MP português confirma pedido de cooperação internacional no âmbito do Lava Jato

(jornaldenegocios.pt)
(jornaldenegocios.pt)
(jornaldenegocios.pt)

Depois da confirmação do lado brasileiro veio a confirmação do lado português: o Brasil pediu ajuda ao Ministério Público para as averiguações que está a fazer no escândalo de corrupção Lava Jato.

O Ministério Público português confirma ter recebido um pedido para cooperação internacional em torno da operação Lava Jato, que investiga corrupção envolvendo empresas brasileiras e que tem agora o ex-presidente Lula da Silva como visado.

“Confirma-se a recepção de pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória”, revela o gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República em resposta ao Negócios. Uma carta rogatória é um pedido de auxílio a outra jurisdição.

O Correio da Manhã tinha já escrito que a justiça brasileira tinha feito um pedido de colaboração a Portugal, havendo agora a confirmação de Lisboa.

Não se sabe, contudo, o que está na origem desta solicitação. “O teor do pedido formulado pelas autoridades brasileiras é de natureza reservada”, indica o mesmo gabinete.

“O Ministério Público português não deixará de investigar todos os factos com relevância criminal que cheguem ao seu conhecimento”, adianta ainda a mesma fonte.

A Lava Jato é uma operação desencadeada pelas autoridades brasileiras por suspeitas de corrupção e desvio de dinheiro público em que a Petrobras é o centro do escândalo. As suspeitas indicam que várias construtoras pagavam “luvas” a funcionários com elevada responsabilidade na petrolífera para ganharem negócios. A Odebrecht, a Camargo Côrrea e a Andrade Gutierrez estão entre as empresas a ser investigadas.

O ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, está também a ser investigado pelo Ministério Público brasileiro, nomeadamente pelas ligações à Odebrecht, querendo a justiça averiguar se houve favorecimento em algumas obras. Lula terá viajado a custas da construtora e terá sido numa dessas viagens que participou no lançamento do livro de José Sócrates – e terá falado com Pedro Passos Coelho sobre a proposta da construtora brasileira sobre a EGF na altura da sua privatização.

As ligações entre Brasil e Portugal são várias neste processo, nomeadamente até pelo facto de um dos detidos no âmbito do processo ter sido administrador da Portugal Telecom. Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, era representante dos accionistas da Oi no conselho de administração da operadora portuguesa quando a aliança entre as empresas estava ainda a decorrer – acabou por demitir-se depois de conhecido o investimento de 987 milhões da PT.

A Odebrecht já foi noticiada por uma empresa sua ter integrado consórcios que venceram obras públicas durante os mandatos de José Sócrates. É uma das peças que, segundo o jornal i, está a ser investigada pela Operação Marquês, que levou à detenção do ex-primeiro-ministro português.

O procurador do processo no Brasil deu conta que o escândalo iria para lá das empresas brasileiras. Em Junho, aquando dessa resposta, o Negócios questionou a PGR se teria havido um pedido de auxílio de cooperação neste caso mas não obteve resposta. A cooperação chegou, formalmente, em Julho. (jornaldenegocios.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA