Deve-se passar a cultura da preservação do meio ambiente – Embaixador de Angola no Quénia

Embaixador de Angola no Quénia, defende preservação do meio ambiente (Foto: Geraldo Quiala)

Nairobi – O embaixador de Angola na República do Quénia, Virgílio Marques de Faria, defende em entrevista à Angop que a juventude deve respeitar os símbolos da República e ajudar no desenvolvimento do país, tendo sublinhado a necessidade de se preservar o meio ambiente e convidados os empresários angolanos a investir no Quénia.

Embaixador de Angola no Quénia, defende preservação do meio ambiente (Foto: Geraldo Quiala)
Embaixador de Angola no Quénia, defende preservação do meio ambiente (Foto: Geraldo Quiala)

ANGOP: Hoje a casa dos angolanos em Nairobi está em condições para receber e atender todos?

Virgílio Marques de Faria (VMF) – Nós, em termos de embaixada, estamos minimamente, não a 100%, preparados para desenvolver qualquer actividade relacionada com o nosso país, quer com o Governo do Quénia, quer com as Nações Unidas.

ANGOP: A Embaixada de Angola está a 10 kms do centro de Nairobi, numa zona onde estão dezenas de outras representações diplomáticas. A escolha do local teve em conta isso?

VMF – Quase todas as embaixadas estão localizadas exactamente na mesma zona. As primeiras que existiram em Nairobi estavam localizadas no centro da cidade, porque as Nações Unidas também estavam no centro da cidade. As Nações Unidas movimentaram para aqui e todas as reuniões que temos tido a esse nível são feitas nesta região de Red Hill Road – Gigiri. Daí que estão para cima de 100 embaixadas nesta área e nós não poderíamos ficar no centro da cidade em prédios, até porque ficaríamos mal. Aqui temos espaço suficiente para trabalhar e atender as solicitações dos angolanos e outros interessados em nossos serviços.

ANGOP: Como está a cooperação no domínio dos transportes aéreos?

VMF – Esta parceria está num bom caminho, porque a Kenya Airways está com três frequências para Angola. Quer dizer que há um grande incremento a nível comercial, económico. Angola precisa efectivamente começar também com as suas frequências, por ser uma linha muito rentável. Está sempre cheia. A Kenya Airways está sempre cheia em todos os voos. E já fez saber que quer colocar na rota aviões de maior porte, nomeadamente o maior Boeing (747-800), que não está a ser utilizado em nenhuma linha e pretende utilizar para Angola para servir maior número de passageiros. Portanto, para nós seria rentável que a nossa companhia de bandeira colocasse os Boeing 777 da TAAG aqui.

ANGOP: E o que falta para isso que aconteça?

VMF – Já falei com o senhor ministro dos Transportes e disse que estava em estudo a utilização dos 777 da TAAG para esta linha, mas aguarda apenas a chegada de outros aviões ainda este ano. A TAAG também poderá entrar com três frequências.

ANGOP: E sobre o memorando de entendimento no sector do turismo e hotelaria?

VMF – Todos os contactos foram feitos pelo ministro da Hotelaria e Turismo. Dizia-se que há necessidade de envio de angolanos para fazer cursos de gestão e hospitalidade (cursos para hotelaria, servidores de mesa, cozinheiros, electricistas, etc). Nesses países, geralmente, são com pessoas com formação média que tiram esses cursos e outros de formação superior. De modo que é aí onde o Ministério da Hotelaria está interessado em investir. E a Embaixada está a fazer contactos para que haja um encontro entre o nosso ministro da Hotelaria e Turismo e o do Quénia para que se assine um acordo nesse sentido.

ANGOP: Ao nível da Educação, o que existe entre os dois estados?

