“Há pessoas a falsificar documentos para adquirirem divisas”

Luís Lelis (DR)
Luís Lelis (DR)
Luís Lelis (DR)

A prioridade do BAI, segundo o seu administrador, é ajudar o Executivo a garantir alimentação para a população, medicamentos para os hospitais e salários.

Há clientes que falsificam bilhetes de passagem e documentos hospitalares na tentativa de conseguirem comprar moeda estrangeira nos bancos, denunciou Luís Lelis, administrador executivo do Banco Angolano de Investimento (BAI).

O gestor, que falava na mesa-redonda organizada no V Fórum Banca, promovido pelo Expansão, em parceria com a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que fez o ponto da situação da governação corporativa em Angola (ver páginas 14 a 16), referiu que “todos os dias” a sua instituição tem feito participações às autoridades competentes sobre casos de falsificação de documentos. Segundo Luís Lelis, dado o momento de crise cambial causada pela queda do preço do preço do petróleo no mercado internacional – principal fonte de arrecadação de divisas para o País -, não é prioridade do BAI garantir o pagamento de dividendos e repatriamento de capitais.

A prioridade da instituição, disse, é “ajudar o Executivo a garantir alimentação para a população, medicamentos para os hospitais, e salários para funcionários públicos de sectores estratégicos”. “O preço do barril de petróleo caiu mais de 50%. O dólar representa 95% das divisas do País e 75% do Orçamento Geral do Estado. Se não ajustarmos o nosso modelo de vida e a nossa forma de estar, e mantivermos o padrão de vida que tínhamos há dois anos, não vamos ajudar as autoridades a ultrapassar este momento difícil que o País está a passar”, disse.

“Ou caímos na realidade, ou vamos pagar, mais cedo ou mais tarde, por isso”, enfatizou o administrador do BAI. De acordo com Luís Lelis, o momento não é só “difícil” como é “complicado”, razão por que se deve atender às prioridades e só depois “pensar nas viagens de banga”. Nos últimos cinco a seis meses, disse, tem-se assistido a situações muito complicadas de pessoas que têm problemas “genuínos” de saúde, que chegam aos hospitais e os seus cartões não funcionam. Mas, lamentou, “aparecem burladores que vêm falsificar documentos porque querem dólares a preço barato”.

“No momento das vacas gordas, vivemos razoavelmente. Agora, apertemos os cintos e pensemos naqueles que não têm a oportunidade de comprar os dólares. Precisamos de garantir alimentação para 97% da nossa população. Portanto, não haverá dólares suficientes para se fazerem férias este ano. [As pessoas] vão continuar a levar apenas 2.500 USD porque temos de dividir o mal pelas aldeias”, alertou o responsável.

BIC nega falta de transparência nas divisas Por sua vez, o presidente do conselho de administração (PCA) do Banco Internacional de Crédito (BIC), Fernando Teles, outro integrante do painel, negou a existência de falta de transparência por parte dos bancos na distribuição dos dólares que compram ao banco central e aos clientes.

“Infelizmente, os dólares que estamos a comprar são insuficientes para a nossa actividade normal. Toda a gente sabe que há menos receitas em Angola, o petróleo está em baixa e, infelizmente, devíamos ter diversificado a nossa economia atempadamente”, explicou.

Fernando Teles defendeu que, “atempadamente”, o País devia ter realizado projectos de vulto nos domínios agrícola, agro-pecuário, de pescas, de minas e noutros sectores de actividade que não o do petróleo. “Penso que adormecemos. Estivemos muitos anos a dormir, porque tínhamos petróleo, e estamos agora a sentir os efeitos”, disse. O PCA do BIC reconheceu que a actividade económica está a arrefecer, mas, no entanto, deixou claro que tal acontece não porque os bancos estejam a direccionar mal as divisas que compram.

Já o PCA do Banco de Comércio e Indústria, Filomeno Ceita, que também participou no debate, revelou que, em termos de disponibilidade de dólares, com a crise, a sua instituição registou uma queda de cerca de 75%. “Antes das restrições, estávamos com operações de cerca de 20 milhões USD, por semana, agora estamos com 4 a 5 milhões USD”, indicou. (expansao.co.ao)

por Francisco de Andrade

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