Brasil tem a maior taxa de desemprego desde 2010

(Marcos Santos/USP Imagens)
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A Pesquisa Mensal de Emprego divulgada esta semana pelo IBGE revela que a taxa de desemprego continua a crescer no Brasil. No mês de junho a taxa foi a maior desde 2010. O índice passou de 6,7% em maio para 6,9% em junho, cifra que representa 1,7 milhão de pessoas desempregadas.

A pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela que a população desocupada não mostrou variação em relação ao mês de maio, porém em junho cresceu 44,9% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, quase 500 mil pessoas a mais atrás de vagas de trabalho.

Já a população ocupada, que chegou a 22,8 milhões, ficou estável em relação a maio, mas caiu 1,3% se comparada a junho do ano passado, o maior recuo desde janeiro de 2013.

A técnica de Rendimento e Trabalho do IBGE, Adriana Beringuy, explica que os resultados refletem a atual situação do mercado de trabalho, de corte de vagas e demissões e aumento da demanda por emprego. “Esse crescimento da taxa está vindo sobretudo do aumento da desocupação, que está sendo bastante acentuado. Hoje, por exemplo, para o mês de junho de 2015, a desocupação aumenta em quase 45% em relação a junho do ano passado. Somando-se a isso, surge ainda uma retração da ocupação, em relação também ao ano de 2014. Portanto, confrontado ao ano de 2014, hoje se está diante de um mercado de trabalho em que há dispensa de trabalhadores e, por outro lado, um crescimento da procura de trabalho.”

Segundo a pesquisa do IBGE, a faixa etária entre 18 e 24 anos, a chamada turma do primeiro emprego, é a que está com maior dificuldade em conseguir uma colocação no mercado. A taxa de desemprego nesse grupo vem crescendo. Do ano passado até agora passou de 12% para 17%.

De acordo com Adriana Beringuy, são pessoas que antes não estavam trabalhando e passam a buscar o mercado de trabalho, principalmente para ajudar nas despesas de casa diante da crise econômica no país. “A taxa de desocupação, de modo geral, é sempre mais elevada entre as pessoas mais jovens. O que se percebe é que, quando comparado com o ano passado, o crescimento foi muito acentuado, e mais acentuado nos demais grupos etários. Isso nos mostra que a pressão exercida pelos jovens no mercado de trabalho está sendo bem maior do que a do ano passado, o que pode provavelmente estar relacionado com a maior necessidade dessa população jovem de ingressar no mercado de trabalho em busca de rendimento, seja porque o rendimento familiar eventualmente tenha se reduzido ou porque houve uma interrupção no processo de qualificação que estava sendo adquirido anteriormente, e agora esse jovem parte para o mercado de trabalho propriamente.”

A pesquisa do IBGE aponta ainda que no setor privado o número de trabalhadores com carteira assinada também permaneceu estável em junho – um total de 11,5 milhões –, porém o número representa uma redução de 2% em comparação com 2014.

A pesquisa foi realizada em seis regiões metropolitanas: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. O desemprego ficou equilibrado em todas as regiões analisadas em relação ao mês de maio. Porém, em comparação com 2014, o desemprego teve alta em todos os Estados. A crise é maior na Região Nordeste. Em relação ao ano passado, Recife passou de 6,2% para 8,8%; em Salvador a taxa de desemprego passou de 9,0% para 11,4%. Em terceiro lugar no ranking está São Paulo, que passou de 5,1% para 7,2%. Em Porto Alegre, o índice de 3,7% foi para 5,8%; no Rio de Janeiro, de 3,2% para 5,2%; e em Belo Horizonte o índice de desemprego passou de 3,9% para 5,6%.

Já o rendimento médio real dos trabalhadores ocupados foi de  R$ 2.149,10, valor 0,8% maior do que em relação a maio deste ano, mas na comparação anual ficou 2,9% menor: o valor era então de R$ 2.212,87.

A falta de vagas afeta todos os setores, mas os trabalhadores dos ramos da construção, comércio e serviços foram os mais atingidos por cortes, o que representa menos 300 mil pessoas empregadas no país. (sputniknews.com)

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