BODIVA regista volume de negociação de 237 milhões USD

António Furtado, BODIVA (Foto: D.R.)
António Furtado, BODIVA (Foto: D.R.)
António Furtado, BODIVA
(Foto: D.R.)

Maio e Junho foram meses dourados para a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), em que o volume de negociação subiu para 237 milhões USD. O organismo tem três agentes, BFA, BAI e Banco Millennium Angola.

A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) transaccionou 47 milhões USD em Maio e 190 milhões USD em Junho, revelou o presidente do seu conselho de administração. Segundo António Furtado, que falava à margem de um encontro da Câmara de Comércio Angola-EUA, em Luanda, no final da semana passada, sob o tema Impacto do Arranque da Bolsa de Valores na Diversificação da Economia, as primeiras negociações do mercado de registo de Título de Tesouro realizaram-se em Maio, e foram transaccionadas 1.600 Obrigações de Tesouro pelo Banco de Fomento Angola (BFA).

A primeira transacção de valores mobiliários em mercado regulamentado em Angola movimentou um montante financeiro correspondente a 16 milhões USD. Pedro Godinho, presidente executivo da Câmara do Comércio Angola-Estados Unidos, disse, por seu turno, que foram tiradas algumas dúvidas às empresas membros da Câmara do Comércio Angola-Estados Unidos sobre os instrumentos financeiros que existem e estão a ser criados no sistema financeiro angolano, tendo em conta a desvalorização do kwanza.

Os membros da Câmara do Comércio Angola-Estados Unidos quiseram saber como as empresas devem aplicar o seu capital em moeda nacional, de modo a mitigar o impacto da desvalorização da moeda. “O participante não-residente pode comprar instrumentos financeiros a qualquer investidor e também pode vender apenas a outros não residentes em caso de querer deixar o país”, esclareceu.

Actualmente, estão registados três agentes – o Banco de Fomento de Angola (BFA), o Banco Africano de Investimento (BAI) e o Banco Millennium Angola (BMA). Em vias de adesão está o Standard Bank Angola, estando as negociações em curso, garantiu António Furtado.

O presidente do conselho de administração da BODIVA aproveitou a ocasião para incentivar os restantes bancos comerciais, a juntarem-se à negociação e ao projecto do Executivo de adoptar em Angola um mercado de capitais que, lembrou, como referiu o Presidente da República, no seu discurso de tomada de posse, no dia 26 de Setembro de 2012, é “mais um importante instrumento para promover o sector empresarial, devendo nos próximos anos constituir-se numa fonte adicional de financiamento à economia”.

Esta capacidade de financiar o nosso desenvolvimento económico será tanto maior quanto maior for a capacidade de captação de poupança doméstica e de capital estrangeiro, sublinhou Furtado. “Para financiar o investimento promovido pelo próprio Estado e pelo tecido empresarial, assume particular importância o facto de estarem reunidas todas as condições para o pleno funcionamento de um mercado de valores mobiliários, capaz de suprir as necessidades de financiamento do Estado e das empresas a partir da poupança interna e pela captação de capital estrangeiro”, disse.

O responsável esclareceu os participantes de que a bolsa angolana é “orientadora do planeamento e monitorização de todo o processo de preparação das empresas públicas, para estas poderem fazer parte do mercado de acções”. Para já, os sectores-alvo da bolsa são instituições que actuam na banca, nas telecomunicações, nos seguros e na área petrolífera.

O gestor considerou que este “contexto desafiante permite encarar com dinamismo a missão de implementar os restantes segmentos de mercado “, nomeadamente os Mercados por Grosso de Títulos do Tesouro (MGTT), Bolsa de Títulos do Tesouro (MBTT), Mercado de Dívida Corporativa, Mercado de Fundos de Investimento, Mercado de Acções e Mercado de Futuros e Instrumentos Derivados.

A BODIVA disponibiliza desde 19 de Dezembro de 2014 o Mercado de Registos de Títulos do Tesouro (MRTT), que permite aos investidores negociarem em mercado secundário títulos de dívida pública.

Desde então, dando sequência ao trabalho iniciado em meados de 2014, “a BODIVA tem empreendido várias tarefas, das quais se destacam o registo de agentes de intermediação, nomeadamente, o BFA, o BAI e o BMA, o estabelecimento de conexões tecnológicas com os referidos agentes de intermediação, a customização da plataforma de negociação, compensação e liquidação, e a criação e publicação de regras aplicáveis ao mercado e seus participantes “, referiu.

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