Agricultura: Investidores chamados a prestar o seu contributo

José Amaro Tati, Secretário de Estado da Agricultura. (Foto: D.R.)
José Amaro Tati, Secretário de Estado da Agricultura. (Foto: D.R.)
José Amaro Tati, Secretário de Estado da Agricultura.
(Foto: D.R.)

As potencialidades agrícola e hidrográfica que o país possui favorecem a produção industrial de arroz em grande escala.

secretário de Estado da Agricultura, José Amaro Tati, disse, recentemente, no fórum de negócios, realizado em Luanda, entre empresários angolanos e portugueses, ser necessário incrementar a produção de arroz no país, de forma a reduzir a importação do cereal mais consumido no mundo e se aproveita as potencialidades de que o país dispõe. Além disso, pediu a participação massiva de empresários nacionais e internacionais e a considerarem esse sector da agricultura que reúne todas as condições, como uma grande oportunidade de gerar riqueza e criar emprego, por ser um espaço que apresenta um défice considerável.

Para ele, Angola reúne condições para se tornar uma potência em África na produção de arroz e afirmou que a produção de cereais consta das prioridades do Executivo, na qual o arroz está na linha da frente, cuja produção está em fase embrionária, com um vazio de produção de cereais que ronda os dois milhões de toneladas ano. “Há um crescimento nesta altura, mas ainda está aquém das capacidades de consumo nacional. É preciso produzir para termos excedentes até para exportação”, considerou.

Metas

As metas do Executivo, como aliás consta de um decreto-executivo conjunto de 23 de Janeiro, assinado pelos ministros das Finanças, da Agricultura, das Pescas, da Indústria, do Comércio e dos Transportes, juntamente com o Banco Nacional de Angola, é baixar a importação de alguns produtos da cesta básica, onde o arroz é o principal produto. Para o Executivo angolano, é imperioso assegurar a reserva “estratégica alimentar” para garantir a segurança alimentar e nutricional das populações, tornando-se imprescindível a tomada de medidas regulatórias do mercado importador e da rede de distribuição e comercialização de produtos alimentares e não alimentares, onde a oferta doméstica assegure mais de 60 por cento do consumo nacional. “É preciso incrementar a produção de arroz. Temos todas as condições de sermos uma potência de África”, apelou.

De acordo com Amaro Tati, o facto de o país possuir 35 milhões de hectares de terras aráveis, onde apenas 10 estão cultiváveis, regiões onde as precipitações atingem mil e 400 milímetros de precipitação, 347 bacias hidrográficas, com a Huíla a liderar, 26 mil hectares com mais possibilidade de expansão e cinco milhões de hectares nas prioridades do plano nacional de irrigação, abre uma brecha para o investimento privado, em algumas zonas do país, com destaque para as províncias do Cabinda, Uíge, Lunda Norte, Malange, Cuando Cubango e outras, onde há produção, como é o caso do Cuando Cubango.

Por outro lado, Angola lançou em Janeiro deste ano um projecto de revitalização do cultivo de arroz em duas províncias do planalto central, financiado pela agência de cooperação internacional do Japão, cuja meta é fazer com que nos próximos anos, o país deixe de importar, face aos resultados animadores obtidos com os ensaios da produção deste cereal no país, associado ao facto de o Executivo angolano ter fixado para este ano, uma quota geral de importação de arroz em 457 mil toneladas, deve motivar os empresários a apostar na produção nacional.

Adão Gonçalves Pinheiro, especialista em cultivo de arroz, disse, citado pela agência Angop, que as condições naturais de Angola estão a permitir obter bons indicadores nos campos de experimentação de produção de arroz em regadio nas províncias do Huambo e Bié, permitindo que, a médio prazo, Angola se torne autossuficiente.

Indicador mundial

O arroz é o cereal mais cultivado e consumido em todo mundo e destaca-se pela produção e área de cultivo, desempenhando um papel estratégico tanto no aspecto económico quanto social. Cerca de 150 milhões de hectares são cultivados anualmente no mundo, produzindo cerca de 590 milhões de toneladas, sendo que mais de 75 por cento desta produção é oriunda do sistema de cultivo irrigado. Além disso, é um dos mais importantes grãos em termos de valor económico e considerado o cultivo alimentar de maior importância em muitos países em desenvolvimento, principalmente na Ásia e Oceania, onde 70 por cento da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial vive dele. A produção mundial de arroz não acompanha o crescimento do consumo. Nos últimos seis anos, a produção mundial aumentou cerca de 1,09 por cento ao ano, enquanto a população cresceu 1,32 por cento e o consumo 1,27, com grande preocupação em relação à estabilização da produção mundial. O continente africano continua a ser o que menos consome arroz, devendo os seus Estados apostarem fortemente o seu cultivo.

Combate à fome

De acordo ainda com dados avançados, é o alimento básico de cerca de 2,4 mil milhões de pessoas e, segundo estimativas, até 2050, haverá uma demanda para atender ao dobro desta população. Por outro lado, ele é um dos alimentos com melhor balanceamento nutricional, fornecendo 20 por cento da energia e 15 da proteína per capita necessária para o homem, sendo uma cultura extremamente versátil, que se adapta a diferentes condições de solo e clima. É também considerado a espécie que apresenta maior potencial para o combate à fome no mundo, onde aproximadamente 90 por cento de todo o arroz do mundo é cultivado e consumido na Ásia. A América Latina ocupa o segundo lugar em produção e o terceiro em consumo. (jornaldeeconomia.ao)

Por: Ismael Botelho

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