Tchad: Duplo atentado na capital deixa pelo menos 23 mortos e 101 feridos

(D.R)

N’Djamena – O Tchad, que está na linha de frente na luta contra os islamitas armados nigerianos do Boko Haram, foi alvo na segunda-feira de um duplo atentando que deixou pelo menos 23 mortos e 101 feridos em N’Djamena, a capital do país.

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O ataque foi direccionado a uma delegacia central da cidade e à academia de polícia, indicou o governo num comunicado, e nele também morreram quatro “terroristas”, embora, segundo as autoridades, a situação esteja agora “sob controlo”.

O governo anunciou a criação de uma unidade de crise para fazer frente a estes atentados, os primeiros desta magnitude em N’Djamena, e proibiu a circulação de viaturas com película nos vidros.

As forças de segurança mobilizaram-se na capital, onde a segurança está reforçada há meses devido às ameaças do Boko Haram.

Pouco antes, um dirigente da polícia local informou à AFP que dois terroristas suicidas tinham atacado simultaneamente a delegacia e a academia de polícia, onde havia muitos jovens.

Segundo outra fonte policial, o “modus operandi” é o mesmo dos jihadistas nigerianos do Boko Haram, embora os atentados ainda não tenham sido reivindicados.

O governo realizou uma reunião de crise sem a presença do presidente Idriss Deby Itno, que estava na África do Sul a participar numa cimeira da União Africana (UA) e prevê voltar o mais breve possível ao país.

A França condenou os ataques e declarou o seu “apoio à luta contra o terrorismo” numa declaração do ministério das Relações Exteriores.

Em visita a Argel, o presidente François Hollande disse que “não há dúvidas” de que o Boko Haram é o “responsável” pelo duplo atentado.
“Não há dúvidas de que o Boko Haram é responsável e terá que prestar contas por este novo horror humano”, disse segunda-feira em conferência de imprensa, após um encontro com o presidente argelino, Abdelaziz Buteflika.

Em Fevereiro, o presidente Deby mobilizou o seu exército na Nigéria para combater os extremistas do Boko Haram, cujo líder, Abubakar Shekau, ameaçou em várias ocasiões atacar os interesses do país.

Desde Fevereiro, o exército do Tchad actua na linha de frente nesta operação militar regional, que também inclui tropas dos Camarões, Nigéria e Níger, destinada a expulsar o grupo islamita dos territórios que controla no nordeste da Nigéria.

N’Djamena fica 50 quilómetros a nordeste da Nigéria, onde o Boko Haram tem uma forte presença, embora a capital seja vigiada pelas forças de segurança e pelos serviços de inteligência do Tchad.

A 11 de Junho passado, durante uma cimeira em Abuja, a Nigéria, o Níger, o Tchad, os Camarões e o Benin acordaram formar uma força regional conjunta para melhorar a luta contra o Boko Haram, agora vinculado aos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Esta força multinacional (MNJTF, na sigla em inglês), composta por oito mil e 700 homens, será comandada pela Nigéria e terá o seu quartel-general em N’Djamena.

A 20 de Maio, o Parlamento tchadiano aprovou uma extensão da intervenção militar contra o Boko Haram, lançada em Fevereiro.

Segundo fontes militares do Tchad, cinco mil soldados do país estão envolvidos na luta contra o Boko Haram. Em Abril, N’Djamena registou 71 baixas no âmbito desta operação. (portalangop.co.ao)

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