Desvalorização do kwanza está a ‘ajudar’ mercado imobiliário

(EXPANSAO)
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Investidores encontram refúgio na aquisição de imóveis, para evitar perda de valor do dinheiro colocado no banco. Preços dos imóveis usados sofreram ajustes, mas nos novos não tem havido grandes variações. Especulação tem baixado, diz especialista.

A desvalorização do kwanza tem ajudado à recuperação do mercado imobiliário nos últimos meses, revela o director-geral da Urban. Em entrevista por e-mail ao Expansão, Marco Cardoso assume que os primeiros meses do ano foram de recuo para a actividade. Mas garante que Angola se mantém como um dos melhores países do mundo para investimento estrangeiro.

Segundo o responsável da imobiliária, que opera desde 2012 em Angola, no primeiro trimestre deste ano houve “quebras muito significativas em termos de volume de negócios”. Neste período, explica, “estava toda a gente ainda muito apreensiva e à espera para ver o que acontecia”, tendo em conta o impacto da queda do preço do petróleo. Mas, actualmente, assiste- -se a “uma recuperação muito expressiva, tanto a nível de volume como do valor”, com o negócio a aproximar-se dos números de anos anteriores, afirma, sem quantificar.

“Acho que as pessoas viram que, apesar do momento económico, a vida continua”, diz o director-geral, que defende que “a desvalorização da moeda nacional tem alavancado muito esta retoma, porque as pessoas apercebem-se de que os kwanzas que possuem no banco valem menos a cada dia que passa, e a maneira mais segura de garantirem a rentabilização do seu dinheiro continua a ser através do investimento imobiliário”.

Para Marco Cardoso, “Angola continua a ser um dos melhores países do mundo para investimento estrangeiro, uma vez que tem um grande potencial de crescimento a médio e longo prazo”.

Preços ajustaram nalguns segmentos

A capital do País, garante, “vai continuar a necessitar de satisfazer as necessidades crescentes de procura do mercado residencial e do mercado de escritórios”. Contudo, “vai prosseguir a deslocalização de empresas para fora do centro financeiro da cidade durante os próximos anos”, o que fará com que Talatona continue a crescer e a desenvolver-se como centro imobiliário.

“Tanto a nível empresarial como residencial, Talatona consegue oferecer menores custos operacionais às empresas e melhor qualidade de vida aos seus quadros”, sublinha. Marco Cardoso confirma que tem havido “ajustes” nos preços em alguns segmentos do mercado de imóveis usados, mas rejeita que exista uma ‘bolha imobiliária’ em Angola.

“Hoje já não se fazem negócios com os valores insensatos de finais da década passada”, sublinha o director- geral, que admite que, nessa altura, por ter havido “um mercado muito informal e com pouca oferta de qualidade, existiu muita especulação”. “Se existiu uma bolha, já rebentou há algum tempo, e o mercado tem vindo a ajustar-se”, diz.

“Em todos os mercados, as oscilações da procura influenciam os preços, e é realmente em imóveis usados que se encontram alguns acertos nos preços”, sobretudo no arrendamento. Contudo, acrescenta, “este ajuste não é generalizado e acontece, principalmente, nos segmentos mais baixos, já que muitos imóveis tinham valores de renda de segmentos superiores”. Já no mercado de venda, “não se tem assistido a quebras nos preços”, de forma geral. “Hoje temos um mercado muito mais segmentado. Existiram segmentos do mercado que sofreram ajustes nos preços, mas registamos outros em que os preços subiram”, assinala Marco Cardoso, para quem o mercado angolano “começa a dar alguns sinais de maturidade”.

“Por um lado existem cada vez mais players no mercado, sejam promotores, banca ou consultores, o que também significa mais oferta. Por outro, lado, este é um mercado cada vez mais formal e com uma banca muito mais rigorosa”, factores que, defende o gestor, tornam o sector imobiliário angolano “menos propenso à especulação”.

Quanto ao futuro da Urban, empresa de direito angolano, Marco Cardoso revela que, “apesar de planeado”, a imobiliária ainda não está em mais províncias para além de Luanda, colmatando esta situação “estabelecendo parcerias com agentes locais”. Baseada em Talatona, a empresa, para além do escritório principal, tem stands de vendas nos empreendimentos que comercializa e deverá abrir mais três pontos de venda até ao final do ano, diz, sem indicar as localizações.

A Urban está integrada no Mobilada Group, composto por empresas internacionais dos sectores da distribuição, construção, imobiliário, alimentação, arquitectura e arquitectura de interiores, turismo e retalho. Actualmente, está presente em Portugal, Líbano e Angola. (expansao.co.ao)

por Ricardo David Lopes

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