Fundação Sindika Dokolo apoia projectos culturais

(ja.co)

A “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”, uma nova instituição que vai conceber e produzir projectos culturais, foi apresentada no âmbito de um ciclo de conferências e cinema, realizado pela Fundação Sindika Dokolo.

(ja.co)
(ja.co)

O ciclo de conferências e cinema decorreu de 23 a  25 Julho, no Hotel Pestana, em São Tomé e Príncipe, integrado na programação dos ante-projectos da III Trienal de Luanda.

No acto de apresentação, o artista plástico René Tavares, residente em São Tomé e Príncipe, e responsável pela “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”, falou da oportunidade e das vantagens da parceria com a Fundação Sindika Dokolo, nos seguintes termos: “Para além de criarmos emprego, tanto para os artistas angolanos como para os de São Tomé e Príncipe, pretendemos salvaguardar e divulgar o património artístico e cultural de ambos os países, construir um espaço de debate e informação sobre a actualidade artística contemporânea, divulgar e promover as artes e artistas do mundo e, entre outros objectivos, criar residências artísticas e plataformas criativas em rede, integradas em projetos artísticos europeus”.

René Tavares nasceu em São Tomé e Príncipe, em 1983, e formou-se na Escola Nacional de Belas-Artes de Dakar, no Senegal. Paralelamente, participou em diversos workshops na galeria Teia d’Arte, em São Tomé e Príncipe, orientado pelos artistas Seyni Gadiaga e Débora Miller, e, em 2002, integrou o workshop de pintura e desenho dos finalistas da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expôs em São Tomé, Paris, Bordéus, Évora e Oeiras, entre outras cidades, e participou em 2008 na V Bienal Internacional de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe. Ganhou uma bolsa para desenvolver as suas pesquisas plásticas em Rennes, França, em 2009, e vive, actualmente, entre as cidades de São Tomé Príncipe, e Lisboa.

Foram parceiros da Fundação Sindika Dokolo na realização da cerimónia de  apresentação da “Gleba Cultura”, laboratório de iniciativas criativas”: o Governo da República de São Tomé e Príncipe, a Câmara Distrital de Água Grande, cidade de São Tomé, e a Embaixada da República de Angola, em São Tomé e Príncipe.

Programa

Do programa de apresentação pública da “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”, que decorreu de 23 a  25 Julho no Hotel Pestana e no Parque Popular, no centro da cidade de São Tomé, fez parte um ciclo de conferências, uma das quais sobre os objectivos e projectos futuros da “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”, que foi apresentado pelo responsável da instituição, René tavares.

Por sua vez a arquitecta Marita Silva, Directora da Fundação Sindika Dokolo, e o artista plástico Fernando Alvim, Director Adjunto, fizeram uma abordagem exaustiva sobre os projectos realizados, pela instituição que dirigem, ocasião em que apresentaram os novos projectos da III Trienal de Luanda, que, este ano, tem a abertura prevista para o mes de Novembro de 2015, enquanto o o encerramento vai ser em Novembro de 2016.

Cinema

Durante o acto de apresentação da “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”, foram exibidos o filme “Amália”, do realizador português, Carlos Coelho da Silva, a primeira biografia ficcionada da fadista Amália Rodrigues, que contou com a presença, em São Tomé e Príncipe, da actriz, Sandra Barata Belo, que fez o papel de Amália, e dois filmes do realizador Mário Patrocínio, respectivamente “Complexo, universo paralelo”, sobre a realidade brasileira da vida dos marginais no maior aglomerado de favelas da América Latina, e “I love kuduro”, sobre um dos mais emblemáticos estilos musicais de Angola, do pós-independência.

Filosofia

Partidários de uma leitura do fenómeno artístico e de gestão cultural suportada num permanente questionamento, a Fundação Sindika Dokolo persegue um método de intervenção, no domínio das artes, que articula as disciplinas tradicionais, sempre passíveis de novas leituras, com ferramentas de análise, e formas de abordagem teóricas, de feição multidisciplinar e multimédia, na sua relação com o mundo, e, sobretudo com países amigos de  Angola.

Foi assim na I Trienal de Luanda, em 2006, com a intervenção e exposição da cultura Lunda Cokwe, filosofia que veio a ser reiterada com participação de Angola na 52ª Bienal De Veneza, onde a arte angolana conviveu, num mesmo pavilhão, com obras de artistas cujo nome figura nas mais nobres pautas de prestígio universal.

O epicentro e a nacionalidade desta intervenção é sempre o homem, enquanto entidade natural e cultural por excelência, ultrapassando as barreiras do preconceito e da “guetização” da cultura africana. Estamos perante uma forma de estar na cultura, que molda as formas espontâneas e intuitivas do ser-se africano, às exigências mais complexas do saber e da arte universal.

Hoje, as práticas que estão na base da produção criativa da arte contemporânea, anulam os limites da rigidez monolítica e da visão linear do fenómeno artístico, saboreia o inusitado e fala somente a linguagem da arte ou seja, no processo de fruição artística quase que se desintegra a noção do belo, e se aplaude a ideia do funcional, pela valorização da cultura africana, daí a parceria com São Tomé e Principe, na criação da “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”.

Agradecimento

O realizador Mário Patrocínio, agradeceu à Fundação Sindika Dokolo, pela participação na apresentação da “Gleba Cultura, laboratório de iniciativas criativas”: “Agradeço à Fundação “Gleba Cultura” e à Fundação Sindika Dokolo pela oportunidade única de poder conhecer São Tomé e Príncipe e de poder partilhar o meu trabalho, percurso e experiência.

Tenho acompanhado o trabalho que a Fundação Sindika Dokolo tem desenvolvido não só em Angola mas pelo mundo e fico muito feliz que nasça agora em São Tomé uma a “Gleba Cultura” que em muito irá contribuir para se criar não só aqui mas pelo mundo uma nova consciência. A arte tem essa capacidade de nos ajudar a quebrar barreiras, preconceitos e de nos levar a reflectir sobre o mundo em que vivemos, criando uma consciência maior do que de melhor podemos ser.

Este é o caminho em que acredito, um caminho de reflexão, de colaboração entre pessoas de realidade diferentes mas que simultaneamente têm uma consciência comum, um caminho em que todos aprendemos uns com os outros. Sinto que aqui, neste evento, que assistimos o nascer de um novo futuro de partilha e colaboração entre São Tomé, Angola e Portugal. Aguardo com grande expectativa o início da III Trienal de Luanda, e de todo este percurso que se avizinha”. (ja.co)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA