Mercosul busca novos caminhos para acelerar o comércio

(Foto de Evaristo Sa/AFP)
(Foto de Evaristo Sa/AFP)
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Os presidentes do Mercosul abriram a reunião semestral do bloco nesta sexta-feira em Brasília, dando boas-vindas à Bolívia como novo sócio e na tentativa de impulsionar o comércio, diante da deterioração de suas principais economias.

A cúpula que acontece nesta sexta-feira em Brasília foi precedida de uma série de reclamações públicas por parte desses três países para estimular o comercio, que recuou nos últimos anos, em parte pelo enfraquecimento das maiores economias do bloco: Brasil, Argentina e Venezuela.

“A busca por novos mercados continuará sendo prioritária para o Mercosul”, declarou Dilma Rousseff na cúpula.

“Continuamos empenhados em consolidar a união aduaneira. É preciso reconhecer que a crise gera desafios importantes para a economia da região. É importante que as regras do Mercosul se mantenham flexíveis”, disse a presidente.

O presidente uruguaio Tabaré Vázquez reafirmou sua postura crítica com o atual funcionamento do bloco, que pretende trocar propostas no final desse ano com a União Europeia (UE) para a criação de uma área de livre-comércio.

“O Mercosul foi, é e será o que temos sido, o que somos e o que seremos capazes de fazer. Se hoje não nos satisfaz, é porque pode e deve ser melhor”, declarou o mandatário, que ressaltou a importância de negociar em bloco, principalmente com a UE.

“Que fique bem claro que para o nosso país é de extrema importância que a participação nessas reuniões seja em bloco”, manifestou.

Na quinta-feira, na reunião prévia de chanceleres, Paraguai e Uruguai apresentaram um plano para eliminar as barreiras que ainda obstacularizam o comércio intrabloco. A proposta -que seria executada no segundo semestre- foi bem recebida pelos outros sócios.

“É preciso garantir o livre trânsito e a eliminação das barreiras não tarifárias a nossos produtos. Deve-se eliminar as barreiras que impedem o comércio”, enfatizou o presidente paraguaio, Horacio Cartes.

Durante a cúpula, foi concluída a entrada da Bolívia como o sexto membro pleno do Mercosul. A Guiana -que mantém uma disputa de fronteira com a Venezuela – e o Suriname foram admitidos como membros associados.

A adesão da Bolívia foi acordada durante a suspensão do Paraguai no bloco.

O Paraguai recebeu nesta sexta-feira do Brasil a presidência temporária do bloco.

– ‘Plano de ação’ para estimular comércio –

O programa proposto por Paraguai e Uruguai -as economias menores do bloco- definirá no final de 2015 quais medidas tarifárias e não tarifárias serão mantidas ou eliminadas do bloco, explicou um diplomata brasileiro presente nas negociações.

“O Brasil também tem muito interesse nessa proposta”, afirmou o diplomata na quinta-feira.

O Mercosul continua engessado pelas barreiras não tarifárias, como as licenças não automáticas, que na prática servem para administrar o comércio.

Nos últimos anos sua dinâmica comercial sofreu queda em parte por esse tipo de medida.

Segundo dados divulgados pela maior associação industrial do Brasil, Confederação Nacional da Indústria, o valor das exportações brasileiras ao Mercosul caíram 15% em 2014 em relação ao relação ao anterior. Para a instituição, o setor mais atingido é o de produtos manufaturados.

“É necessário que o Mercosul seja uma plataforma de inserção internacional. Seus mecanismos de negociação com o exterior devem ser flexíveis, para que o bloco possa negociar melhor, conjuntamente”, disse à AFP José Luiz Pimenta, professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing em São Paulo. (afp.com)

por Natalia RAMOS

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