Opções de Costa para cabeças de lista podem ser um problema para o PS

Alexandre Quintanilha (Fernando Veludo/NFactos)
Alexandre Quintanilha (Fernando Veludo/NFactos)
Alexandre Quintanilha (Fernando Veludo/NFactos)

A escolha de alguns dos cabeças de listas do PS de António Costa para candidatos a deputados nas próximas legislativas, aprovadas na sexta-feira pela Comissão Politica Nacional, foi recebida pelo partido com alguma surpresa, em especial no Porto, cuja candidatura vai ser liderada pelo professor jubilado Alexandre Quintanilha.

Mas mais do que a surpresa, o que alguns socialistas contactados pelo PÚBLICO questionam é a forma como se vai organizar o futuro grupo parlamentar do PS. “Será que os independentes como Mário Centeno, Paulo Trigo Pereira e Manuel Caldeira Cabral, que foram convidados pelo secretário-geral para integrar as listas, vão aceitar a disciplina de voto imposta pelo partido por que tem de ser?” questiona um dirigente socialista, frisando que a renovação das listas imposta por Costa pode vir a ter custos políticos no futuro.

“Não estou a ver a pedir-se a Alexandre Quintanilha para que vote a favor em questões consideradas estruturantes para o PS”, afirma uma outra fonte, vincando que “vai ser muto difícil prender os deputados independentes a determinado sentido de voto”. Isto apesar de estar decidido que a liberdade de voto vai ser a regra, enquanto a disciplina existirá apenas nas moçãos de censura ou confiança e nos orçamentos do Estado.

Um ex-deputado socialista declara que, enquanto a governação do actual grupo parlamentar foi muito simples, porque os deputados estão propensos a fazer o que lhes mandam”, a próxima bancada parlamentar vai ser constituída por “personalidades que vão qualificar a vida política e profissional, mas se o PS não ganhar as eleições legislativas, estas escolhas só vão trazer problemas e chatices”.

Independentemente desta questão, há quem aponte o facto destes independentes “não terem qualquer experiência política”. “Temos uma história em que os independentes no Governo não têm correspondido, muitas vezes, às expectativas”, disse ao PÚBLICO um ex-governante.

Os economistas Mário Centeno, Paulo Trigo Pereira e Manuel Caldeira Cabral são candidatos a deputados nas listas do PS em lugar elegível, por convite pessoal do secretário-geral socialista. Mário Centeno chefiou a equipa de 12 economistas, responsável pelo cenário macroeconómico, que esteve na base da elaboração do programa eleitoral do PS. Paulo Trigo Pereira e Manuel Caldeira Cabral, este líder da lista de deputados por Braga, também integraram esta equipa.

Mota Andrade rejeita candidatura
A escolha do cabeça de lista por Bragança abriu polémica no partido a nível distrital. António Costa escolheu o secretário nacional para a organização do PS, Jorge Gomes, para encabeçar a lista de candidatos a deputados por Bragança, em detrimento de Mota Andrade.

Em declarações esta segunda-feira ao PÚBLICO, Mota Andrade, líder da distrital socialista, anunciou que rejeitou integrar a lista de deputados e mostra-se desiludido com a decisão do secretário-geral de o afastar. “Entendi que não tinha condições para ficar na lista e por isso recuso fazer parte dela. Vou comunicar essa decisão na reunião da comissão política distrital, marcada para quarta-feira”, acrescentou, revelando que, “por vontade dos militantes que continuaria a encabeçar a lista pelo distrito”.

Mota Andrade, deputado desde 1995, apoiou António José Seguro na disputa interna das primárias contra o actual secretário-geral socialista.

Mas o clima de tensão é extensivo a outros distritos, como acontece em Viseu e em Leiria. Em nome da renovação, Costa afastou José Junqueiro, que foi secretário de Estado da Administração Local no Governo Sócrates. Apoiante de Seguro, o cabeça de lista por Viseu pelo PS nas legislativas de 2011 foi substituído por Maria Manuel Leitão Marques que, curiosamente, esteve com José Junqueiro no Governo, ocupando a pasta da Reforma Administrativa.

Os opositores de Costa acusam o secretário-geral de “lançar uma grande operação de decapitação das principais figuras que apoiaram António José Seguro ao não reconduzir os cabeças de lista a deputados”. Com excepção de Vieira da Silva – que vai ser cabeça de lista por Santarém -, todos os que lideraram as listas de deputados em 2011 foram substituídos.

O mal-estar que existia em Leiria por causa das eleições para a federação distrital (que foram impugnadas e cujo processo está na Comissão de Jurisdição Nacional) agudizou-se agora com a lista de deputados. A escolha do líder do partido recaiu em Margarida Marques, mulher de Porfírio Silva, secretário nacional e muito próximo de Costa. O líder da distrital socialista, José Miguel Medeiros, que foi apoiante de Costa, foi substituído por Margarida Marques, e o número dois na lista deverá ser ocupado por António Sales, que perdeu por meia dúzia de votos a distrital. Já o actual deputado João Paulo Pedrosa deverá surgir na quinta ou sexta posição na lista.

O “segurista” António Braga deverá ficar fora das listas pelo distrito de Braga, e Miguel Laranjeiro, um outro “segurista”, perdeu por um voto a integração na lista de deputados nas eleições realizadas em Guimarães. O médico Álvaro Beleza, que esteve ao lado do ex-líder do PS, deve entrar na lista por Coimbra. (publico.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA