Aumentar os preços do vinho é um erro

(Foto: D.R.)
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Angola representa cerca de 92 milhões de exportações, num total de 729 milhões que Portugal exporta mundialmente.

A subida de preços pode levar a uma “perda de competitividade” dos vinhos portugueses, alerta o presidente da Associação Interprofissional do Sector Vitivinícola de Portugal – Vini Portugal. Em declarações ao Expansão, Jorge Monteiro disse não conhecer casos concretos de produtores que tenham subido os preços, mas admite que, a terem ocorrido, seja por uma razão “conjuntural”.

Ao que o Expansão apurou, nas nas últimas semanas, alguns produtores de vinhos portugueses aumentaram os seus preço em cerca de 20%, por causa da desvalorização do kwanza. Mas Armindo Monteiro diz Numão acreditar que haja uma intenção deliberada nesse sentido. “Não creio que haja uma intenção deliberada dos produtores em aumentar preços, mas sim algo conjuntural”, diz, acrescentando que “os produtores portugueses estão muito empenhados no mercado angolano e seria má política aumentar preços, quando o poder de compra hoje não é o mesmo de há um ano atrás”. Para o responsável, tal seria “uma perda de competitividade”.

No entanto, admitiu que, até Maio último, terá havido um aumento de 7,2% no preço à saída da adega para os vinhos com indicação de origem, que representando 16% do mercado angolano. Quanto aos vinhos sem indicação de origem, estimava-se um aumento de 2,2%, que representam 83% do mercado angolano e uma queda de 40,5% nos espumantes, que representam apenas 1% do mercado. De acordo com o gestor, que falava ao Expansão à margem da Grande Prova dos Vinhos de Portugal, realizada na semana passada em Luanda, “estes aumentos de preço prendem-se mais com a colheita curta que Portugal teve, assim como o com crescimento das exportações em quase todos os mercados de exportação”.

Jorge Monteiro disse ainda que apesar da falta de divisas que se verifica no País, Angola continuará a ser o segundo melhor mercado para Portugal em termos de exportação de vinhos, depois de França. Angola representa mais de 90 milhões de euros de exportações de vinhos, num total de 729 milhões que Portugal exporta mundialmente. Em 2014, Angola importou 625 mil hectolitros de vinhos português, no valor de 95.5 milhões de euros, um aumento de 1,9% face a 2013. Para o presente ano, o gestor não avançou as perspectivas em termos de exportações.

Questionado sobre as vendas nos outros mercados africanos, o gestor garantiu que “neste momento a Associação não olha para nenhum”. “Para nós, vale mais apenas reforçar o investimento em Angola do que estar a dispersar noutros países”, explicou .Jorge Monteiro reforçou que a ViniPortugal pretende reforçar uma relação de médio e longo prazo com o mercado angolano. Até ao momento, a associação realizou provas nas províncias de Luanda e Benguela, tendo perspectiva de, até ao final do próximo ano, chegar às províncias do Huambo e Huíla (Lubango).

Na prova da semana passada, em Luanda, estiveram presentes 54 das principais marcas de vinhos portugueses representadas em Angola, nomeadamente Passa Douro, Quinta do Castro, Flor de Castro, Paulo Laureano, Palácio da Bacalhoa, Soalheiro, Cabeça de Touro, Aliança Baga, Pé Rosé e Arco Tinto. Fundada em 1997 a ViniPortugal, está, através da marca Wines of Portugal, presente em 11 mercados estratégicos, nomeadamente EUA, Canadá, Brasil, China, Japão, Singapura, Reino Unido, Alemanha, Suécia, Noruega.

Angola é o único mercado africano em que opera. Com um investimento anual de perto de 7 milhões de euros, realiza mais de 100 acções anuais de promoção dos vinhos portugueses, envolvendo cerca de 350 agentes económicos nacionais. (expansao.ao)

Por: Eunice Sebastião

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