Superar a crise

BOAVENTURA V. S. MANUEL Mestre em Finanças (Foto: D.R.)
BOAVENTURA V. S. MANUEL Mestre em Finanças (Foto: D.R.)
BOAVENTURA V. S. MANUEL
Mestre em Finanças
(Foto: D.R.)

Em países, por todo o mundo, os cidadãos comuns sentem-se ameaçados (…), uma questão que não se cala: conseguirão estes cidadãos reformar-se com algum conforto? De facto, apesar de uma parte deste universo estar inserido nos mercados (emergentes), reconhece-se a precariedade das suas fortunas.

Aspectos como consumismo e imediatismo esfumaçam a visão racional que se impõe no combate à pobreza extrema. Para os que conseguem ter uma perspectiva além da urgência da crise económica, as inseguranças são ainda maiores, podendo mergulhar noutras crises (climáticas, terrorismo, e outras). As pessoas têm desde sempre corrido riscos. Assim, entendemos contribuir com o seguinte pensamento: “…não é possível, e por isso, não se pretende evitar os riscos nos actos e relações da vida humana, mas é importante tomar consciência destes de forma a explicitar e apoiar os responsáveis na tomada de decisões, face a um futuro incerto”, Megre, 2013.

Como efeito da crise financeira global, registou-se, em alguns países, a redução das suas exportações em mais de 30 por cento (Brasil) e, em outros, o desemprego dos jovens chegou aos 50 (Grécia), sobretudo no período entre 2008 – 2009. Neste contexto, invocamos o gigante asiático (China), audaz e perspicaz, cujo governo permitiu que fosse usado por empresas multinacionais e outras não registadas pelo alvará como uma plataforma de exportação. Esta política fez do país um grande competidor entre outras economias de exportação asiáticas, como Coreia do Sul, Singapura e Malásia. Aqui, entre nós, não distante dos demais (desenvolvidos e em desenvolvimento), o desencanto na área social resulta da distribuição desigual dos benefícios.

Do mesmo modo, na área económica sente-se uma acentuada volatilidade financeira e um elevado défice regulamentar. Esta constatação é evidenciada na “faculdade da rua”, onde, a título de exemplo, estes cidadãos comuns baptizaram as viaturas de luxo 4×4 «=16». Este acréscimo, que do ponto de vista comercial e de segurança parece absurdo, foi uma resposta do querer e saber demonstrado por eles. Está constatado que a globalização esvazia, em certa medida, a presença dos governos, deixando-os impotentes face às suas tarefas. No entanto, concordamos que as cidades estejam mais próximas da sociedade civil do que os Estados, respondendo, por isso, melhor às suas necessidades.

“O governo é chamado não apenas na regulação dos mercados financeiros (ex. protecção dos cambiais), mas também no desenvolvimento de novos produtos de redução de risco…Mesmo com uma segurança social mais extensa, continua a haver necessidade de melhores seguros de reforma”, Stiglitz & Kaldor, 2015. Apontamos o dedo às cidades (municí- pios e vilas) que, como acima mencionamos, têm, entre outros papéis, a promoção das sociedades e o fortalecimento das suas instituições. A particularidade citada «=16», chama-nos à reflexão do capital humano (des)valorizado nas estatísticas.

Se atendermos ao facto de também existirem divergências nos mercados desenvolvidos, deste modo, as oportunidades económicas e sociais são significativamente afectadas pela posição que as cidades ocupam na hierarquia do país. Associamos à reflexão anterior o divórcio celebrado entre produtores e consumidores de alimentos, tendo em conta que, nos últimos anos, como testemunha a história, provocou o aumento da necessidade de importação de produtos básicos, bem como o crescimento da população urbana (Luanda 6,5 milhões de habitantes).

Esta constatação fundamenta-se a partir do jovem adulto da zona rural, que deveria constituir o motor do desenvolvimento desta, dada a sua maior preparação e abertura à inovação. Todavia, este migra para cidade em busca de conforto. Certo modo, assistem-se os esforços traduzidos em políticas de apoio integrado ao regresso das populações deslocadas às suas regiões de origens. O que se procura é melhorar os níveis de confiança e proporcionar uma longevidade profícua. Para tal, recomenda-se a adopção de instituições económicas mais inclusivas, mais incentivos de mercado na agricultura e na indústria, assim como em tecnologia “nossa” e/ou estrangeira. (jornaldeeconomia.ao)

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