Petróleo “adormeceu” o País, alerta Fernando Teles

(EXPANSAO)
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Angola consome demasiadas divisas na importação da alimentação e “é exactamente isso que não pode acontecer”, diz o presidente do BIC, que lamenta que o País tenha ficado à sombra das receitas do ouro negro, atrasando a diversificação económica.

O presidente do conselho de administração do Banco Internacional de Crédito (BIC), Fernando Teles, apelou ao investimento noutros sectores de actividade que não o ramo petrolífero e realçou que o País poderia ter diversificado economia “atempadamente”, realizando projectos agrícolas, agro-pecuária, pesca e outros.

Teles, que falava na mesa redonda do V Fórum Banca, sobre governação corporativa (ver páginas 10 a 12), que decorreu na semana passada, organizado pelo Expansão em parceria com a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), reconheceu o esforço que o Executivo tem feitono sentido de obter linhas de crédito para colmatar o défice de divisas que afecta o mercado cambial angolano desde o quarto trimestre de 2014.

Mas lembrou que os créditos não aparecem num dia para outro. “Há menos receitas em Angola, porque o preço do petróleo baixou no mercado internacional e nós adormecemos com o ‘ouro negro’. Tivemos muitos anos a dormir, porque tínhamos, ou temos, petróleo. Agora, estamos a viver os efeitos da dependência de um único recurso que o País exporta e que, consequentemente, sustenta o Orçamento Geral do Estado”, disse.

Fernando Teles sublinhou que que Angola tem condições climáticas comparáveis aos países da América do Sul, com circunstâncias fundamentais para o desenvolvimento da pecuária e da agricultora. “Não se pode consumir demasiadas divisas na importação da alimentação e é exactamente isso que acontece em Angola. O País consome exageradas divisas na importação de comida que se pode produzir internamente”, explicou.

Com as condições climáticas que o País oferece para a prática e desenvolvimento da pecuária e da agricultura, o presidente do conselho de administração do BIC incentiva os empresários nacionais a mostrarem projectos agrícolas de maneira a contribuirem para a diversificação da economia angolana. Fernando Teles disse que o BIC tem apoiado muitos projectos agrícolas e que vai continuar aberto a novas iniciativas, pretendendo tornar o banco na primeira instituição a contribuir para a diversificação da economia nacional.

“Queremos projectos sérios, com pessoas que conhecem o que é agricultura e que saibam gerir os seus próprios negócios, e que arrisquem também, para que não seja somente o banco apoiar”, referiu, acrescentando que “as pessoas também têm de possuir fundos próprios”.

“Penso que temos de incentivar ou arriscar na agricultura e na pecuária, não colocando em causa nunca a actividade dos bancos”, afirmou. Segundo o responsável,os projectos agrícolas “não funcionam de um dia para outro”, sendo preciso “algum tempo”. “Mas, se existirem parceiros e houver tecnologias, rapidamente os angolanos vão ter bons projectos do ponto de vista agrícola” disse, sublinhando que se trata de “haver investimento direccionado”.

“Se pretendemos investir na agricultura, temos de importar os melhores profissionais do sector. Sabemos de antemão que não temos conhecimentos e não sabemos fazer, por isso, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural tem permitido aos empresários nacionais a importação da mão-de-obra qualificada, no sentido de acelerar a produção nacional”, lembrou.

Burocracia afasta Bic da Bodiva

Entretanto, Fernando Teles disse que o excesso de burocracia que se verifica na Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (Bodiva) tem afastado o BIC da instituição. É muito burocrática, pedem muitos papéis, lamentou.

“Penso que o interesse é que todos os bancos estejam filiados na Bodiva, mas vale mais faltar um documento do que inviabilizar a entrada da instituição à bolsa”, defendeu. Actualmente, a BODIVA tem registados quatro agentes de intermediação, nomeadamente, o Banco de Fomento Angola (BFA), o Banco Millennium Angola (BMA), o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Standard Bank. (expansao.co.ao)

por Osvaldo Manuel

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