VMF – Aqui não há nada entre os dois. Para ser realista, não existe ainda nada nesse sector. Não existe acordos neste âmbito, embora reafirme que o Quénia é um país muito desenvolvido na área da educação. Aliás, grande parte dos técnicos, engenheiros, das grandes empresas em Angola está a contratar quadros formados no Quénia. É porque a universidade aqui é muito boa e forte. Seria bom sensibilizar os nossos governantes, nomeadamente os ministérios da Educação e do Ensino Superior, a fazer acordos com entidades deste país, porque teríamos muito a ganhar. São professores já com muitos anos de experiência, são quadros de carreira com competências comprovadas.

ANGOP: Existe uma comissão mista de cooperação. Qual o seu principal papel?

VMF – Ainda não estamos no estágio em que gostaríamos estar. Assinamos 3 acordos em 2014, nomeadamente cooperação científica, educacional, cooperação económica, e mais um memorando de entendimento para consultas entre os dois países e simultaneamente para os encontros bilaterais da comissão mista. Julgo que em a partir de 2016 já começaremos a ter mais resultados desta comissão mista.

ANGOP: Desde a abertura da embaixada de Angola, como avalia o interesse dos quenianos sobre o país?

VMF – Temos estado a trabalhar muito nesse sector, com alguns quenianos que andam no mundo dos negócios. São indivíduos com muito dinheiro e que gostariam investir em Angola. Mas ainda não passou do interesse, pois eles falam e nós vamos dando as leis do investimento estrangeiro. Também no domínio das minas estamos a passar alguma documentação. Sei que está tudo em bom caminho e vamos aguardar pelos próximos passos. Se tudo der certo, ainda este ano teremos alguns investidores quenianos em Angola.

ANGOP: Quais são as áreas de maior interesse?

VMF – Têm muito interesse na área de construção civil. Querem construir casas de alto rendimento, não querem entrar em construção de apartamentos ou residências pequenas. Querem construir grandes vivendas, como há aqui em Nairobi, com um ou dois hectares. São casas com 8 ou 10 quartos, com piscina, espaços verdes para golfe. É desse tipo de casas que querem construir em Angola para vender às pessoas com poder económico forte. O Quénia domina muito a área de turismo e é muito forte. Conserva muito bem a fauna e flora. Os turistas adoram isso e o país ganha bastante com esse sector. Ninguém quer ver casas ou prédios, para o turismo o que se quer é ver o extraordinário. Querem investir no campo e menos nas cidades, porque sabem que na cidade não há hipóteses. Temos 3 pólos que poderão ser explorados e chamam muita atenção. Trata-se das Quedas de Kalandula, floresta de Maiombe (eles acham que a manutenção de gorilas pode atrair turistas e dar receitas) e o de Okavango, além de outras. Há também um grupo de interesses na agro-indústria, porque sabe que Angola possui potencial nessa área. Querem incentivar os locais a produzirem e eles transportarem para a industrialização e depois exportar. São sectores que vão interessar muito quer Angola quer o Quénia. Temos segurança e paz, factos que garantem a estabilidade de qualquer negócio. Em Angola se pode viajar de noite ou tarde, depende de cada um. Não há riscos para nada. Os incentivos para investimento estrangeiro também facilitam para que haja acordos em diversos domínios.

ANGOP: Em relação à pacificação da Região dos Grandes Lagos, presidida por Angola…

VMF – A estrutura que foi criada com os Grandes Lagos deu oportunidade a que cada área dirima um dos problemas. O Quénia está a tentar resolver o problema com a Etiópia, a questão do Sudão do Sul; Angola está a tentar resolver o problema da RDC e da RCA; então quando há essas reuniões ministeriais e reuniões-cimeira aí cada um apresenta as suas dificuldades e outros problemas encontrados.

ANGOP: Nairobi é uma cidade floresta, com muitas zonas verdes. O que se pode aproveitar da cultura queniana para transformar as cidades angolanas, principalmente Luanda?

