Onde os boémios de Luanda se perdem

(D.R.)
(D.R.)
(D.R.)

Numa noite, com a venda de ingressos, bebidas e petiscos, podem amealhar cerca de 50 mil dólares. Apesar disso, consideram que “não há motivos para se encher os olhos”, porque a produção é “bastante dispendiosa”. Os organizadores da ‘Festa das redes sociais’ revelam ao NG os ‘meandros’ de um dos destinos de ‘tchilo’ em Luanda.

Para quem frequenta as festas de Luanda, os nomes Hélder Paulo e Matuvanga Capitão podem não dizer grande coisa. Porém, se ignorarmos os formalismos dos bilhetes de identidade, quase ‘meia-Luanda’ os reconhece num ‘piscar de olhos’. Quilala, da ‘Staff dos Vip’ e Capitão, da ‘Timeout Eventos’, ambos de 29 anos, são os ‘culpados’ pelas ressacas de alguns luandenses no início de cada mês, com a famosa ‘Festa das Redes Sociais’, que decorre na tenda de eventos da Centralidade do Kilamba.
Tudo começou em Junho de 2013, quando as duas organizações – a ‘Staff dos Vip’ e a ‘Timeout Eventos’ – se juntaram para organizar um espectáculo da kudurista ‘Própria Lixa’ no hotel ‘Almeida Monteiro’ do Kilamba-Kiaxi. Como o show “foi um sucesso”, a iniciativa não parou. Nos meses que se seguiram, organizaram mais nove espectáculos, antes de se mudarem, o ano passado, para ‘tenda do Kilamba’.

Concorrido

A denominação ‘Festa das Redes Sociais’ deve-se à “força que o Faceboock, Twitter , Instagram e o Whatsapp vinham tendo na altura em que as duas organizações se juntaram”, de acordo com Quilala, da ‘Staff dos Vip’. “O mundo vive das redes sociais, por isso, decidimo-nos por este nome”, explica, acrescentando que o objectivo é “trazer músicos renomados, dando oportunidade aos jovens da periferia de conhecerem alguns dos seus ídolos”.
Contam-se pelos dedos de uma mão os músicos jovens na ‘moda’ que ainda não actuaram no palco da ‘Festa das Redes Sociais’. Entre os que por lá passaram, a dupla ‘B4’, formada por Big Nelo e C4 Pedro, Dji Tafinha, Força Suprema e, recentemente, a ‘Zona 5’ são os artistas que “mais massas arrastaram”. Para a próxima edição, prevista para 11 de Julho, a convidada é a cantora Ary. Nos atractivos da festa, cujos bilhetes variam entre os 2500 e oito mil kwanzas, destaca-se a possibilidade de os participantes ‘navegarem’ gratuitamente, através do ‘Wi-Fi’.
Numa noite, em que chegam a reunir cerca de três mil participantes, podem arrecadar cerca de 50 a 60 mil dólares, com a venda de ingressos, bebidas e petiscos. Apesar disso, Capitão, da ‘Timeout Eventos’, entende que “não há motivos para se encher os olhos”, visto isto que todo o aparato usado na produção (a luz, o palco, a promoção, o som e o arrendamento do espaço) é “bastante dispendioso” e ronda os 25 mil dólares, sem contar com o ‘cachet’ dos músicos, que varia de três a 18 mil dólares.

Sobre os organizadores

Hélder Paulo e Capitão Matuvanga, mais conhecidos por Quilala e Capitão, nasceram em Luanda. O primeiro é casado, tem dois filhos e trabalha como agente de relações públicas numa empresa hoteleira. Capitão, por sua vez, é solteiro e trabalha num colégio norte-americano no sul de Luanda, cuja função se recusa a revelar. Os seus principais objectivos passam por “tornar as festas das redes sociais num evento nacional”, susceptíveis de atrair também artistas internacionais. Para este ano, o “maior desafio” é reunir, numa única edição, todos os artistas que compõem o volume II do projecto ‘Team de sonho’.
Actualmente, com o negócio a “correr-lhes bem”, os dois jovens confessam não estar disponíveis para os ‘músicos kotas’. “As nossas festas servem de fonte de rendimento. Se mais da metade dos clientes quer ver a dupla ‘B4’, é óbvio que não vamos dar-lhes um kota, correndo o risco de termos uma casa vazia”, considera Quilala, da ‘Staff dos Vip’.

(In)seguros

Incluindo Quilala, da ‘Staff dos Vip’ e Capitão, da ‘Timeout Eventos’, a ‘Festa das Redes Sociais’ é organizada por 24 elementos, aos quais se juntam quatro meninas do protocolo, 15 agentes de segurança, além de agentes da Polícia. À entrada, fora o ingresso, a organização não exige nenhum documento. Para ‘apanhar’ os menores de 18 anos, limitam-se a observá-los e, por isso, Quilala admite tratar-se de um “sistema bastante falível”. (novagazeta.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA