Chefes da diplomacia da CPLP satisfeitos com adesão da Guiné Equatorial

O espanhol é a língua mais falada na Guiné Equatorial (Luc Gnago/REUTERS)
O espanhol é a língua mais falada na Guiné Equatorial (Luc Gnago/REUTERS)
O espanhol é a língua mais falada na Guiné Equatorial (Luc Gnago/REUTERS)

Ainda não se fala português no país, mas governantes mostram-se esperançosos.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) avaliam positivamente o primeiro ano da adesão da Guiné Equatorial, considerando que tem havido progressos, incluindo no complexo dossier do ensino do português, apesar de pretenderem que aquele país se envolva mais na organização.

Os representantes das diplomacias dos Estados-membros da CPLP que participaram em Díli na XX reunião do Conselho de Ministros são unânimes nessa apreciação. Todos consideram que o aspecto mais importante na agenda é a questão do ensino do português, e destacam os progressos que já ocorreram.

O ministro das Relações Exteriores angolano, Georges Chikoti faz uma avaliação positiva da adesão, mas lamenta que a Guiné Equatorial não tenha participado muito activamente nas reuniões ministeriais. A demonstrá-lo, o seu ministro esteve ausente em Díli.

“É bom que a Guiné Equatorial tire proveito e possa mostrar o que a traz à organização”, disse Chikoti. Para Angola, “a questão do ensino do português é muito mais importante” do que o debate sobre transformar a moratória sobre a pena de morte numa legislação definitiva.

Para o chefe da diplomacia moçambicana, Oldemiro Baloi, o encontro de Díli permitiu ultrapassar alguma preocupação sobre o ritmo da adesão, sendo evidente um “défice de comunicação sobre o que está a acontecer” na Guiné Equatorial.

“Mas tivemos uma informação positiva que terminou com um apelo da Guiné Equatorial, no sentido da CPLP destacar uma equipa que será financiada pela própria Guiné Equatorial para tornar o processo de adesão ou de consolidação de adesão mais expedito”, disse.

Sobre o ensino do português, afirmou que o trabalho que tem sido feito “é notável” e que as lacunas são “naturais”. “Há lacunas obviamente, porque não se vai fazer num ano aquilo que, como dizia um colega meu, nós demoramos 20 anos a fazer. Estamos no bom caminho. A questão é haver uma boa comunicação e nos continuarmos com a atitude que tivemos e que viabilizou a adesão”, disse.

Para Hernâni Coelho, ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, a Guiné Equatorial “está a participar activamente” e estão em curso vários projectos, inclusive na língua portuguesa. “Mas um ano não é um período suficiente de assuntos tão importantes e estratégicos. Estamos a partilhar com a Guiné Equatorial as nossas experiências, esforços e a encorajar a que participe mais activamente nestas iniciativas”, adiantou.

Já o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, Luís Campos Ferreira, recordou que há um “roteiro” para a adesão da Guiné Equatorial e que os chefes de Estado e de Governo deliberaram que estava a ser cumprido na cimeira de Díli de 2015.

Desde aí, disse, tem havido algumas “evoluções”, tendo o Conselho de Ministros ouvido um relatório sobre o ensino e divulgação da língua portuguesa. “Foi-nos comunicado que havia um jornal informativo diário na televisão em língua portuguesa, entre outros trabalhos que se estão a desenvolver”, acrescentou.

“O Conselho de Ministros no seu todo entende que continua a haver uma grande margem de progressão para que a Guiné Equatorial, como noutros países, possa e deva aproximar-se daquilo que é o acervo identitário dos países da CPLP”, disse ainda.

Uma avaliação completa, sustentou, cabe aos chefes de Estado e de Governo, que se voltam a reunir em Brasília em 2016 ainda que, opina Campos Ferreira, a adesão tenha sido positiva. “A inclusão é sempre positiva e, neste caso concreto, tem permitido uma troca de opiniões, de reflexões, uma abertura do país e por isso continuo a achar que foi a decisão que tinha que ser tomada”, sublinhou.

Também o secretário Executivo da CPLP, Murade Isaac Murargy, disse não estar arrependido da adesão, afirmando que em temas como os da língua “não se deve atirar pedras à Guiné Equatorial quando alguns membros fundadores da CPLP têm telhados de vidro”.

“A Guiné Equatorial vai levar o seu tempo. É um processo. Deram grandes passos, há um noticiário em português, a parte empresarial está a andar com muita velocidade”, considerou.

“O que é importante é que os países da CPLP apoiem. Como temos que nos apoiar uns aos outros. Não me arrependo de terem entrado. Não resolveríamos os problemas da Guiné Equatorial deixando-os fora. Temos é de continuar a apoiar a sua evolução”, advogou.

Finalmente, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, considerou que as observações indicam que “o primeiro ano foi muito produtivo”. (publico.pt)

por Lusa

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