VMF – É uma questão de educação. É preciso que os professores, as famílias olhem a questão com seriedade. É preciso explicar às crianças a importância de uma árvore, é necessário educar aqueles que derrubam as árvores para outros fins. Deve-se passar a cultura da preservação do meio ambiente. Quando realizamos esse programa ao nível de escolas, tudo muda. As famílias devem mudar de atitude para que no futuro possamos respirar melhor e viver com mais saúde. Repara que, embora haja muitos carros aqui, em Nairobi, se respira bem, tendo em conta o arvoredo que tem. Os fumos emitidos pelos carros são rapidamente desfeitos pela presença de árvores. Se for obrigatória a existência de locais, onde o Estado reserva as árvores, tudo poderá se realizar, porque há orientação ao nível mundial que estipula que pelo menos em cada construção feita tem de se reservar 20% do espaço para questões ambientais. Se construir uma casa numa área de 2000 kms quadrados, têm de ser reservados 20% para a plantação de árvores, e se não for é multado. Quem não cumprir com essas obrigações é multado. E se não quiser pagar, vai pagar no tribunal. Esta é uma das questões fundamentais. Não é crítica, mas é uma forma de ajudar para prevenir outros males no futuro. Para se ter uma ideia, só dentro da cidade de Nairobi tem 14 campos de golfe. Todos relvados, sem falar dos parques existentes e zonas verdes de lazer. Enquanto nós temos apenas um na Barra do Kwanza e bem distante da cidade de Luanda. É um acompanhamento que o Ministério do Ambiente deve ter.

ANGOP: Depois de se ter falado do investimento queniano em Angola, pode-se reflectir sobre o mesmo assunto, mas em sentido inverso. Quais seriam as áreas para o empresariado angolano interessado em investir no Quénia?

VMF – Uma das áreas que seria muito bem explorada por angolanos é a construção, porque o Quénia neste momento está a se desenvolver com a construção de grandes prédios. Nós já temos alguma experiência nesse sector, temos algumas companhias que podem operar aqui. A construção aqui é pouco cara, como no centro da cidade. Mas fora do centro já não. Outra área seria interessante, mas não falo de hotelaria porque só de hotéis de cinco estrelas eles têm 40 na cidade de Nairobi. Qual deles o melhor e mais bonito? Aqui neste sector não vale a pena, porque os quenianos estão melhores. Mas podemos investir na indústria de flores, porque eles exportam muitas flores para África e Europa, e ganham muito dinheiro com isso. Também podemos entrar na agro-indústria, e agora também no petróleo, porque descobriram a existência do crude, e com base na experiência da Sonangol seria útil e proveitoso. Portanto, tornar-se sócia do governo queniano na exploração petrolífera, até porque temos muitos quadros formados. Temos também a nossa frota aérea, que poderia muito bem explorar este mercado. A outra área que aqui não é explorada, mas que em Angola é comum, é a restauração. O Quénia tem pessoal para trabalhar na restauração, mas não tem restaurantes. Os que existem estão dentro dos hotéis. Não há restaurantes com esplanadas como temos em Angola. Indústria do cimento também teria espaço importante aqui, embora tenha seis empresas do sector. Ainda assim importa cimento. Podemos entrar na refinaria dos combustíveis. Mercado de frutas e também podemos aproveitar com o envio de técnicos desportivos, porque aqui há infra-estruturas, mas faltam quadros para preencher esse vazio. Aliás, os quenianos no campo desportivo estão a seguir os caminhos de Angola, com aposta nos escalões de formação.

ANGOP: A Embaixada de Angola possui boas instalações e enorme espaço para outros gabinetes. Para quando a abertura do Consulado aqui em Nairobi?

VMF – As instalações são óptimas para isso. Já estamos praticamente a funcionar com o Consulado, mesmo aqui no outro lado do edifício. Com uma denominação ainda diferente. Chamamos Secção de Vistos, mas vai evoluir para Consulado. Só que, registos civis (notariado e outros, como casamento e registos de nascimento), a população angolana aqui ainda é muito pequena. É uma população estimada em 70 pessoas, e a maior parte é estudante. Está a estudar aqui em diversas universidades, com maior proeminência para pessoas oriundas da província de Cabinda. Temos poucos de outras províncias, como Luanda e outras. É fácil organizá-los e faremos isso em breve.

