Governo alerta para perigo de alcoolismo para previdência social em Cabo Verde

Ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde, Cristina Fontes Lima (D.R)

A ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde, Cristina Fontes Lima, disse, quinta-feira, na cidade do Porto Novo, na ilha de Santo Antão, que os custos que o alcoolismo está a ter no sistema previdência social põem em causa a sua sustentabilidade nesta matéria.

Ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde, Cristina Fontes Lima (D.R)
Ministra-adjunta e da Saúde de Cabo Verde, Cristina Fontes Lima (D.R)

Ao presidir à abertura do II Fórum Regional sobre o Álcool, a governante disse existir um número “incontável” de pessoas incapacitadas devido ao uso abusivo do álcool e que beneficiam de pensões suportadas pela previdência social.

Sublinhou a necessidade de travar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas no país, uma vez que, frisou, os custos são avultados tanto para o Ministério da Saúde como para a própria vida dos consumidores.

Neste sentido, Cristina Fontes Lima defende que “é preciso revisitar a legislação e fazer cumprir aquilo que está legislado sobre esta matéria”.

A ministra aponta a necessidade de se proibir a publicidade que estimula o consumo do álcool em espaços públicos para que, no futuro, Cabo Verde não venha a ser comparado pela negativa com as ilhas Maurícias ou Seichelles onde este flagelo se situa em taxas muito altas.

“Não faz sentido proibir a televisão passar publicidades sobre o álcool antes das 22 horas, para impedir as crianças de verem esses conteúdos, para depois nos depararmos com as ruas cheias de publicidade que convida os jovens a consumirem bebidas alcoólicas”, asseverou.

Acrescentou que se deve ter a coragem de tomar essa decisão “porque quem faz a publicidade deve entender que a saúde das pessoas é mais importante do que a saúde das empresas. Logo, não vale a pena convidar ninguém a beber”.

Cristina Fontes Lima pediu também aos municípios para que tentem disciplinar o funcionamento dos estabelecimentos de venda do álcool e procedam a uma maior fiscalização desses espaços que têm estado a operar sem qualquer controlo, sobretudo em termos de horário.

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em maio do ano transato, indicava que o consumo de álcool em Cabo Verde atinge níveis acima da média africana.

Com a mais alta percentagem de mortes associadas ao álcool entre os lusófonos africanos, ou seja 3,6 porcento da população, Cabo Verde tem também uma frequência superior à média africana de perturbações ligadas a este fenómeno, ou seja 5,1 porcento.

Os inquéritos sobre o uso de substância psicoativa no arquipélago cabo-verdiano apontam também que o álcool é a droga lícita mais consumida na camada juvenil, ou seja 11,5 porcento da população, estimada em 538 mil e 535 habitantes (dados de 2014), que inicia o consumo antes dos 15 anos de idade.

Intitulado “Relatório global sobre o álcool e a saúde 2014”, o documento da OMS veio confirmar a gravidade do fenómeno e o seu impacto, em termos de saúde pública e de própria segurança dos cidadãos em Cabo Verde.

O alcoolismo é também uma das sete primeiras causas da morte no país e, no sentido de combater o flagelo, as autoridades têm vindo a levar a cabo uma série de atividades para sensibilizar a população aos malefícios deste produto. (panapress.com)

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