BNA volta a ‘apertar’ política monetária

(Foto: Contreiras Pipa)
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O aumento da Taxa Básica decidido em Junho é o segundo deste ano, depois de, em Março, o BNA ter decidido passar a taxa de 9% para 9,25%.

O Comité de Política Monetária (CPM) aumentou, a 29 de Junho, a Taxa Básica de juro do Banco Nacional de Angola (BNA) de 9,25% para 9,75%% ao ano, o que deve pode tornar os empréstimos mais caros. Reunido na sua 45.ª sessão ordinária, o CPM decidiu também aumentar a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 10% para 10,5% ao ano.

O aumento da Taxa Básica de Junho é o segundo deste ano, depois de, em Março, o BNA ter decidido passar a taxa de 9% para 9,25%. O BNA não determina as taxas de juro aplicadas pela banca, mas pode influenciá-las através da Taxa Básica, também conhecida por ‘Taxa BNA’, que serve de referência ao mercado interbancário, onde os bancos que têm excesso de liquidez emprestam dinheiro aos que dela precisam.

Quando a política monetária é ‘apertada’, através da subida da Taxa Básica, ou por meio do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias, o crédito fica mais escasso e mais caro. A remuneração dos depósitos também tende a subir, mas proporcionalmente menos que o custo do crédito. No início de Junho, o BNA voltou a alterar o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, dos 20% fixados em Fevereiro, para 25%, através do instrutivo 08/2015, de 4 de Junho, terceira alteração desde o quarto trimestre do ano passado.

O primeiro aumento das reservas obrigatórias, de 12,5% para 15%, ocorreu em Novembro, e o segundo, de 15% para 20%, em Fevereiro. As reservas obrigatórias correspondem à parcela dos depósitos de clientes que os bancos comerciais são obrigados a depositar no BNA. Quanto maior o coeficiente de reservas obrigatórias, menos dinheiro os bancos podem emprestar aos agentes económicos. Se o coeficiente de reservas obrigatórias aumentar, os bancos passam a cobrar juros mais altos para não baixarem os lucros.

Os sucessivos ‘apertos’ monetários sinalizam que o BNA está preocupado com a inflação. Após ter testado o mínimo de sempre, nos 6,9%, em Junho de 2014, o ritmo de crescimento dos preços, medido pela taxa de inflação homóloga não pára de aumentar desde então, tendo-se fixado nos 8,86% em Maio deste ano.

Por outro lado, ao alterar o método de cálculo das reservas obrigatórias, o banco central dá um sinal de que pretende promover mais o financiamento ao Estado sob a forma de cumprimento parcial das reservas em Obrigações do Tesouro, através da aplicação de ponderadores em função do prazo do título. (expansao.ao)

Por: Francisco de Andrade

 

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