EUA decidem vender petróleo da reserva de emergência para investir em medicamentos

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Desde que a reserva foi criada nos anos 70, só foi usada três vezes. Os Estados Unidos estão a tentar colmatar uma grande queda na produção de medicamentos.

Os Estados Unidos decidiram vender parte da sua reserva de petróleo de emergência para financiar uma nova lei que vai acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos. A reserva, que foi criada após a crise de 1973, muito raramente foi utilizada desde então.

A lei, aprovada no dia 10 de julho juntamente com a decisão de a financiar a partir da reserva de petróleo de emergência, prevê a criação de um fundo que vai servir tanto para estimular os projetos de investigação para novos tratamentos e medicamentos como para estimular, junto da administração responsável, processos mais rápidos para aprovação de nova medicação.

De acordo com a Quartz, a lei foi aprovada pela Câmara dos Representantes, mas precisa também de ser aprovada pelo Senado. Após essa aprovação, a reserva de petróleo de emergência, que contém cerca de 45 mil milhões de dólares em crude (cerca de 40 mil milhões de euros), vai ser usada para criar uma reserva de mais de 8 mil milhões para fomentar a indústria farmacêutica dos EUA.

A indústria farmacêutica dos Estados Unidos encontra-se em crise, havendo menos medicamentos aprovados relativamente ao dinheiro gasto em Investigação e Desenvolvimento (I&D), comparativamente com anos anteriores. Alguns peritos em medicamentos apontam, porém, que acelerar o processo de aprovação dos medicamentos pode não resultar em tratamentos mais eficientes.

“Só porque uma droga encolhe um tumor, não quer dizer que aumente as probabilidades de sobrevivência”, escreveu na revista científica New England Journal of Medicine o antigo investigador John LaMattina. “Inevitavelmente, os doentes vão ser expostos a medicamentos que, após uso a longo prazo, vão ter efeitos secundários graves que não tinham sido previstos”.

Desde a sua criação, a reserva de emergência, conhecia como Reserva Estratégica de Petróleo, só foi usada três vezes, uma vez durante a Guerra do Golfo, em 1991, uma vez em 2005, após o furacão Katrina, e uma vez em 2011, durante a Primavera Árabe.

A nova lei aprovada pela Câmara dos Representantes prevê alterações na forma como os medicamentos são aprovados. Habitualmente, a associação que controla a aprovação de medicamentos demora cerca de seis a dez meses com cada processo, algo que já é considerado rápido. Com a nova lei, conhecida como Ato das Curas do Século XXI, a aprovação de medicamentos seria feita através do uso de indicações baseadas no tamanho de tumores ou nos resultados de análises, sem ser necessária a realização de testes clínicos completos. (dn.pt)

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