Desfile das Forças Armadas celebra 40 anos de independência de São Tomé e Príncipe

Palácio Presidencial, São Tomé, a capital (DW)
Palácio Presidencial, São Tomé, a capital (DW)
Palácio Presidencial, São Tomé, a capital (DW)

O 40º aniversário da independência de São Tomé e Príncipe foi celebrado com um desfile das Forças Armadas, num ambiente de alegria e esperança num futuro melhor para o país.

A identidade dos são-tomenses esteve no centro do desfile cultural e profissional das Forças Armadas. Este foi um dos momentos mais animados da festa que celebrou os 40 anos de independência do país, e que decorreu na Praça da Independência, no centro da capital, São Tomé.

No cortejo estiveram presentes vários elementos que fazem parte da cultura de São Tomé e Príncipe: desde brinquedos inventados e construídos por crianças, até à demonstração das potencialidades do país em termos de recursos humanos e naturais, com a apresentação da diversidade de produtos agrícolas, pecuários e pesqueiros, passando por muitas outras diferentes manifestações culturais.

O desfile das Forças Armadas contou com dois contingentes de países vizinhos: Gabão e Guiné Equatorial, países que acolheram os militantes nacionalistas de São Tomé e Príncipe na luta pela independência nacional.

“Conquistámos o direito de sermos livres”

A DW África falou com alguns cidadãos de diferentes idades sobre o significado dos 40 anos passados desde 12 de julho de 1975, e sobre as suas perspetivas para o futuro do país.

“[São Tomé e Príncipe] devia estar melhor, se houvesse união entre todos nós, sobretudo entre a classe política. Em relação ao futuro, penso que o país vai-se desenvolvendo aos poucos, mas há um problema: não concordo que num país como o nosso, o Produto Interno Bruto (PIB) seja de 4.5%. Assim o país não vai a lado nenhum. Tem de deixar de estar de mãos estendidas, e apostar nos nossos produtos locais”, considera um dos cidadãos presentes no desfile.

“Não obstante alguma insatisfação que nós, são-tomenses, carregamos no nosso coração, dado o pouco desenvolvimento que nós vemos no nosso país, sabemos que há algo que nós conquistámos: a nossa independência, que é algo muito bom e nos dá o direito de sermos cidadãos livres e de termos uma identidade. Saímos de debaixo do jugo da colonização dos portugueses, e isso é algo que devemos louvar, e é algo que nós conquistámos e que ninguém nos pode tirar”, reforça outra são-tomense.

Apostar no diálogo para reforçar a democracia

O anfitrião das festividades, Ekineide dos Santos, presidente da Câmara distrital de Água Grande, chamou a atenção sobre a necessidade de o país entrar numa nova era.

“Neste quadragésimo aniversário da nossa independência, temos de virar definitivamente a página e iniciar o novo percurso de construção de uma sociedade mais aberta de liberdade, progresso e prosperidade partilhada”, referiu.

O Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, também esteve presente nas celebrações, e destacou algumas das conquistas alcançadas nestas quatro décadas, sublinhando que a independência valeu a pena e que “somos capazes de conquistar um futuro de progresso, desenvolvimento e justiça social”.

O chefe de Estado recusou que tenham “falhado” os seus esforços para um consenso político, e insistiu ainda na necessidade de se apostar no diálogo: “Temos de saber também construir pontes entre nós próprios, independentemente das diferenças, num permanente diálogo construtivo e gerador de consensos estratégicos que permitam ao país construir um futuro melhor, o futuro com que todos sonhamos desde que conquistámos a independência. Sem diálogo não há democracia nem coesão social.”

O ato contou com a presença de várias entidades estrangeiras, com destaque para: o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca; o segundo vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mangue; o primeiro-ministro do Gabão, Daniel Ona Ondo; o ministro angolano da Administração do Território, Bornito de Sousa; o ministro argelino do Ordenamento do Território, do turismo e do Artesanato, Amar Ghoul; o secretário de Estado português da Cooperação, Luís Campos Ferreira; e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Simon Chen. (dw.de)

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