“Uma das vantagens do empresário português é a sua flexibilidade”

Pires de Lima, ministro da Economia de Portugal (Foto: D.R.)
Pires de Lima, ministro da Economia de Portugal (Foto: D.R.)
Pires de Lima, ministro da Economia de Portugal
(Foto: D.R.)

Devem ser os empresários, e não o Governo português, a olhar para Angola e ver em que sectores podem dar maiores contributos à diversificação da economia do País, defende o governante luso.

Pires de Lima lança ainda um apelo ao empresariado angolano para que esteja atento a oportunidades de investimento em Portugal.

O Fórum Angola-Portugal incide sobre a questão da diversificação da economia angolana. Que mais-valias os empresários portugueses podem trazer, nesta área?

A economia portuguesa é, por diversos factores, mais diversificada do que a angolana, pelo que é de esperar que os empresários portugueses possam trazem algumas valências a Angola, onde também teremos, certamente, muito a ganhar e a aprender. Portugal é, segundo dados do Fórum Económico Mundial, o 4.º país do mundo no que diz respeito à qualidade das suas escolas de gestão, o 8.º país em disponibilidade de cientistas e engenheiros, e o 18.º no que toca à qualidade das suas instituições de investigação científica.

Citei apenas alguns números que, para mim, mostram o que pode Portugal oferecer a Angola e às suas empresas. Se conseguirmos, por exemplo, conjugar a qualidade dos nossos gestores com a inovação científica, estou certo de que isso trará muitos e bons frutos para as duas economias.

Angola atravessa um momento económico e financeiro menos bom. Isso pode tornar o País menos interessante para investir, ou, pelo contrário, a adversidade deve ser vista como uma oportunidade para as empresas portuguesas?

Todos sabemos que o momento que Angola atravessa é, em virtude da evolução do preço do petróleo, mais difícil e exigente. Mas tempos de dificuldades são tempos de oportunidades! Temos de estar focados na execução. Nesse sentido, estamos a trabalhar para que as nossas empresas possam fazer face a este momento, como é o caso da Linha de Apoio ou do Observatório do Investimento.

Se, por um lado, a Linha de Apoio ao Fundo de Maneio já está em funcionamento, por outro, vamos ter finalmente a criação do Observatório que vai permitir uma abordagem mais prática e pragmática levando, por exemplo, à redução da burocracia e dos custos de contexto que se colocam às empresas, algo que terá, certamente, efeitos muito positivos nos níveis de investimento e trocas comerciais entre os dois países.

Portugal tem estado presente, tipicamente, em Angola, na banca, construção, telecoms e turismo/restauração. Onde pensa que existem oportunidades que devem ser aproveitadas?

Há sectores óbvios, como as infra-estruturas ou o agro-alimentar. Mas cabe às empresas detectarem e avaliarem as oportunidades e decidirem em conformidade. A decisão do que é ou não um bom investimento é uma escolha dos empresários, não dos políticos.

As empresas portuguesas devem vir sozinhas para Angola, ou é preferível fazerem parcerias com angolanos?

Os nossos empresários têm uma mente aberta e pragmática. Nas áreas em que for necessário ou recomendável estabelecer parcerias com sócios angolanos, saberão decidir em conformidade. Uma das vantagens do empresário português é a sua flexibilidade e adaptabilidade a outras culturas.

Qual a principal mensagem que gostaria de passar no fórum, do ponto de vista do governo português?

No fórum, gostaria de passar duas grandes mensagens: a primeira para as empresas portuguesas, de que estamos atentos à sua situação e a trabalhar para as ajudar no que nos for possível, o que, aliás, se pode ver pela criação do Observatório do Investimento e pelo lançamento da Linha de Apoio. A segunda é um convite para que as empresas angolanas olhem bem para Portugal, pois este é um excelente momento para se investir no país.

Portugal passou por um processo de ajustamento duro, é verdade, mas está agora a iniciar uma trajectória de crescimento sustentável, onde há boas áreas para se investir e um triplo pacote de incentivo ao investimento muito atractivo, que engloba os fundos estruturais do Portugal 2020, a Reforma do Código do IRC e o novo Código Fiscal ao Investimento, e disponível para qualquer investidor que se queira instalar em Portugal.

Os dois países vão criar um Observatório do Investimento. Em que consiste e qual a sua importância?

De facto, os dois países vão criar um Observatório do Investimento, já no dia 23 de Junho, que, como referi, irá permitir dotar quer os governos quer as empresas de dados quantitativos sobre o investimento nos dois países: desafios que se apresentam aos empresários, quais os custos de contexto que podemos reduzir, burocracias que podemos suprimir, entre muitas outras coisas que poderão ajudar não só a crescer os níveis de investimento entre os dois países, bem como a tornar os processos mais céleres.

O Governo português anunciou uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar a tesouraria de empresas, sobretudo exportadoras, em dificuldades por causa de atrasos nos pagamentos. Como tem corrido esta operação?

A Linha de Crédito para Angola está em pleno funcionamento. Já recebemos 312 pedidos de financiamento e estamos a trabalhar para que as empresas elegíveis para o fazer possam começar a receber o dinheiro ainda durante o mês de Junho.

Há empresas de origem portuguesa em Angola que se queixam de dificuldades aqui, por atrasos em pagamentos de bens e serviços fornecidos localmente. O Governo português pode criar algum tipo de apoio às suas tesourarias?

Enquanto a Linha de Crédito visa responder a um problema muito específico que tem que ver com a falta de divisas (e não de problemas de tesouraria) que impedem o pagamento das exportações efectuadas às empresas portuguesas, o atraso em pagamentos, por mais que o lamentemos, diz respeito ao risco de crédito existente entre os operadores do mercado em Angola, não sendo por isso matéria da competência do Estado português.

Depois deste fórum, que outras iniciativas podem vir a surgir para reforçar os laços empresariais entre os dois países?

Já no próximo mês de Julho, terá lugar a FILDA, que contará, mais uma vez, com uma presença muito significativa de Portugal. (expansao.ao)

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