Liquidez em kwanzas vai subir, diz CEO do Standard Bank Angola

(EXPANSAO)
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Poupanças das famílias e dinheiro das empresas nos bancos tendem a subir, por causa do clima de incerteza económica, defende António Coutinho. Banco aposta em PME e pode abrir balcões ao domingo.

A liquidez em kwanzas na banca nacional deverá subir nos próximos meses, com as empresas a ‘parquearem’ valores à espera do melhor momento para investir e as poupanças das famílias a aumentarem, afirma o novo CEO do Standard Bank Angola (SBA). Num encontro com jornalistas realizado no final da semana passada, António Coutinho antecipou um a aumento da concorrência no sector na captação de depósitos, com a oferta de taxas de juro mais atractivas. “Vamos ter um período complicado nos próximos meses”, alertou o responsável, aludindo à possibilidade de o acordo com o Irão contribuir para aumentar a oferta de petróleo no mercado a partir do próximo ano, impedindo uma recuperação dos preços do barril que seria favorável a Angola.

Nos próximos seis meses, pelo menos, afirmou o responsável, “vamos ver a inflação a subir e as taxas de juro, em kwanzas, a aumentarem”. Neste período, disse, “vai haver mais poupança por parte dos consumidores e o mercado vai ser mais conservador, com os clientes particulares a apertarem o cinto”.

A banca vai “pagar mais pelos depósitos” e haverá “mais concorrência” na captação de poupanças, afirmou António Coutinho, que tem assistido, no SBA, a uma subida dos recursos dos clientes, quer particulares, quer empresariais. “A liquidez das empresas está a subir, em kwanzas”, disse António Coutinho. “As empresas têm mais dinheiro para investir, ou para transferirem para fora, pois há uma redução da actividade” no investimento.

“Os clientes estão a esperar para ver, a analisar prioridades de investimento”, disse o gestor, para quem a liquidez acrescida pode ter “um papel importante” na diversificação da economia de que Angola necessita, e também para o Estado, que “vai precisar de financiamento”. Turismo, agricultura e pesca, e o sector transformador são as áreas que António Coutinho considerou “prioritárias” para o desenvolvimento de Angola.

O Estado deve “depender cada vez menos do petróleo”, disse o CEO do banco, que se manifestou satisfeito com o desempenho do banco nos primeiros meses do ano. Activos subiram 29% até Junho Segundo o responsável, que recusou indicar valores alegando que a casa-mãe, na África do Sul, ainda não fechou as contas do semestre, o SBA assistiu a um crescimento de 29% dos activos nos primeiros seis meses do ano, face ao homólogo, atingindo um lucro antes de impostos “igual ao de todo o ano passado”. Em 2014, recorde-se, o SBA teve lucros pela primeira vez desde que iniciou operações, há quatro anos, no valor de 2,2 mil milhões Kz, revelou o Expansão na edição de 3 de Julho.

No ano passado, a margem financeira do banco aumentou 148%, face a 2013, mas, este ano, com o aumento das taxas nos depósitos e a redução do crédito à economia, o indicador “deverá cair”, admitiu o CEO aos jornalistas. Este ano, revelou António Coutinho, o banco vai manter o seu foco nas grandes companhias e clientes particulares dos segmentos médio e alto, mas pretende também apostar nas pequenas e médias empresas (PME).

“As PME são um mercado que demora tempo a atingir e trocam de bancos facilmente”, pelo que o SBA quer inovar nos serviços prestados, para além de abrir novas agências. Três novas agências nos próximos meses Para já, a instituição tem 23 balcões em operação, mas pretende abrir mais três – no Sumbe, Viana e Bengo – nos próximos seis a oito meses.

Actualmente, o banco tem já algumas agências que abrem portas aos sábados, até às 16 horas, nas lojas Shoprite do Belas Shopping, em Luanda, do Huambo, do Lubango, na Huíla, do Lobito e de Benguela, mas não exclui funcionar também aos domingos. “É uma possibilidade, tudo irá depender da evolução do mercado”, disse o gestor ao Expansão, numa resposta a questões colocadas por email. António Coutinho prometeu também lançar novos serviços num “futuro próximo”, no âmbito do arranque da bolsa de valores de Angola, mas, questionado pelo Expansão, não detalhou quais.

“A entrada na BODIVA deu-nos a possibilidade de transaccionar em mercados regulamentados e de forma mais activa em mercados secundários. Actualmente, transaccionamos títulos de dívida pública – Obrigações e Bilhetes de Tesouro”, disse. Quanto ao crédito, António Coutinho sublinhou que, “dadas as políticas rigorosas do Standard Bank na concessão de novas operações e gestão do risco, o banco tem conseguido apresentar rácios de incumprimento abaixo da média do mercado, apesar de terem sentido algum crescimento, nomeadamente no crédito a particulares, nos primeiros seis meses do ano”. (expansao.co.ao)

por Ricardo David Lopes

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