Ucrânia: MH17 terá sido abatido por míssil que Rússia já não usa, diz fabricante

Avião da Malaysia Airlines (D.R)
Avião da Malaysia Airlines  (D.R)
Avião da Malaysia Airlines (D.R)

Produtor de mísseis BUK analisou destroços do avião abatido no leste da Ucrânia em Julho.

Desde que o voo MH17 da Malaysia Airlines foi abatido no leste da Ucrânia a 17 de Julho que o incidente está envolto em mistério. Desde o início houve trocas de acusações entre o governo ucraniano e os separatistas apoiados pela Rússia, com uma série de investigações a serem postas em marcha. Moscovo, que até hoje nega estar a apoiar os separatistas do leste do país vizinho, chegou a ser acusada de adulterar fotografias do local do acidente e, antes disso, logo nos primeiros dias após a queda do avião que voava de Amesterdão para Kuala Lumpur, os separatistas impediram uma equipa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa de aceder ao local.

Quase um ano depois da tragédia que vitimou os 298 passageiros e tripulantes que seguiam a bordo, novas provas surgem, desta vez por parte do fabricante do míssil BUK que terá sido usado para abater o aparelho. Após analisar os destroços do avião, a empresa Almaz-Antey diz ter chegado à conclusão de que só um míssil BUK da antiga linha de sistemas de defesa da era soviética, especificamente o BUK-M1, poderá ter atingido o avião. E o que isso quer dizer é que é provável que tenham sido as forças ucranianas apoiadas pelo Ocidente e não os separatistas apoiados pela Rússia a usá-lo, já que esse tipo de mísseis foram abandonados em território ucraniano após a queda da URSS.

“Se um sistema de mísseis terra-ar foi usado [para atingir o MH17], só pode ter sido um míssil 9M38M1 do sistema BUK-M1”, anunciou ontem o fabricante deste tipo de armas. “A produção de mísseis BUK-M1 foi descontinuada em 1999, altura em que a Rússia passou todos esses mísseis que restavam aos seus clientes internacionais”, é referido no comunicado da empresa. “Desde 1995 que nenhum destes mísseis foi fornecido às forças armadas russas e nenhum está, neste momento, a ser usado pelo exército russo.”

No documento é, contudo, avançado que “teoricamente” não está totalmente excluída a possibilidade de o Boeing em questão ter sido atingido por outro tipo de arma. A Almaz-Antey refere ainda que as “conclusões finais” da sua própria investigação ao caso só poderão ser tiradas quando “todos os testes forenses necessários” forem concluídos pela comissão oficial de inquérito ao acidente do MH17.

Pouco depois de o relatório da empresa ter sido publicado, a Rússia, que também diz há vários meses estar a investigar ela própria o caso, revelou a identidade da “testemunha-chave”do seu inquérito, um desertor da força aérea ucraniana que está sob protecção de Moscovo. Evgeny Agapov, até agora mecânico de armamento de aviação na força aérea da Ucrânia, estava a ser protegido há vários meses pelo Estado russo, mas “perante novas provas e notícias de alguns meios de comunicação que questionavam a veracidade da nossa testemunha, decidimos revelar a sua identidade”, avançou o porta-voz da comissão de inquérito russa, Vladimir Markin.

Segundo Markin, Agapov “atravessou voluntariamente a fronteira [da Ucrânia] para a Federação Russa e expressou o seu desejo de cooperar na investigação russa”. De acordo com o testemunho que deu às autoridades moscovitas, um caça ucraniano Sukhoi Su-25, pilotado por um capitão Voloshin, “levantou voo com uma missão militar específica” horas antes de o MH17 ter sido abatido e o avião regressou à base sem munições. Essa informação difere das conclusões preliminares do fabricante dos mísseis BUK, que funcionam por terra-ar e não disparados por aparelhos aéreos. (ionline.pt)

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