Migrações: Causas e Consequências para as Economias

Jonísio Salomão (DR)

A imigração data desde a milhares de anos com génese nos séculos XIX e XX. O processo de descoberta de novos continentes e terras permitiu o homem tirar proveito de tais situações. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e com o processo da Revolução Industrial conjugado com a necessidade de expansão económica dos sectores como a Agricultura e a Indústria, a mão de obra passou a ser um factor sine qua non.

Destarte, o processo de migração ganha contornos nunca antes visto, iniciando a transferência da mão de obra de um continente ou país para outro, na sua maioria, de forma obrigatória.

De acordo o Organização Internacional para as Migrações (OIM) considera –se migração o movimento de população para o território de um Estado ou dentro do mesmo que abrange todo movimento de pessoas, seja qual for o tamanho, sua composição ou causas; inclui a migração de refugiados, pessoas deslocadas, pessoas desarraigadas, migrantes económicos.

Tal como relata o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), “aproximadamente 195 milhões de pessoas moram fora de seus países de origem, o equivalente a 3% da população mundial, sendo que cerca de 60% desses imigrantes residem em países ricos e industrializados. No entanto, em decorrência da estagnação económica oriunda de alguns países desenvolvidos, estima-se que, 60% das migrações ocorram entre países em desenvolvimento”.

O conflito e a insegurança que nos encontramos imbuídos ultimamente, têm originado uma onda de imigrantes sem precedentes para diversos países da Europa, concretamente: Espanha, França, Portugal, Itália e Grécia. Grande parte com origem em países em conflito, nomeadamente: Líbia, Síria, Nigéria, Somália, Eritreia, Bangladesh e Marrocos e outros países[1].

Causas da Migração

São várias as causas atribuídas a migração, com maior destaque para: políticas, económicas, religiosas, étnicas, naturais, socioculturais, turísticas e bélicas.

Políticas

O modelo político do país, a falta de liberdade de expressão, ausência de jornais privados e a coibição de alguns regimes políticos são factores que contribuem fortemente para a imigração de países aonde as liberdades fundamentais são mais eficazes e sobretudo respeitadas;

Económicas

O fraco crescimento das economias, acaba por se repercutir em diversos indicadores económicos como: taxas de inflação, taxas de juros e o desemprego, que corroboram para um débil desenvolvimento das economias.

Assistindo –se uma elevada densidade populacional que conduz a má remuneração dos empregos, contribuindo para elevados fluxos migratórios;

Religiosas

O combate e a estigmatização de grupos religiosos, a não aceitação de indivíduos que professam religiões distintas. Em grande parte dos países a intransigência religiosa tem originado muitas mortes, o exemplo prático são os considerados “extremistas religiosos”.

Étnicas

Geralmente são causadas por grupos ou comunidades com origens étnicas diferentes, que quando instalados numa determinada região ou área, acabam por expulsar os demais, que normalmente constituem a minoria.

Naturais

São normalmente, provocadas por secas, inundações, catástrofes, erupções vulcânicas ou outras intempéries de índole diversa. A população é obrigada a imigrar com o intuito de sobreviver.

Socioculturais

Acontece quando os cidadãos acabam imigrar para as grandes metrópoles por motivos de ordem cultural, aonde acabam por ficar pelo facto de favorecer o desenvolvimento da sua actividade: Estudantes, músicos, cientistas e artistas.

Turísticas

Acontecem quando os cidadãos viajam para um país como turistas, com o objetivo de passar as férias, ou conhecer novos locais, e acabam por permanecer e trabalhar.

Bélicas

Estão relacionadas com os conflitos armados e guerras civis que acabam por degradar grande parte das infraestruturas e o tecido produtivo do país, levando-o as ruinas. Ultimamente está tem sido uma das principais causas de grande parte dos principais fluxos migratórios.

Consequências

As consequências são inúmeras para os países geralmente para os países/localidades de origem e destino dos imigrantes.

No ponto de vista demográfico, assiste –se a redução da população, uma vez que o país de origem não possui os requisitos ou condições que proporcionem a comodidade dos seus cidadãos e a melhoria da qualidade de vida.

Nos últimos tempos, em função da nova vaga de imigrantes, aproximadamente 4.800 imigrantes foram salvos do mar mediterrâneo e levados aos portos da Itália e Grécia. A guarda costeira Italiana salvou perto de 3.700 imigrantes no canal da Sicília, enquanto as forças marítimas conseguiram salvar aproximadamente perto de 1.100 imigrantes (IOM).

Por outro lado da moeda, ultimamente muito imigrantes têm perdido a vida ao tentar imigrar para outros países ou continentes .

De acordo Organização Internacional para as Migrações (OIM), “mais de 1.900 imigrantes afogaram –se este ano ao tentar alcançar a Europa, e perto de 1.840 morreram ao tentar chegar a Itália”.

País de Origem 2014 2015
Eritreia 19 171 18 676
Nigéria 3 311 7 897
Somália 2 293 6 334
Síria 12 014 4 271
Gambia 3 562 3 593
Sudão 736 3 589
Senegal 1 861 2 839
Outros países 20 936 23 155
Total 63 884 70 354

Fonte: OIM (Junho, 2015).

Durante o primeiro semestre do ano de 2015, registou – se um aumento de 10% do fluxo de imigrantes comparativamente ao período homólogo de 2014, grande parte atravessaram o mar mediterrâneo e chegaram a Europa em condições críticas.

A fuga de cérebro (brain drain), é uma outra consequência para as economias dos países de origem, a mão de obra especializada ou técnica, uma vez que, os quadros procuram paulatinamente países que ofereçam condições de vida aceitáveis e permita desenvolver as qualidades técnicas.

Para os países de destino, as consequências para além de serem económicas tendem a alagar –se para outros sectores, concretamente o social.

O mundo registou um avalanche de imigrantes que dirigiram –se para os principais países da Europa, conforme abaixo descriminados:

País de Destino Imigrantes
Itália 78 183
Malta 94
Grécia 79 338
Espanha 1 217
Total 158 832

Fonte: OIM (Junho, 2015).

Apenas durante o primeiro semestre do ano em curso, perto de 158 mil imigrantes chegaram a Europa, o facto dos respectivos países de destino não contarem com o elevado fluxo migratório, e os seus planos orçamentais não oferecem cobertura para tais despesas sociais, acabam por criar constrangimentos inúmeros, tais como: pobreza e outros.

CONCLUSÃO

Embora a migração actualmente tenha uma perspectiva diferente da registada aos longos dos tempos, no processo de construção e reconstrução de muitas economias, urge a necessidade de se repensar no modelo de migração actual.

As assimetrias, o subdesenvolvimento e os conflitos constituem nos diais de hoje, as principais causas da migração. Os países devem preocupar –se em gradativamente melhorarem a qualidade de vida dos seus cidadãos, de modos a reduzir a tendência crescente da migração que ultimamente se regista.

O fechamento das fronteiras e o isolamento, bem como a redução das taxas para imigrantes não constituem a solução para o problema, num mundo cada vez mais globalizado e universal.

A migração deve ser encarada num prisma diferente, que proporcione o aumento da competitividade, competência entre os povos e populações, contudo, uns ganham porque recebem mão de obra especializada que de certa forma, acabam por agregar valor para as suas economias.

[1] Cf. http://www.iom.int

por Jonísio C. Salomão [01]

[01]Mestre em Administração de Empresas; Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Estimei bastante este artigo sobre a migracao, gostaria de perceber mlhor em relacao aos paises da rgiao sul de africa

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