África: Banco Mundial alerta para aumento de morte materna pós-Ébola

SIMULAÇÃO DE FUNERAL DE UM DOENTE COM ÉBOLA (Foto: Angop)

Washington – O Banco Mundial alertou na quarta-feira que a perda de profissionais de saúde devido à epidemia de Ébola na África do oeste pode aumentar as mortes de mulheres por complicações da gravidez e do parto.

SIMULAÇÃO DE FUNERAL DE UM DOENTE COM ÉBOLA (Foto: Angop)
SIMULAÇÃO DE FUNERAL DE UM DOENTE COM ÉBOLA (Foto: Angop)

Um adicional de quatro mil e 22 mortes de mulheres pode ser visto a cada ano ao longo da Guiné-Conakry, Libéria e da Serra Leoa, países mais atingidos pelo recente surto de Ébola, disse o Banco num relatório que analisa o impacto além dos efeitos directos da epidemia.

“A perda de trabalhadores de saúde pelo Ébola pode elevar as mortes maternas até taxas vistas pela última vez nestes países há 15-20 anos atrás”, disse Markus Goldstein, economista-chefe do Banco Mundial e co-autor do relatório, em comunicado.
Segundo o relatório, médicos, enfermeiros e parteiras morreram desproporcionalmente devido à epidemia, que já matou mais de 11 mil e 200 pessoas nos últimos 18 meses, a maioria delas na África ocidental.

Por exemplo, no mês de Maio, 0,1 por cento de toda a população da Libéria tinha morrido de Ébola, em comparação com 8,1 por cento dos seus trabalhadores de saúde.

A perda de trabalhadores de saúde para o Ébola provavelmente resultaria em taxas de mortalidade materna significativamente mais elevadas mesmo após os três países serem declarados livres do Ébola: 111 por cento na Libéria, 74 por cento na Serra Leoa e 38 por cento na Guiné-Conakry.

“O Ébola enfraqueceu sistemas de saúde já muito frágeis nesses países”, disse David Evans, co-autor do relatório. “O impacto devastador de Ébola deve ser o catalisador para reforçar os sistemas de saúde muito além dos seus níveis pré-Ébola”.

O relatório disse que 240 trabalhadores de saúde precisam ser contratados imediatamente entre os três países. De acordo com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, os países precisam de 43.565 médicos, enfermeiros e parteiras para atingir a cobertura de saúde adequada, observou.

Tim Evans, director de saúde, nutrição e população no Banco Mundial, pediu um “investimento urgente” que iria priorizar a formação de trabalhadores de saúde nos três países.

“Isso é para garantir que a Guiné-Conakry, a Libéria e a Serra Leoa não estão apenas equipadas para lidar com futuras epidemias mortais, mas que todos os dias as mães tenham acesso aos cuidados de saúde de qualidade de que precisam, que salvam as suas vidas e as preparam para o futuro”.

O relatório, “Mortalidade Profissional da Saúde e o Legado da Epidemia de Ébola”, foi publicado na revista The Lancet Global Health nesta quarta-feira. (portalangop.co.ao)

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