Diversificação da economia

RUI MALAQUIAS Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)
RUI MALAQUIAS Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)
RUI MALAQUIAS
Economista e Docente universitário
(Foto: D.R.)

Dentro da urgência do processo de necessidade crescente de diversificação da economia nacional, somos a elaborar um ensaio rústico sobre o caminho para se diversificar de forma que pensamos ser eficiente e possível para as condições actuais. Sendo assim, pensamos que a diversificação deve ter como base a economia real e assentar sobre dois meios de produção, o trabalho (capacitação e independência dos quadros nacionais) e o capital (que deverá ser importado em primeira instância).

A questão da economia real deverá sempre ser abordada com uma visão e sustentabilidade constante, pois intervir isoladamente em “certos” sectores estaria a abrir espaços para a ineficiência e um encurtar da vida útil dos projectos. Devem ser identificados um conjunto de sectores típicos e ajustados à nossa realidade territorial, financeira e em consonância com a capacidade de resposta da mão-de-obra nacional.

Sobre estes sectores devem ser feitos estudos e elaborados projectos que congreguem os académicos e especialistas nas áreas em questão. Contudo, estes projectos não devem ter apenas como alvo os sectores em separado, mas sim a cadeia produtiva que os compõe (daqui para frente referenciada como cadeia real). Os investimentos em economia real devem ser feitos a montante e a jusante cadeia para que não haja interrupção no fornecimento de matéria-prima ou roturas no produto.

Devem ainda ser feitos investimentos a nível humano, mas justamente num cariz diferente do que tem sido feito. Devemos procurar capacitar os nossos recursos humanos para a vertente técnica ao invés da teórica como se tem feito, apostar na formação profissional dos operacionais, primeiramente em todas as tarefas da cadeia real para que esta se mantenha, renove e se modernize constantemente. Passaremos assim a apontar alguns pontos de partida que pensamos ser decisivos para o futuro da economia real.

Primeiro: Identificar dentre os sectores da economia real (agricultura, pesca e comércio) projectos completos – implica produção, conservação e distribuição – que sejam os menos intensivos em capital possível, privilegiando os projectos intensivos em mão-de-obra, já implantados no mercado e com experiência de gestão local (prestando o devido auxílio em termos de “know how”); – aqui o objectivo seria criar e manter maior número de empregos possíveis.

Segundo: Ajudar na desmaterialização de investimentos do estrangeiro para o país, preferencialmente os projectos intensivos em capital, integrando sempre a montagem/ produção, manutenção e prestação de outros serviços ligados à motorização da maquinaria, não abrindo mão da componente de transferência do conhecimento para os nacionais; – aqui o objectivo seria trazer o capital fixo com a devida assistência e transferência do saber fazer e saber usar.

Terceiro: Atrair para Angola os investimentos a montante e jusante da cadeia real produtiva dos sectores agrícola, piscatório e industrial, promovendo, assim, a sustentabilidade daqueles investimentos, gerando mão-de- -obra, postos de trabalho que devem acolher os técnicos e licenciados sem enquadramento no momento; – o objectivo é potenciar os negócios que já existem em sectores chave modernizando-os e assim tornando-os mais competitivos.

Quarto: Investir em projectos que forneçam “know how” apenas para áreas técnicas (para suprir a importação de quadros expatriados), em termos de mecânica e maquinaria, técnicas de produção agrícola e piscatória, bem como as mais variadas áreas técnicas, conferindo assim a componente prática que falta aos nossos quadros, que deverão pôr a funcionar a engrenagem à cadeia produtiva identificada no ponto primeiro; – continuação do processo de capacitação dos quadros nacionais e reduzir a importação de mão-de-obra estrangeira. (jornaldeeconomia.ao)

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