Países lusófonos “Juntos Contra a Fome”

(DPA)
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A campanha “Juntos Contra a Fome”, lançada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é considerada um êxito e, “surpreendentemente”, está a mexer com as pessoas, afirmam os observadores.

Nos últimos dez anos baixou de 28 para 22 milhões o número de pessoas que passam fome nos países de língua portuguesa, segundo os mais recentes relatórios da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). No mundo inteiro, cerca de 805 milhões de pessoas ainda passam fome, segundo a FAO. O problema inquieta os decisores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que lançaram uma campanha, em fevereiro de 2014, cujos fundos se destinam a apoiar projetos agrícolas em Cabo Verde e na Guiné-Bissau.

Campanha bem sucedida

A campanha “Juntos Contra a Fome”, lançada há cerca de ano e meio pela CPLP, está sem dúvida a representar um sucesso, tendo em conta a sua contribuição para a estratégia de segurança alimentar nos Estados membros. A garantia é de Manuel Lapão, diretor de Cooperação da instituição com sede em Lisboa. “Esse sucesso é traduzido pelo facto de termos já recursos para financiar dois projetos concretos, um em Cabo Verde e outro na Guiné-Bissau”, afirma Manuel Lapão aos microfones da DW, e adianta: “Cerca e 70 mil euros, em cerca de um ano e meio, o que não deixa de ser um êxito singular”.

Os recursos até então mobilizados destinam-se a duas comunidades específicas da Ribeira da Vinha, em Cabo Verde, e da região do Cacheu, na Guiné-Bissau. “Na Guiné-Bissau quem vai beneficiar da primeira iniciativa são sobretudo mulheres produtoras de arroz”, conta ainda Manuel Lapão. E porquê esse grupo? “Porque é um grupo tradicionalmente vulnerável, no seio da sociedade guineense, as mulheres e os filhos que as acompanham.”

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No caso de Cabo Verde quem beneficiará de apoio será um grupo de jovens empresários que poderá poder experimentar métodos novos para o combate à fome, “desde a produção à comercialização”, nas palavras de Manuel Lapão. “O objetivo é encontrar novas soluções para o problema da fome que continua a ser um problema sério.”

A primeira tranche dos fundos foi transferida no mês de junho, assim como já foram assinados os termos de cooperação entre o Secretariado Executivo e as entidades responsáveis pelos projetos. Os responsáveis pelo projeto farão em breve, provavelmente já em setembro uma primeira monitorização aos projetos.

Além dos indicadores referidos, Manuel Lapão considera haver ganhos paralelos que não são possíveis de se contabilizar numericamente. Por um lado, por mobilizar o interesse dos cidadãos para a causa e, acima de tudo, para um projeto que visa o fundamental: o combate à pobreza.

De acordo com a FAO, nos últimos dez anos baixou de 28 milhões para 22 milhões o número de pessoas com fome nos países lusófonos. Mas, segundo o diretor da cooperação da CPLP, “a grandeza dos 22 milhões não nos deixa descansados”, apesar de reconhecer que é irrealista pensar, face à realidade, que com esta campanha seja possível erradicar a fome.

CPLP (CPLP)
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Artistas lusófonos unidos contra a fome

Os artistas lusófonos também abraçaram esta causa sensível. Entre outras iniciativas, puseram a leilão 71 obras, e parte das receitas estimadas em 172 mil euros revertem-se a favor dos dois projetos eleitos. O músico moçambicano, Costa Neto, um dos padrinhos e autor do hino da campanha, aplaude a iniciativa mas sugere uma melhor gestão dos recursos nos países lusófonos. “Para combater a fome nós precisamos mais que financiamento”, salienta o músico, referindo que “mais do que nunca é essencial que haja uma pedagogia para as pessoas e também para as entidades públicas, que por vezes também não são muito sensíveis ao problema.”

Costa Neto explica: “Muita gente poderá contribuir para que se perceba que o fenómeno da fome e muitos outros não são só uma questão material. Se fosse o caso países como o Brasil, Moçambique e Angola não teriam fome, porque têm todo o tipo de recursos; aliás, a maior parte tem todo o tipo de recursos para resolver essa fome. Então, há alguma coisa que falta: é a gestão desses recursos.”

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De referir que a FAO coopera com a CPLP, ao abrigo de um memorando de entendimento assinado entre as duas partes, visando construir em conjunto uma estratégia de segurança alimentar e nutricional nos países membros, com foco em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste. (dw.de)

por João Carlos (Lisboa)

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