Empreendedorismo – Silvestre Tulumba: “Vamos incentivar o programa agro-pecuário”

Silvestre Tulumba, empreendedor angolano. (Foto: D.R.)
Silvestre Tulumba, empreendedor angolano. (Foto: D.R.)
Silvestre Tulumba, empreendedor angolano.
(Foto: D.R.)

Investimentos do grupo definem como prioridade do projecto o incentivo à promoção de riqueza e a criação de condições que ofereçam melhores condições de vida às populações da comuna do Waba.

incentivo à produção de riqueza e de melhores condições de vida das populações é a essência do projecto agro-pecuário aberto na comuna do Waba. Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o presidente do Conselho de Administração do grupo Silvestre Tulumba Investimentos disse que é prioridade do projecto o incentivo à promoção de riqueza e de melhores condições de vida das populações.

De que forma pensa executar o ambicioso projecto do grupo Tulumba?

É prioridade deste projecto o incentivo à promoção de riqueza e de melhores condições de vida para as populações, porque se pretende com isso fomentar o desenvolvimento de práticas agrícolas e pecuária da população residente. O desenvolvimento desta prática vai ser estimulado através da distribuição controlada de sementes, de gado de leite, de apoio técnico, de prestação de serviços mecanizados aos agricultores locais e, posteriormente, através de cooperativas, fornecer os seus produtos à fazenda Vales Silvestre.

Há condições climatéricas que podem fazer com que o projecto seja frutuoso a todos os níveis?

Como é do conhecimento de todos, Angola é uma nação rica em recursos naturais, entre os quais uma terra fértil e com elevado potencial para a produção agro-pecuária. A província da Huíla é considerada desde há muitos anos como sendo uma zona de excelência para esta prática. Vamos aliar o potencial e a capacidade técnica para produzir excedentes para alimentar o mercado de consumo.

Quais foram as dificuldades encontradas na elaboração deste projecto bastante ambicioso?

Em primeiro lugar, quero dizer que este é um projecto que no seu geral vai dinamizar a economia da província da Huíla e contribuir positivamente para a economia das famílias. Durante o período de concepção, houve de facto dificuldades. É sabido que hoje o dinheiro não é barato e para a implementação deste projecto tivemos que recorrer a financiamento com taxas aceitáveis e negociáveis, de forma que houvesse rentabilidade no espaço em que foi estabelecido. Trabalhamos com o Banco de Desenvolvimento Angola (BDA). É verdade que o projecto foi criado antes da crise financeira que se vive actualmente e que resulta da baixa do preço do petróleo. Tivemos algumas dificuldades na obtenção do espaço, facto este conseguido com a participação do governo provincial e do Ministério da Agricultura. Com o título da terra, recorremos aos bancos para obter 80 por cento do financiamento do projecto.

As taxas são aceitáveis?

É obvio que as taxas hoje negociadas não são das melhores e estamos a trabalhar com o Executivo, através do apoio semelhante do Angola Invest, para que exista uma bonificação em termos de concepção de financiamento. Há uma discussão de empresários de várias cooperativas para que haja gasóleo agrícola. No nosso caso concreto, estamos numa região em que não há energia. Estamos a falar de uma agricultura e de indústria transformadora, onde temos que recorrer à energia e, com os preços actuais de combustível, haverá um encarecimento no produto final. O histórico do Waba diz haver uma terra muito fértil. Já foi cultivado na região trigo, milho e hortícolas entre outros. Também já houve cadeias de leite. Queremos voltar a desenvolver os mesmos produtos que eram produzidos nesta região. Solicitamos ao Estado e elaboramos vários documentos, para que a produção local seja diversa e em grande escala.

Pensam produzir para fornecer outras regiões do território nacional?

Existe uma política do Executivo e da SADC, na qual Angola faz parte. Acompanhamos a última reunião da organização regional realizada no Zimbabwe. Constatou-se que existem países desenvolvidos na área da agro-pecuária, como é o caso da África do Sul. Temos que estar preparados e estruturados para que haja preços competitivos. Se não tivermos preços competitivos podemos ser engolidos pelos países que virão com força no nosso território. Nesse sentido, há trabalhos a serem desenvolvidos para que haja comércio livre a nível da região austral. Com isso, o nosso Executivo tem que apoiar iniciativas estruturadas e que possam dar competência e competitividade aos locais ante aos grandes produtores da região. Vamos apostar num produto de qualidade, porque queremos também estar inseridos no mercado regional.

O projecto permite integrar as populações que vivem ao longo do perímetro?

Primeiro quero dizer que o projecto vai ser implementado inicialmente numa área de 13 mil hectares e as pessoas que estão na evolvente da área vão ser inseridas no projecto. Com base no projecto, vai-se criar uma cooperativa. As famílias que estão ao longo do perímetro que envolve a região da comuna do Waba vão ser apoiadas. Vai-se dar oportunidade às pessoas de obterem sementes melhoradas e de incrementar a qualidade e produção de gado. Ainda está prevista a distribuição de gado. Reconhecemos que o ganho envolve custos, mas está no projecto.

