Bloco quer conselho consultivo de reformados na Segurança Social

Porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins (D.R)

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu hoje a criação de um conselho consultivo na Segurança Social composto por reformados para “acompanhar as contas”, e exigiu ao Governo que apresente os dados desagregados.

Porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins (D.R)
Porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins (D.R)

“O Bloco de Esquerda renova esta exigência ao Governo de que apresente os dados desagregados das pensões dos vários regimes da Segurança Social, para sabermos de que é que estamos a falar quando falamos da sustentabilidade da Segurança Social”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, após uma reunião com a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!).

A líder do BE considerou que “a opacidade do Governo em todas estas contas não é aceitável e serve só para fazer uma campanha do medo sobre a sustentabilidade da Segurança Social”.

“Não só exigimos os números, como apresentamos uma proposta que vai de encontro também a parte das reivindicações da APRe!, que é que seja possível existir um conselho consultivo feito por pessoas reformadas junto da Segurança Social, que possa acompanhar essas mesmas contas e que saiba sempre todos os números”, vincou Catarina Martins.

A porta-voz bloquista criticou também o Governo por já ter votado no parlamento “a sua intenção de cortar 600 milhões de euros nas pensões, um futuro em que os pensionistas vão viver pior”, sublinhando que o BE não aceita “o discurso de que o futuro é sempre cortar nas pensões”.

A proposta do Partido Socialista de corte na Taxa Social Única (TSU) também foi censurada por Catarina Martins, que declarou que a medida “vai significar não só mais pressão sobre a sustentabilidade da Segurança Social agora, como também a ideia de que no futuro as pensões serão cada vez mais baixas”.

Na opinião do Bloco, deve haver “um debate em Portugal sobre a diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social”, tendo a dirigente proposto “taxar sobre o valor acrescentado as grandes empresas do sistema financeiro uma taxa muito pequena de 0,75%”.

Segundo Catarina Martins a taxa proposta pelo BE “já daria para, em quatro anos, angariar o dobro da receita que o Governo diz que falta neste momento, motivo pelo qual quer cortar 600 milhões de euros das pensões”.

Sobre a reunião, a presidente da APRe!, Rosário Gama, disse aos jornalistas que o principal objetivo foi dar a conhecer uma campanha que a associação vai criar contra a abstenção, chamada “uma volta pelo voto”, e entregar o caderno reivindicativo e apresentar as preocupações da classe em termos de saúde, habitação, segurança social, entre outros.

A APRe! apresentou também ao BE seis questões relacionadas com os reformados e o crescimento económico, que esperam ver respondidas.

“Com essas questões respondidas podemos de facto informar os associados”, afirmou Rosário Gama, acrescentando que “as pessoas terão possibilidade de fazer um voto esclarecido”.

Rosário Gama avançou também que vão agora reunir-se com outros partidos para o mesmo efeito. (portalangop.co.ao)

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