ANGOP: Considera este o momento ideal para abertura da Embaixada de Angola no Quénia, já que formalmente aconteceu em Dezembro de 2014 e só funciona desde Janeiro último?

VMF – O problema foi a decisão tomada ao nível da política externa do nosso país. Nos interesses que tínhamos naquele momento, temos de voltar para trás e falar do período de guerra que tivemos. Esse período de guerra levou-nos a vermos quais os interesses que tínhamos em África, quais os países que nos interessavam, e foi com base nisso que nós abrimos algumas embaixadas. A nossa política externa baseou-se mais nas Nações Unidas, que eram de facto o interesse maior, por causa das negociações para a paz. Conseguimos chegar a bom porto e acabar com a guerra. Estamos há 13 anos de paz, sob liderança do Presidente José Eduardo dos Santos, conseguimos aumentar o número e o nível da nossa diplomacia, porque ela começou com pessoas que nem formação tinham, incluindo eu. Tínhamos formação (9ª classe, 10ª classe, por aí) quando entramos como diplomatas, e fomos obrigados a estudar. Todos fomos para universidades, fizemos cursos e hoje colocamos em prática a experiência acumulada ao longo dos anos. É nessa base que fomos crescendo. E o Presidente achou por bem alargar o espaço. E o Quénia estava na visão das Relações Exteriores, e mesmo da Presidência da República, só que não tínhamos ainda encontrado o denominador comum para podermos avançar, com abertura de mais embaixadas. E a abertura de uma embaixada acarreta muitos sacrifícios e dinheiro, porque é necessário pensar bem quando se abre uma embaixada. Veja que nós apresentamos as cartas credenciais em 3 de Dezembro de 2014, chegamos aqui em Novembro, mas praticamente só este mês (Julho) é que começamos a funcionar. Isto quer dizer que nós, em vez de estarmos muito mais ligados à política interna e outros, estamos virados para criar condições de trabalho. Reparar as modificações e transformações das instalações, compra de material de escritório. Em face da condição financeira apertada que se vive no país, ainda não podemos exigir muito. Temos de compreender e fazer sacrifícios.

ANGOP: Como entra e com que idade para a política?

VMF – Entrei desde jovem. Aos 15 anos para a vida política, nas células do MPLA, no liceu Salvador Correia, onde estudei. Criamos células naquela época, 1961. Pessoas como Hermínio Escórcio, Liceu Vieira Dias, Agostinho Mendes de Carvalho, e outros, começamos nessa altura. Muitos colegas fugiram de barco, por terra, para norte e sul. A um dado momento também fugi para Portugal, depois segui para França, com o grupo que era liderado por Vasconcelos, isto em Lisboa. Ele fazia a ligação entre o grupo de Lisboa e o de Brazzaville, e também Argel e Paris, onde vivia Mário Pinto de Andrade. Foi através deles que também consegui fugir, isto em 1969. Juntei-me com Leal Monteiro e outros. Fomos parar em Argel. Da Argélia fomos para Brazzaville, onde estivemos com o Presidente Agostinho Neto e também com o Presidente José Eduardo dos Santos. É aqui onde conheci o Presidente dos Santos, na segunda região (de Cabinda). Já era uma pessoa de respeito, eloquente e responsável. Depois fui para a Zâmbia, na terceira região, onde fiquei comandante da guerrilha. Desloquei-me para URSS fazer cursos. O comandante Iko Carreira fez-me convite mais tarde para entrar para as relações exteriores. Disse-lhe que estava interessado. Entrei nos quadros do Ministério das Relações praticamente em 1976. Trabalhei com o ministro Paulo Jorge, depois Venâncio de Moura e fiz carreira até hoje. Estou há mais de 30 anos no MIREX. Agora o Presidente da República incumbiu-me esta missão e aqui estou.

