Drama das escravas modernas comove prefeitos reunidos no Vaticano

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, durante o Comitê de prefeitos sobre 'Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas', no Vaticano, no dia 21 de julho de 2015 (Foto de Gabriel Bouys/AFP)
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, durante o Comitê de prefeitos sobre 'Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas', no Vaticano, no dia 21 de julho de 2015 (Foto de Gabriel Bouys/AFP)
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, durante o Comitê de prefeitos sobre ‘Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas’, no Vaticano, no dia 21 de julho de 2015 (Foto de Gabriel Bouys/AFP)

A dor de duas jovens mexicanas, exploradas sexualmente e forçadas a trabalhar, comoveu nesta terça-feira os mais de 60 prefeitos de todo o mundo reunidos no Vaticano para lutar contra as formas de escravidão moderna e o aquecimento global.

Os testemunhos de Karla Jacinto e Ana Laura Pérez, abriram o encontro convocado pelo papa Francisco no Vaticano para lutar contra o aquecimento global e o tráfico de seres humanos, duas tragédias que afectam todos os países, segundo o pontífice.

“Dos 12 aos 17 anos mantive 42.000 relações sexuais” contou Jacinto, após narrar uma infância infeliz, dominada pelos abusos físicos e sexuais dentro da própria família.

“Um anjo na terra foi quem me salvou”, afirmou Karla, ao mencionar um cliente que a ajudou a romper o círculo de exploração no qual estava inserida, aos mais de 300 participantes da conferência organizada na Aula Nova do Sínodo pela Academia de Ciências Sociais da Santa Sé.

Uma folha em branco tornou-se o emblema de uma nova vida, da batalha contra estas formas de escravidão, um fenómeno combatido pelo papa argentino quando ainda era padre e que tornou-se uma prioridade desde que Jorge Mario Bergoglio chegou ao trono de Pedro em 2013.

“Eu os convido a escrevermos uma nova vida, uma folha em branco. Não é possível que essa escravidão continue existindo no século 21, não é possível que todos estejamos cegos diante desta escravidão”, pediu Pérez.

“Eu passava fome, mastigava plástico, não me davam o que beber, tinha que tomar a água que usavam para lavar roupa”, relatou Laura, que se sentia frágil, impotente, incapaz de fugir e viver livremente.

“Quando decidi fugir, estava morta em vida”, relembrou, comovida, a jovem de 23 anos, obrigada por cinco anos a passar roupa por 20 horas e dormir em pé.

Diante do chamado destas escravas modernas, cujos gritos continuam sendo abafados em muitos lugares do mundo, a Igreja Católica decidiu mobilizar-se.

Por isso, o Vaticano convidou 65 prefeitos de todo o mundo, entre eles os de grandes cidades da América Latina, como Rio de Janeiro, São Paulo, Cidade do México e Bogotá, assim como os mandatários de Paris, Madrid, Nova York, Boston, San Francisco, Roma, Milão, Nápoles, Oslo, Estocolmo, Teerão, Argel, Abidjan, Acra, Libreville, Lubumbashi e Joanesburgo.

“O papa Francisco é um exemplo”, confessou a prefeita recém-eleita de Madrid, Manuela Carmena, que assim como o papa está convencida de que o primeiro passo para modificar as condutas é dar exemplo.

“Esta é uma sociedade que não educou sua sexualidade”, reflectiu a prefeita.

“A cidade contemporânea foi sufocada pela privatização do espaço público, pelo individualismo, pelo consumismo. Esse processo tem um impacto muito forte no equilíbrio do meio ambiente e do ambiente socioeconómico”, resumiu o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A jornada se concluirá com a intervenção do papa. Ao final do encontro, os prefeitos deverão assinar um documento final em que se comprometem a tomar medidas específicas para lutar contra as novas formas de escravidão moderna. (afp.com)

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