Cabo Verde, com 40 anos, é uma democracia madura

(Foto: Nélio dos Santos)
(Foto: Nélio dos Santos)
(Foto: Nélio dos Santos)

Cabo Verde celebrou ontem o quadragésimo aniversário da sua independência. As comemorações foram presididas pelo Presidente da República e contaram com a presença de alguns representantes de países amigos.

O dia 5 de Julho de 2015 começou bem cedo com a deposição de uma coroa de flores pelo Presidente Jorge Carlos Fonseca, no memorial Amílcar Cabral, o “pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana”. Nas palavras do presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, tratou-se de “um gesto de reconhecimento e gratidão àqueles que, em primeira linha, lutaram pela independência”.

Ao discursar na sessão solene comemorativa dos 40 anos da Independência Nacional, o Presidente Jorge Carlos Fonseca chamou atenção para as desigualdades na distribuição da riqueza; um problema que requer uma ação firme dos poderes públicos, para evitar que se transforme num fator de perturbação e de clivagem social.

Maior desafio: combate ao desemprego e à criminalidade

Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca corta o bolo dos 40 anos da independência de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos)
Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca corta o bolo dos 40 anos da independência de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos)

Para o Chefe de Estado, o desemprego que atinge uma franja significativa da força laboral, com destaque para os jovens, a criminalidade e a violência estão a corroer a paz social e a condicionar fortemente a liberdade das pessoas.

O chefe de Estado destacou ainda outros “problemas prementes”, como o tráfico e consumo de drogas, incluindo o álcool, e a descrença nas instituições, “problemas que merecem ser cuidadosamente analisados”.

Jorge Carlos Fonseca defendeu que Cabo Verde tem de dar continuidade e aprofundar as reformas já iniciadas: “Temos que reagir às mudanças que ocorrem a uma velocidade estonteante na economia internacional e no desenvolvimento tecnológico”, salientou Jorge Carlos Fonseca, admitindo que “muito e bom trabalho já foi feito, mas os resultados continuam àquem das expetativas e das necessidades”.

Cabo Verde: exemplo para África

Cabo Verde, país considerado exemplo de democracia, transparência e boa governação em África, proclamou a independência no dia 5 de Julho de 1975, no mítico Estádio da Várzea, na Cidade da Praia.

O texto da proclamação da República de Cabo Verde foi lido por Abílio Duarte, primeiro presidente da Assembleia Nacional Popular, que foi constituída no dia 4 de Julho de 1975 por 56 deputados.

A DW falou também com o militar Roberto Fernandes, o homem que no dia 5 de Julho de 1975 içou, pela primeira vez, a bandeira nacional. 40 anos depois Roberto Fernandes disse:”Foi uma enorme honra ter sido escolhido para içar a primeira bandeira de Cabo Verde. Por isso me sinto orgulhoso e de certa forma privilegiado”.

Convidados de honra de Portugal e de Angola

Altos militares angolanos estiveram em Cabo Verde e brindaram com os seus colegas de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos)
Altos militares angolanos estiveram em Cabo Verde e brindaram com os seus colegas de Cabo Verde (Foto: Nélio dos Santos)

Vários países enviaram delegações para as celebrações dos 40 anos de independência de Cabo Verde: Angola enviou o vice-chefe do Estado-Maior General para as Infra-Estruturas e Logística, general Geraldo Abreu. Nas celebrações também estiveram alguns militares angolanos que participaram numa parada militar.

A China esteve representada pela vice-ministra da Saúde e Planeamento e Portugal pelo Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que salientou o facto de Cabo Verde ser “um caso ímpar de sucesso em África”. O chefe do governo de Portugal disse, nomeadamente: “Olhamos para Cabo Verde e vemos hoje um país com um rendimento médio acima da média e com uma democracia enraizada e estabilizada.

Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, deu os parabéns de Portugal ao seu homólogo caboverdeano, José Maria Neves (Foto: Nélio dos Santos)
Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, deu os parabéns de Portugal ao seu homólogo caboverdeano, José Maria Neves (Foto: Nélio dos Santos)

A visita de Pedro Passos Coelho permitiu também lançar as bases da cooperação Cabo Verde – Portugal para o triénio 2016-2019: “Vamos reforçar a cooperação em áreas importantes como a saúde, a educação e a justiça e alargá-la à componente institucional, nomeadamente ao combate ao terrorismo e ao narcotráfico.” (dw.de)

 

 

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