Mediante a promoção do projecto, quantas toneladas serão produzidas e colhidas anualmente?

No quadro da produção agrícola, a perspectiva é cultivar mais de 2 mil hectares de regadio em pivots e mil hectares de sequeiro que irão disponibilizar 30 mil toneladas de silagem de milho, 20 de milho de grão, 5.200 de soja e 8.400 de feno e palha. O projecto está inserido no programa de incentivo à produção nacional para reduzir as importações.

A produção é destinada apenas a abastecer a população local?

Os bens produzidos irão, em parte, abastecer a unidade de secagem, a fábrica de alimentos compostos para animais e serão ainda vendidos ao exterior. Inicialmente, vamos começar com 2 mil cabeças de gado bovino e 720 porcas em produção, que resultará na produção de cerca de 1.8 milhões de quilogramas de carne de porco. A acção vai permitir ainda a criação de uma vacaria para produção de leite e engorda de novilhos. A vacaria vai ter 220 vacas em produção, que irão produzir cerca de 20 milhões de litros de leite/ano. Além da produção de leite, a vacaria terá uma unidade de engorda e comercializará novilhos e animais de refúgio. É verdade que nós, quando concebemos esse projecto, tivemos a felicidade de visitar os maiores produtores do mundo, tais como Estados Unidos da América, Brasil e fomos ver também e colher experiências da África do Sul. Visitámos seis países de África e compreendemos como é que o Zimbabwe, África do Sul e a Namíbia, só para citar estes, produzem o gado de corte. Queremos formar quadros nacionais para uma produção cada vez mais efectiva.

Tendo em conta o potencial da província, já se pensa também em estender o projecto a outros municípios?

Num estudo feito pelos consultores, estávamos a ver que para Angola ter mais ou menos 40 por cento do consumo da produção nacional terá que haver mais de 100 projectos agro-pecuários fortes e semelhantes ao que foi lançado no município da Caconda numa primeira fase. O ganho iria permitir dar emprego directo a 40 mil pessoas. Tem que haver produtos, incentivos reais e próprios, porque só assim muitos grupos vão estar em condições de implementar projectos valiosos. Os projectos motivam os jovens a regressar às suas zonas de origem e a aliarem-se à grande produção.

Há pessoas a serem realojadas ao longo do pólo?

A princípio, nos 13 mil hectares de implantação não se vai retirar pessoas. Estamos a realizar um estudo para que a sua inserção e implantação seja efectiva. Existe ao longo do pólo, uma zona de expansão com mais de 30 mil hectares inabitáveis. Por isso, as famílias vão ser apenas reintegradas no projecto. Sei que no Waba há mais dois projectos, que não cabe a mim fazer referência. Para o caso da “fazenda Vales Silvestre”, essas famílias vão ser integradas na cooperativa e serão a força de trabalho, na produção de milho, gado e hortícolas, entre outras.

Quais são outras áreas a serem criadas para que o programa seja desenvolvido com efectividade?

Gostaria de dizer que o projecto abarca a criação de uma unidade de secagem e armazenamento de cereais. Vão ser secas e armazenadas 30 mil toneladas de milho de grão, das quais 20 mil serão produzidas na unidade de produção agrícola e 10 mil vão ser adquiridas aos agricultores locais, a quem será prestado um serviço de fomento, com prestação de serviços mecanizados, apoio técnico e posteriormente compra do milho para secagem nesta unidade de consumo. Estamos ainda a trabalhar com o governo provincial da Huíla e a administração municipal, no intuito de proporcionar melhores mecanismos às populações.

Por ser filho da província da Huíla e aimplementar um projecto do género que visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população, sente-se orgulhoso?

Sem dúvida. Sinto-me orgulhoso. Cada um de nós deve fazer a sua parte e dar o seu exemplo. Sinto-me orgulhoso em implementar projectos na minha província. Crescemos e os mais velhos dizem sempre que a Huíla é uma província celeiro, mas ainda estamos muito atrás de Malange e do Cuanza Sul. Visitei esta última província e pude observar projectos brilhantes na agricultura, na criação de gado e outros. Ao criar condições na Huíla para projectos semelhantes, o contributo ao programa de combate à fome e à pobreza vai ser cada vez mais efectivo.

O estudo feito do projecto também abrange o corredor de escoamento da produção na região Norte da província?

Recolheram-se dados dos anos 80, quando havia um grémio de milho na Matala. O projecto abrange a instalação de uma moagem que vai permitir absorver a produção também da população dos municípios de Caluquembe, Chicomba e Matala. Vamos também vender sementes. Não temos ainda uma média de valores que são gastos na compra de farinha de milho. Já não podemos gastar divisas para comprar farinha de milho ou carne de vaca. Há muitas condições para produzir localmente. Tem que se implementar apenas medidas práticas e suficientes para se arrancar com a plena produção de milho.

