, pelo que oito toneladas de arroz serão colhidas na presente campanha agrícola (2015), no município de Cambundi Catembo, pela Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA).

De acordo com o responsável local, João da Silva, referiu que a produção do arroz ocorre em grande escala nas localidades de Quipemba, Malangue e Nguji, numa área de mais de 25 hectares em cada localidade, no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza na região.

João da Silva esclareceu ser um projecto de cultivo de arroz que está a incentivar as famílias, sobretudo nas localidades onde já se regista algum interesse na produção dessa cultura alimentar. “O Executivo tem que apoiar mais os camponeses com instrumentos agrícolas, como enxadas, catanas e máquinas de descasque de arroz”, solicitou o responsável da EDA do município de Cambundi Catembo, que controla seis associações de camponeses.

Já no município do Quirima, 15 hectares de terra estão preparados para o relançamento da produção do arroz na região na presente campanha agrícola 2014/2015, para que volte a ocupar o seu lugar de maior produtor de arroz ao nível da província de Malange. A administração local, por exemplo, está a envidar esforços para que os munícipes de Quirima deixem de consumir arroz vindo de outras paragens.

Moxico espera apoios

Contudo, no município do Luacano, província Moxico, os camponeses precisam de instrumentos agrícolas, para aumentar a produção de arroz. Segundo o director municipal da Agricultura e Pescas, Augusto Nzambi Mussole, a falta de máquinas descascadoras de arroz, alfaias e outros instrumentos, para serem distribuídos aos 178 camponeses que são controlados pela sua instituição.

Apesar das dificuldades, numa área de 20 hectares, na comuna do Lago Dilolo e nas localidades de Camizeze, Capacala e Caxita, os camponeses tiveram uma produção de quatro toneladas de arroz, dos quais duas toneladas se deterioraram devido ao mau estado das vias e por falta de transporte para o escoamento do cereal para a sede do município, para a sua comercialização.

Uíge, Cunene e Zaire

No município de Sanza Pombo, no Uíge, 155 quilómetros da sede capital da província, há o projecto de cultivo de arroz na fazenda Sanza Pombo, cujo campo abrange uma extensão de dez mil hectares para o cultivo de arroz, e emprega nesta primeira fase 80 trabalhadores angolanos e chineses.

Quinhentos jovens da povoação de Manquete, comuna do Mucope, município de Ombadja, província do Cunene, vão ser empregados na primeira fase da implementação do projecto de produção do cultivo do arroz e cana-de-açúcar, que numa primeira fase conta com uma área de seis hectares, dos 3.000 previstos para o cultivo, no prazo de dois anos.

Enquanto isto, o cultivo de arroz no município de Ombadja, província do Cunene encontra-se já em fase experimental, num espaço de dois mil hectares. Segundo o director provincial de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, Dinis Pacavira, o projecto visa essencialmente avaliar a adaptação do solo à cultura de arroz, que prevê ocupar uma superfície de cinco mil hectares de terra arável. Com o apoio da Gesterra e um custo estimado em 81 milhões de dólares, inclui silos de armazenamento e uma unidade de processamento de arroz, nomeadamente descasque, limpeza e branqueamento.

O projecto agro-industrial do município do Cuimba, no Zaire, que prevê a produção de cereais (arroz e milho) em grande escala, já começou também a ser implementado. Localizado no perímetro entre a sede municipal do Cuimba e a comuna de Luvaca, numa área de 15 mil hectares, cinco dos quais de cultivo, a unidade contará com fábricas de transformação e processamento de cereais e a construção de outras infra-estruturas de apoio. (jornaldeeconomia.ao)

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