Suíça identifica 53 casos suspeitos de lavagem de dinheiro pela Fifa

O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, durante entrevista coletiva em Berna nesta quarta-feira. (REUTERS/Ruben Sprich)
O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, durante entrevista coletiva em Berna nesta quarta-feira. (REUTERS/Ruben Sprich)
O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, durante entrevista coletiva em Berna nesta quarta-feira.
(REUTERS/Ruben Sprich)

A justiça da Suíça investiga 53 registos bancários suspeitas de lavagem de dinheiro por parte da Fifa nos processos de selecção das cidades sedes das Copas do Mundo da Rússia-2018 e Catar-2022. Segundo o procurador-geral suíço Michael Lauber, as operações suspeitas, que podem envolver uma ou várias contas, foram denunciadas pelos bancos à Autoridade de Combate à Lavagem de Capitais da Suíça (MROS). O procurador acrescentou que a investigação é “muito complexa e levará tempo”.

“Destacamos de maneira positiva que os bancos na Suíça cumpriram com a obrigação em termos de actividades suspeitas relacionadas com contas bancárias da Fifa”, declarou Lauber em uma entrevista colectiva nesta quarta-feira (17) em Berna.

O procurador detalhou algumas informações relacionadas com a investigação contra a Fifa, que ele admitiu que despertou um “enorme interesse internacional”. “Um total de 104 registos bancários estão sob investigação, além dos 53 casos suspeitos informados pelos bancos à Autoridade de Combate à Lavagem”, disse.

A Suíça adoptou há alguns anos um arsenal jurídico para lutar contra a lavagem de capitais, uma prática da qual eram acusados com frequência os bancos instalados no país. A lei em vigor obriga os bancos a comunicar à autoridade competente as quantias suspeitas de servir para a lavagem de dinheiro.

Investigação complexa e longa

Lauber disse que cada movimentação bancária sob investigação pode incluir várias contas, o que complica ainda mais o trabalho dos peritos, que será longo. “O mundo do futebol deve ser paciente, isto vai durar mais de 90 minutos”, destacou o procurador.

Lauber repetiu que não descarta ouvir o depoimento do presidente da Fifa, Joseph Blatter, assim como o do secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke, em caso de necessidade para a investigação.

Ao ser questionado se além das Copas da Rússia e do Catar, a justiça suíça também investiga a escolha da África do Sul como sede do Mundial de 2010, Lauber recorreu ao sigilo de instrução para não responder. Ele não informou igualmente se os documentos confiscados durante uma operação policial na sede da Fifa em Zurique foram retirados do escritório do presidente Joseph Blatter. O Ministério Público da Suíça criou um grupo de trabalho específico para investigar este caso.

Paralelamente, a justiça americana indiciou 14 dirigentes da Fifa e executivos de empresas de marketing relacionadas com a entidade, acusados de terem recebido US$ 150 milhões em subornos nas últimas duas décadas. Sete cartolas, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, permanecem detidos na Suíça, à espera de uma possível extradição aos Estados Unidos. As detenções aconteceram dois dias antes da eleição na Fifa, na qual o suíço Joseph Blatter, de 79 anos, foi reeleito para um quinto mandato. No entanto, quatro dias depois, o dirigente renunciou ao cargo.

Demissão do secretário-geral da Confederação Asiática

Nesta quarta-feira, o secretário-geral da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Alex Soosay, renunciou ao cargo, depois de ter sido acusado de falsificar provas relacionadas com pagamentos efectuados a Mohamed bin Hammam, ex-presidente da AFC. Hammam, presidente da instituição de 2002 a 2011, foi banido do futebol em 2012 pela Fifa, depois que tentou comprar votos durante a campanha para a presidência da federação em 2011. (rfi.com)

com informações da AFP

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