Presidente de Moçambique inicia primeira visita oficial a Portugal

Filipe Nyusi foi empossado oficialmente, como chefe de Estado, a 15 de janeiro de 2015 (DPA)
Filipe Nyusi foi empossado oficialmente, como chefe de Estado, a 15 de janeiro de 2015  (DPA)
Filipe Nyusi foi empossado oficialmente, como chefe de Estado, a 15 de janeiro de 2015 (DPA)

Filipe Nyusi está em Portugal para a sua primeira visita oficial, a convite do seu anfitrião Cavaco Silva. O presidente falará também com o primeiro-ministro e será recebido na Assembleia da República portuguesa.

A comitiva presidencial moçambicana integra cerca de 160 pessoas, na sua maioria empresários interessados em parcerias com os homólogos portugueses, o que redobra a importância desta visita de cunho político com pendor económico.

São quatro dias em Portugal para a primeira visita de Estado a um país europeu, seis meses depois de ter tomado posse como Presidente da República de Moçambique. Filipe Nyusi traz na agenda planos para o reforço da cooperação, sobretudo com o objectivo de identificar novas oportunidades para o estreitamento das relações bilaterais. Pelo forte pendor económico da visita, destaque para o interesse moçambicano em captar mais investimentos portugueses, explica Rogério Manuel, presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, que encabeça a delegação empresarial: “Claro que a visita do chefe de Estado é mais para a área política, mas este movimento empresarial que aqui está também faz parte e trará mais peso para esta visita.”

Economia é a prioridade

Os cerca de 800 encontros empresariais, iniciados já nesta quarta-feira, prosseguem a vários níveis sectoriais, como nos dá conta Mário Costa, presidente da União dos Exportadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: “Neste momento já temos registados mais de 300 empresários. Teremos mais de 800 reuniões entre empresários portugueses e empresários moçambicanos, de todos os sectores da actividade. Temos representantes em Moçambique e temos representantes em Portugal. Isso nunca aconteceu com esta dimensão.”

Segundo Mário Costa, o objectivo é haver ‘win-win”, ou seja: 2temos que ganhar os dois.” Filipe Nyusi, por sua vez, atribui particular relevo à vertente económica, tanto é que reúne-se com os homens de negócios. O momento alto, acrescenta Rogério Manuel, é o Fórum Portugal-Moçambique, que tem lugar esta sexta-feira, 17, com a presença do presidente moçambicano e do primeiro-ministro português, Passos Coelho.

Márío Costa faz, desde já, um balanço positivo: “Este é o grande Fórum que nós preparámos e isso tem surtido efeitos: há grandes investimentos portugueses em Moçambique. Há empresários que fazem joint ventures com empresas moçambicanas. Há também muitas empresas que já estão a investir em Portugal. Portanto: começa a haver esse ‘win-win’ de ambas as partes.”

Recepção com todas as honras do Estado

Esta quinta-feira, 16 de Julho, o dia começa com honras militares ao chefe de Estado moçambicano frente ao Mosteiro dos Jerónimos, seguindo-se o encontro com o seu anfitrião, Cavaco Silva. Filipe Nyusi reúne-se também com Passos Coelho, antes da recepção no Parlamento português. Os dois países já têm definida uma estratégia e, nesta linha, está prevista a assinatura de vários instrumentos de cooperação, alguns dos quais de natureza jurídica.

Entre outros pontos da agenda, Nyusi e o seu homólogo visita na 6ª feira uma exposição retrospectiva sobre os 40 anos da independência, estando igualmente previsto nesta visita um encontro com representantes da comunidade moçambicana em Portugal.

O vice-reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, que esteve recentemente em Moçambique numa missão de cooperação, considera que “a Universidade de Lisboa tem um história de cooperação com Moçambique que vem de há muitos anos. Esta visita do senhor Presidente da República de Moçambique vem dar mais força a esta colaboração. Nyusi conhece bem a nossa universidade. Ele é engenheiro e vai visitar o Instituto Superior Técnico que é a maior escola de engenharia do país.”

Apelo à resolução do conflito FRELIMO-RENAMO

Aproveitando esta visita, certamente que a imprensa portuguesa questionará o Presidente moçambicano sobre as negociações entre o Governo e a RENAMO, principal partido da oposição, visando ultrapassar o diferendo que divide as duas partes e assegurar a estabilidade política no País. Estabilidade essa que, tal como defendem Rogério Manuel e Mário Costa, é desejada pelos agentes económicos portugueses e moçambicanos: “Nós somos homens de negócios, não somos homens da política e estamos sempre alertas porque se a política estiver bem cria-se riqueza, cria-se emprego, cria-se bem-estar. Se houver bem-estar das populações não há convulsão social, nem há convulsão política. Por isso, nós temos também de procurar alhear-nos disso e procurar contribuir para a criação de riqueza.”

De acordo com os dados oficiais, Portugal foi, em 2014, o quarto maior investidor externo em Moçambique, depois de Emiratos Árabes Unidos, Maurícias e África do Sul. Naquele ano, o investimento directo português atingiu 303 milhões de euros, quase o dobro do realizado em 2013. Por outro lado, Moçambique tem sido um dos principais destinos da emigração portuguesa, depois da crise financeira de 2011. (dw.de)

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