África pode gerar 350 biliões de dólares

(Foto: D.R.)
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A Consultora Accenture e a National Business Initiative (NBI) acabam de lançar o relatório “Repensar o Futuro de África: Um modelo para a Sustentabilidade”. O documento, que é o mais recente neste domínio, identifica uma oportunidade anual de cerca de 350 mil milhões de dólares para as empresas africanas tendo por base a sustentabilidade

como uma fonte de crescimento, inovação e redução de custos – impulsionando uma nova onda de crescimento económico e desenvolvimento social em todo o continente.“Repensar o Futuro de África” pretende ser um guia essencial para os líderes empresariais gerarem crescimento, concentrando-se nos desafios sociais, económicos e ambientais em África. O estudo identifica quatro áreas de oportunidades prioritárias para as organizações desbloquearem novas fontes de valor para os seus negócios e para as partes interessadas, sendo o maior do seu género em África, e inclui a participação de 30 CEOs e líderes empresariais de algumas das maiores empresas africanas.

“As questões sociais, económicas e ambientais têm impacto directo na rentabilidade dos negócios, pelo que devem ser endereçadas com um pensamento de longo prazo de forma a gerarem soluções sustentáveis”, refere Mário Machungo, um dos executivos inquiridos neste relatório.

“O desafio de inclusão financeira em África representa uma grande oportunidade de negócio. Precisamos de formalizar grupos de poupanças (vulgares em comunidades locais por todo o continente) e aumentar o acesso financeiro à população através da tecnologia”, refere ainda este executivo.

Estimativa conservadora

Trinta líderes empresariais de todo o continente foram entrevistados para o relatório e referiram de forma unânime que, ao olhar para os desafios sociais, económicos e ambientais como oportunidades, as empresas podem gerar benefícios para o negócio e para os seus “stakeholders”. Muitos acreditam que 350 mil milhões de dólares são uma estimativa conservadora e que o valor real pode ser muito maior.

O relatório identifica oportunidades-chave para o negócio (corroboradas por estudos e “case studies” específicos), nomeadamente obter novas oportunidades de consumo: através do desenvolvimento de novos produtos e serviços inovadores que abordem especificamente os desafios sociais e ambientais – que agora são vistos como oportunidades de negócios, neste novo paradigma; criar modelos operacionais de colaboração: capacidade de reduzir os custos e os riscos através de uma gestão de negócio de forma responsável, que envolve activamente as comunidades locais nas operações, cadeias de abastecimento e utilização/eliminação do produto, etc.; impulsionar a utilização eficiente dos recursos: foco nos conceitos da economia circular e redução do consumo de recursos para reduzir custos, eliminar desperdícios e aliviar o risco; promover a confiança através da transparência: incorporar os comportamentos mais adequados em todo o negócio (anticorrupção, ética, respeito, etc.) e garantir total transparência de e para com os “stakeholders”; e o ritmo de entrega tem de aumentar rapidamente: sem a incorporação de valor partilhado no foco das estratégias empresariais, as organizações correm o risco de enfrentar fortes obstáculos. África terá um aumento de mil milhões de pessoas até 2050 e os CEOs afirmaram que o ritmo da mudança não é suficientemente elevado – há um grande risco de as empresas enfrentarem um aumento dos custos associados aos desafios sociais, económicos e ambientais.

Há também necessidade de colaboração intersectorial: as empresas líderes não podem agir sozinhas. É preciso haver uma forte colaboração entre as indústrias, os governos e as ONGs, para construir um ambiente favorável e criar valor. (jornalnoticias.mz)

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