‘KiKuia’ ainda não ‘kuia’ por falta de divisas

(EXPANSAO)
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Além da escassez de divisas, o programa de ajuda a famílias vulneráveis debate-se com dificuldades de acesso às zonas rurais e com a falta de infra-estruturas comerciais. Famílias registadas pouco ultrapassam as 60 mil, quando a meta para este ano era de 200 mil.

O programa KiKuia tem 61 mil famílias registadas em seis províncias, mas apenas 31 mil beneficiam do programa, revela ao Expansão Boa António Pedro, director nacional da Unidade Técnica de Combate à Pobreza.

O número de famílias registado até Junho torna praticamente impossível atingir a meta de 200 mil em todas as províncias fixada para este ano. Na primeira fase de registo no programa Kikuia, que ocorreu no último trimestre de 2014 e contemplou apenas as províncias da Lunda-Sul, Zaire, Cuanza- Sul, Bengo e Luanda, foram registadas 50 mil famílias. Se em três meses alcançámos as 50 mil famílias nestas cinco províncias, pensamos que é possível chegar a este número no presente ano, previu, em Janeiro deste ano, citado pelo jornal O País, Boa Pedro.

Entretanto, o programa foi alargado apenas ao Cunene, abrangendo actualmente seis províncias, onde foram realizados diagnósticos de cada município e definidas as respectivas visões estratégicas de desenvolvimento. Com escassez de divisas resultante da queda do preço do petróleo, registou-se um atraso no alargamento do programa a outras províncias, mas tenho esperança de que esta situação possa vir a mudar e que o programa volte a dar passos largos, explica o director.

O Expansão sabe que a meta para o número de famílias registadas foi entretanto revisto em baixa, para 130 mil. Outra dificuldade com que se deparam os gestores do programa tem que ver com as dificuldades de acesso a algumas localidades, o que justifica que apenas metade das famílias registadas beneficie do programa. Antes de o País ter problemas financeiros, defrontávamo- nos com dificuldades de acesso às localidades, reconhece o responsável.

No município de Mussende, província do Cuanza Sul, que é um dos municípios que a administração indicou, toda a população foi cadastrada, mas até agora não beneficiou do programa devido à falta de condições das estradas e de comunicações , exemplifica. Ainda assim, Boa Pedro está optimista: O ano ainda não acabou, e estamos a fazer de tudo para que as coisas corram como o previsto. Acredito que as coisas ainda poderão mudar.

A falta de infra-estruturas comerciais é outro dos obstáculos a vencer. Algumas localidades onde foi feito o registo não têm estruturas comerciais, admite. Em Janeiro, havia cinco lojas em funcionamento e previa-se que seriam inauguradas mais sete lojas em Fevereiro. Actualmente, o programa dispõe apenas de oito lojas operacionais, quatro das quais na província de Luanda.

O responsável considera que seria desejável ter mais empresas a colaborar no projecto para facilitar a distribuição de produtos pelos beneficiários. Temos dificuldades em associar empresas, porque as grandes empresas não aceitam operar no meio rural, explica Boa Pedro. Se tivéssemos a colaboração de lojas como o Poupa Lá e o Nosso Super no atendimento da população beneficiária do cartão, isso facilitaria o acesso aos produtos disponibilizados, exemplifica. Contudo, actualmente, o Nosso Super e as lojas Poupa Lá só se encontram na cidade, lamenta.

Quando questionado sobre o orçamento do projecto, Boa António responde dizendo não ser a pessoa mais indicada para dar dados concretos. O Expansão apurou junto de fontes ligadas ao programa que as verbas inscritas no Orçamento Geral do Estado 2015 Revisto rondam os 2,4 mil milhões Kz. (expensao.co.ao)

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