Pelo menos seis mortos após explosão em hotel na Somália

Fachada do hotel Jazeera, em Mogadíscio, Somália, alvo de um atentado terrorista em 26 de julho de 2015 (AFP)
Fachada do hotel Jazeera, em Mogadíscio, Somália, alvo de um atentado terrorista em 26 de julho de 2015 (AFP)
Fachada do hotel Jazeera, em Mogadíscio, Somália, alvo de um atentado terrorista em 26 de julho de 2015 (AFP)

Ao menos seis pessoas morreram neste domingo em um ataque reivindicado pelos insurgentes shebab somalis contra um hotel no centro de Mogadíscio, um dia após o presidente norte-americano, Barack Obama, afirmar que o grupo perdeu força.

“São seis mortos, a maior parte deles funcionários que faziam a segurança do local”, afirmou Mohamed Jama, que prevê que este número deve aumentar nas próximas horas.

Um jornalista do canal Universal TV figura entre os mortos, segundo a União Nacional de Jornalistas Somalis.

O atentado foi reivindicado pelos shebab, afiliados à Al Qaeda, em comunicado divulgado em páginas da internet ligadas aos jihadistas. Eles afirmam ter actuado “em represália” às recentes ofensivas contra o grupo no sul da Somália.

O presidente somali Hasan Sheik Mohamud manifestou suas condolências às famílias das vítimas do que chamou de “ataque terrorista odioso”. “Tenho certeza que venceremos os terroristas”, afirmou.

A Casa Branca emitiu um comunicado condenando “energicamente” o ataque, que teve “o voluntário e cruel objectivo de atingir civis inocentes”.

Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Ned Price, “apesar do progresso real que a Somália obteve nos últimos anos, este ataque é uma lembrança das atrocidades inconcebíveis que grupos terroristas continuam perpetrando contra o povo somali”.

A explosão atingiu o Hotel Jazeera, frequentado por membros do governo somali e expatriados, e que normalmente abriga missões diplomáticas e funcionários estrangeiros.

No momento do ataque estavam no hotel diplomatas chineses, catarianos e cidadãos dos Emirados Árabes, mas segundo várias fontes ninguém saiu ferido.

A Missão da União Africana na Somália (Amisom), mobilizada no país para lutar contra os jihadistas shebabs, ajudou a fazer o resgate das vítimas.

“O ataque hediondo contra o hotel Jazeera, um lugar que simboliza a determinação dos somalis em reconstruir seu país (…) é um exemplo das más intenções dos shebabs que não querem a paz no país”, afirmou a Amisom um comunicado.

O atentado ocorreu quando Obama ia embora do Quénia, na fronteira com a Somália, onde parabenizou a Amisom pelo trabalho realizado no país. O presidente norte-americano admitiu que os shebab continuam sendo uma ameaça, mas garantiu que estavam “perdendo força”.

Os Estados Unidos realizam ataques periódicos com aviões tripulados contra os shebab neste país do Chifre da África.

– Fachada devastada –

Abdihakim Ainte, analista político que mora no hotel, confirmou que houve “uma enorme explosão” que fez com que as janelas de seu quarto explodissem e que o hotel “está devastado”.

Fotos postadas em redes sociais mostraram a frente do hotel completamente demolida pela explosão.

Mohamed Moalim, que estava dentro do edifício na hora da explosão, afirmou ter visto “um caminhão carregado de explosivos”.

O hotel Jazeera está perto da área altamente protegida do aeroporto internacional, que abriga a ONU, embaixadas ocidentais e a sede da Amisom.

O edifício já havia sido alvo de ataques dos shebab. Em 2012, ocorreu um ataque suicida quando o presidente do país estava dentro do local.

A Somália está em estado de guerra civil, privada de um governo central real desde a queda do ditador Siad Barre em 1991.

Os shebab, afiliados a Al Qaeda, travam desde 2007 um levante armado que o governo combate com a ajuda dos países ocidentais e a protecção de 22 mil soldados da Missão da União Africana na Somália.

Na semana passada, a Amisom lançou uma nova ofensiva para expulsar os shebab das zonas rurais que ainda controlam no sul. (afp.com)

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