Sente que já há necessidade de criar-se um pólo industrial na Huíla?

O universo de empresas que compõem o grupo Silvestre Tulumba Investimentos e Participações tem como modesto contributo projectos de vitória na afirmação nacional. Neste contexto, o grupo já tem um projecto de implementar um pólo de desenvolvimento industrial na Huíla. Vamos desenvolver nos próximos tempos o primeiro pólo de desenvolvimento industrial no Sul de Angola. Andamos e fomos buscar dinheiro barato para a implementação de unidades fabris. Conseguimos ter tecnologias alemã, italiana e francesa. Trabalhamos no programa da implementação da fábrica de bebidas e trabalhamos com a Alemanha, na implantação de produtos agrícolas. É obvio que estamos num atraso, em termos de calendário de seis meses. Não é segredo. A concorrência existe e também pode haver pessoas de má fé. Felizmente, conseguimos desenhar o projecto. Ir buscar financiamento à Alemanha a custos baixos. A única dificuldade que há nesta altura prende-se com a compra de divisas para complementar o pagamento aos fabricantes dos equipamentos. Temos até finais do mês de Julho a missão de fazer o pagamento dos 20 por cento. Temos o dinheiro em kwanzas, mas há dificuldades nos pagamentos ao exterior. Solicitamos ao actual governador do Banco Nacional de Angola, que nos recebeu muito bem, e pensamos que dentro de dias se vai efectivar a venda de divisas para se complementar o pagamento das fábricas a serem instaladas numa zona nobre do município do Lubango.

Quais são as fábricas a serem criadas de imediato com a implementação do parque industrial?

Estamos a projectar a implementação de uma nova cervejeira, de refrigerante, produção de leite e moageira com uma capacidade maior. O projecto abarca ainda a hipótese de implementar-se um matador. É obvio que são essas situações que se devem anotar. Fomos buscar os apoios, mas precisamos de um pequeno empurrãop do nosso Executivo.

Sente existir um certo desconhecimento do que se faz nas regiões do interior?

É preciso que os governantes visitem os projectos dos empresários, porque há muita coisa boa ou iniciativas pertinentes. Afinal, somos o segundo grupo económico da Huíla. O grupo Silvestre Tulumba Investimentos é a segunda empresa com mais funcionários em Angola. Não vivemos sem dificuldades, mas estou com a consciência bem assente porque o objectivo é contribuir para o desenvolvimento do país e da província da Huíla, em particular. O projecto agro-industrial, só no Lubango, tem o objectivo tem de empregar mais de 2 mil pessoas.

Quando é que o projecto começa a ser implementado efectivamente?

A única preocupação que se vive é a falta de divisas. Se o Banco Nacional ajudar-me a comprar divisas, daqui a mais 60 dias, vamos convidar os ministros da Indústria, da Agricultura e do Comércio, assim como o embaixador da Alemanha em Angola e o Departamento de Negócios da Alemanha para virem à Huíla, a fim de assistirem ao progresso já conseguido nesse projecto.

Quanto é que o grupo vai gastar para a implementação do parque industrial?

Cerca de 350 milhões de dólares (cerca de 42,8 mil milhões de kwanzas) é o valor que o grupo Silvestre Tulumba vai gastar na implementação do parque industrial da Huíla que vai ser instalado numa área de 4,5 hectares. Já começámos a instalar as infra-estruturas e o processo decorre sem sobressaltos.

Sente existir união entre os empresários de outras províncias?

Acho que a união devia ser melhor. Eu tenho apenas 34 anos de idade e às vezes encontro dificuldades. Os empresários precisam, realmente, de muito mais união.

O que é necessário para mudar tal cenário?

Temos que criar cooperativas sérias e, igualmente, com pessoas sérias. Não precisamos de encontrar pessoas com intrigas. Os empresários devem também se encontrar em ambientes de trabalho e não só de festas. É preciso criar ambientes para criar estratégias comuns. Ao efectuar grandes contratos com grandes produtores, a negociação pode ser feita em grande escala e a preços competitivos. Se cada um for fazer a sua negociação, pode-se tornar mais caro o resultado final.

Quais são os outros projectos em curso?

O nosso objectivo é fazer com que seja criada a primeira grande cooperativa da agricultura na Huíla. Já falámos com o governador provincial da Huíla e a mesma intenção foi, felizmente, solicitada ao Presidente da Republica, José Eduardo dos Santos. (jornaldeeconomia.ao)

Por: Arão Martins

3 COMENTÁRIOS

  1. Estou muito satisfeito com este projeito porque deverá desenvolver vários investimentos oferecer emprego aos jovéms e compater com a pobreza,com tudo apelo um bom desembenho e velar p/ um bom futuro

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