Aldemiro Zacarias no negócio das artes gráficas

O empreendedor Aldemiro Zacarias (Foto: D.R.)
O empreendedor Aldemiro Zacarias (Foto: D.R.)
O empreendedor Aldemiro Zacarias
(Foto: D.R.)

Aos 27 anos de idade, Aldemiro Zacarias é responsável por uma pequena gráfica. Longe vão os tempos em que chegou a Luanda com 8 anos, sem ter onde viver. Hoje aposta em expandir o negócio para a província do Huambo

Diz o velho ditado popular que “filho de peixe sabe nadar”. Aldemiro Zacarias seguiu as pegadas do pai, um jovem sofredor que veio da Lunda-Norte, com uma mão à frente e outra atrás, e se tornara economista.

Mas a história de vida de Aldemiro Zacarias é igual à de muitos miúdos angolanos, que, empurrados pela guerra, deixaram a sua cidade natal e desembarcaram em Luanda.

Natural da Lunda Norte, chegou à capital angolana com apenas 8 anos, acompanhado pelos pais, muito jovens..

Luanda é uma cidade agitada de mais para quem vem dos sossegados vastos campos verdes do Dundo, a capital de Lunda Norte. “ Foram anos de muito sofrimento. Passei fome, fui à escola sem material, comi pão com óleo de chouriço. E até passei noites ao relento. São momentos difíceis de lembrar”, diz.

Aldemiro Zacarias gosta de dizer que o pai era homem que enfrentava os desafios de peito aberto: “Mesmo na condição de refugiado o meu pai ingressou na universidade Agostinho Neto e fez o curso de Economia, nessa altura, já tinhamos morado em mais de três casas de familiares”.A seguir, arranja o primeiro emprego e compra um terreno na zona do Gamek, onde constrói uma humilde casa. “A nossa casa só tinha paredes e chapas, aos poucos a casa começou a ganhar outro aspecto”, disse ele.

Depois de os pais se separarem, Aldemiro fica sob custódia do pai. “Fui viver com o meu pai, a minha madrasta e uma meio irmão com meses”, diz.

Aos 15 anos outro desaire aconteceu. Aldemiro perde o pai num acidente de viação. “Nesta altura parecia que a minha vida tinha terminado”.

Menor de idade e sem muitas opções foi viver para a casa de um tio: “É um primo do pai”, disse. “Dou graças a Deus ter sido acolhido por aquela família, porque ela me fez o homem que hoje sou”, acrescenta.

Aos 16 anos, motivado pelo tio, Aldemiro continuou os seus estudos. Primeiro, fez o ensino médio de Contabilidade, no Instituto Medio Industrial de Luanda (Makarenko). Quatro anos mais tarde, entrou para o Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais (CIS), para se licenciar em Economia. “Enquanto estudante consegui um emprego na área da tesouraria da empresa de águas Bom Jesus como técnico de tesouraria e cheguei até a ser o responsável pela área de contabilidade da empresa”, lembra.

Em 2013, terminou a licenciatura e aventurou-se em outros projectos, “Aceitei o desafio de gerir uma gráfica, quase falida. Durante 4 meses fiquei sem salário e, muitas vezes, tive que usar das minhas economias para cobrir pequenas despesas da empresa”.

Tempos depois, optou por trabalhar por conta própria: abriu um pequeno negócio de confecção de comidas que fazia entregas ao domicílio a trabalhadores bancários. O negócio que começou com cinco encomendas atingiu, em pouco tempo, 30 refeições por dia diárias.

Aldemiro tinha outros sonhos. Um deles era o de abrir uma pequena gráfica: Com sete mil dólares das minhas economias comprei uma estampadora, camisolas e os transfers para estampar”, diz.

Actualmente Aldemiro Zacarias tem uma gráfica montada no quintal de casa e um escritório no fundo do mesmo, onde recebe clientes e faz as criações gráficas dos trabalhos encomendados.

A gráfica faz trabalhos de estampagem em tecido, serigrafia, bordados, em camisolas bonés e pastas. O negócio, segundo conta, já teve momentos altos e baixos. “Muitas vezes tive vontade de desistir e vender todo o material.

A minha situação económica não era muito favorável para novas aventuras”, diz.

Mas resistiu. Hoje, o negócio criado em 2013 tem um portefólio de mais de 35 clientes, dos quais pelo menos 70% são colégios, 20 % Igrejas e 10% clientes esporádicos.

Sem recorrer a empréstimos bancários, a criação da empresa resultou num investimento de aproximadamente 80 mil dólares para compra de equipamentos e matéria-prima.

Mas já tem projectos de expansão: o empreendedor conta abrir ainda este mês um escritório de representação na província do Huambo e, se tudo correr bem, em 2016, inaugurar uma loja de revenda de camisolas bonés e tintas também naquela província do Sul de Angola. (semanarioeconomico.ao)

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