Ministros iemenitas no exílio retornam a Áden ‘livre’ de rebeldes

(AFP)
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Vários ministros iemenitas, até então refugiados na Arábia Saudita, voltaram para Áden, após o anúncio pelo governo no exílio da libertação da cidade portuária que estava sob controle dos rebeldes xiitas huthis.

“Chegamos ontem à noite”, declarou neste sábado à AFP o ministro do Interior Abdo al-Huzeifi, contactado por telefone, acrescentando estar acompanhado pelo ministro dos Transportes e várias autoridades da segurança.

Huzeifi não especificou por quais meios o grupo chegou à cidade, mas de acordo com uma autoridade da segurança, citada pelo jornal Asharq al-Awsat, os homens tomaram um voo para a Eritreia e, em seguida, um barco para Áden.

O ministro assegurou que os rebeldes xiitas apoiados pelo Irão tinham sido expulsos da cidade, com excepção de “alguns grupos sitiados que se recusam a capitular”.

Na sexta-feira, o governo iemenita no exílio em Riad anunciou que as forças legalistas, que lançaram na terça-feira sua primeira ofensiva em Áden desde a entrada, no final de Março, dos rebeldes na cidade, expulsaram os huthis e seus aliados.

“O governo anuncia a libertação da província de Áden neste primeiro dia de Eid al-Fitr”, escreveu o primeiro-ministro Khaled Bahah, referindo-se à festa muçulmana que marca o fim do mês de jejum do Ramadão.

Contudo, a situação continua instável e ferozes combates prosseguem neste sábado no bairro de al-Tawahi, que continua nas mãos dos rebeldes.

Um porta-voz da rebelião considerou, por sua vez, que o anúncio do governo fazia parte de uma “guerra psicológica” e da “tentativa de aumentar o moral” das milícias pró-governo.

“O avanço que eles afirmam ter realizado não ultrapassa alguns quilómetros nas linhas de frente, onde sofreram importantes perdas”, ressaltou o porta-voz em um comunicado publicado pela agência próxima à rebelião.

Há quatro meses, este país pobre da península arábica é palco de um conflito devastador entre, por um lado, as forças governamentais e seus aliados, apoiados pelos ataques aéreos de uma coligação árabe liderada por Riad e, por outro, os rebeldes xiitas huthis, apoiados por soldados fiéis ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh.

A Arábia Saudita, peso pesado da região e país fronteiriço com o Iémen, assumiu a liderança no dia 26 de Março de uma coalizão árabe com o objectivo de impedir que os rebeldes tomassem o controle de todo o país e de limitar a influência do Irão na região.

Os aviões da coligação atingiram neste sábado várias posições rebeldes no leste de Áden, matando 25 combatentes, segundo uma fonte militar.

O conflito deixou mais de 3.200 mortos, a metade deles civis, desde Março, segundo a ONU.

Cerca de 80% da população – ou seja, 21 milhões de pessoas – precisa de ajuda ou protecção neste país pobre da península arábica e mais de dez milhões têm dificuldades para se alimentar ou encontrar água, acrescenta.

Grande parte de Áden ficou destruída por quatro meses de combates e ataques da coalizão árabe. Esta situação levou a ONU a anunciar uma trégua humanitária na semana passada que nunca foi cumprida. (afp.com)

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