ANGOP: Nunca se sentiu esquecido esse tempo todo no MIREX?

VMF – Nem tanto, porque a pessoa tem duas carreiras. Pode fazer a interna ou a externa. A primeira vez que saí foi como conselheiro para Londres, depois ministro-conselheiro em Washington. Voltei para dirigir o gabinete da Esfera Económica do MIREX, director para Relações Internacionais do MIREX, inspector-geral, coordenador nacional da energia atómica e nuclear do MIREX, representante do MIREX junto da SADC para questões eleitorais. Sinto-me honrado por ter sido nomeado embaixador aqui no Quénia.

ANGOP: Onde e o que fazia quando foi proclamada a independência de Angola?

VMF – No dia 11 de Novembro de 1975 estava em Luanda. O meu batalhão estava na frente de combate em Kifangondo. Todo o meu batalhão. Desde infantaria, artilharia, artilharia de reacção. Eu era o comandante, com 30 anos de idade. O meu batalhão é que estava em Kifangondo e eu em Luanda, a dirigir tudo. A minha artilharia de reacção atirava a mais de 20 quilómetros. Não precisava estar à frente, porque havia outra equipa. O meu comissário político Loth Neves, que hoje é coronel, esse sim, estava em Kifangondo.

ANGOP: Que comparações se podem fazer quanto ao comportamento da juventude de antes e de agora?

VMF – Cada um tem o seu tempo. Houve um tempo em que os meus pais, tios andaram nas cadeias. Eles disseram não ao colonialismo e faziam as coisas em comum, criando células. A minha época é da guerra. Agora é época de paz. Cada pessoa tem o seu tempo. Exigimos aos jovens de hoje que estudem, sejam engenheiros, médicos, cientistas, sociólogos, etc. é o que precisamos da juventude actual. É o tempo da reconstrução nacional, não precisam pegar na arma. Pegam se necessário para defender o país. As fronteiras do país. Já houve quem lutou com armas. Precisam amar e desenvolver o país com sabedoria. Mas nunca se devem esquecer de que para terem a vida que têm hoje alguém se sacrificou em nome deles. São os nossos filhos, netos. É preciso muito respeito ao antigo combatente, porque se não houvesse esse antigo combatente não teríamos a independência que festejamos. Até porque grande parte dos países africanos recebeu a independência sem guerra, nós para conseguirmos teve de morrer muita gente. Foram milhares de pessoas que morreram para obtermos a independência. Os heróis da actual juventude são os antigos combatentes, porque foram estes que proporcionaram o que se desfruta hoje. É preciso nunca esquecer esses heróis.

ANGOP: O que a embaixada está preparar para comemorar os 40 anos com a comunidade angolana no Quénia?

VMF – Criou-se uma comissão ao nível da embaixada para estas comemorações. Preparamos um programa dentro das nossas possibilidades, desde actividades culturais, com exposições de artes plásticas, dança e música, palestras nas universidades quenianas com oradores vindos de Angola. Estamos em negociações em tudo isso. Gostaríamos de rodar o filme Rainha Njinga aqui e também teremos uma recepção oficial com outras entidades. Queremos mostrar uma imagem real da nossa Angola, porque o nosso país é grande em África pelo crescimento económico. Hoje Angola é um país respeitado graças a forma como tem sido dirigido e encarado além fronteiras. Os homólogos aqui dizem que Angola tirou a vergonha de África pelas instalações que possui e pela maneira como tem contribuído para a paz no continente.

PERFIL

Nome: Virgílio Marques de Faria

Data de Nascimento: 30 de Novembro de 1945

Formação académica: Graduações em Estudos Políticos e Militares, licenciado em Ciências Físicas, especialização em Engenharia Científica Nuclear (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) (portalangop.co.ao)

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