Situação actual considerada oportuna para instalação do mercado secundário da dívida pública

António Furtado, presidente BODIVA (Foto: D.R.)
António Furtado, presidente BODIVA (Foto: D.R.)
António Furtado, presidente BODIVA
(Foto: D.R.)

O presidente da Bolsa da Dívida e de Valores de Angola, António Furtado, considerou quinta-feira, em Luanda, que o período actual que o país vive, com limitações financeiras, é uma oportunidade para o desenvolvimento do mercado secundário da dívida pública.

Segundo o responsável, que falava a propósito do estado actual da economia angolana, há muitos recursos ociosos e a bolsa de valores pode mobilizar esses recursos através da sua plataforma, no sentido do financiamento sustentável da economia.

“Esse é um projecto que ainda está a nascer, mas há grandes potencialidades de progressão, porque se nós virmos, a maior parte do financiamento da nossa economia é assegurado pelo crédito bancário”, referiu.

Para o líder da Bodiva, com o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários, haverá uma grande margem de progressão, pois o recurso ao mercado é uma oportunidade que deve ser explorada para as pessoas financiarem os seus projectos.

“Temos que ver a melhor combinação entre o financiamento pelo sistema bancário e pelo mercado, pois, nos sistemas mais desenvolvidos, a maior parte das entidades vai ao mercado para procurar financiamentos”, disse.

Referiu, como exemplo, que em Angola, por ausência do mercado de valores mobiliários, o financiamento é garantido a cem por cento pelo sistema bancário, mas nos Estados Unidos da América a maior parte dos financiamentos são garantidos pelo mercado bolsista, na ordem dos 75/80 por cento.

António Furtado defende ser necessário continuar a dinamizar o mercado secundário da dívida pública, criar instrumentos para que se tenha o mercado da dívida corporativa, o mercado de acções e tentar atrair outros fundos de investimentos imobiliários internacionais.

“Estamos a tentar analisar conjuntamente com os órgãos da direcção da economia, no sentido de mobilizar as poupanças externas, porque não é só com a mobilização das poupanças internas que se consegue financiar a nossa economia, é necessário também mobilizar grandes poupanças externas que existem e que estão a espera de uma oportunidade”, concluiu.

Mercado de valores mobiliários é um segmento do mercado financeiro que tem como característica o investimento em captações públicas, em dinheiro ou bens com valor monetário, onde o investidor fornece capital de risco a um empreendimento ou projecto.

Nestes casos, o investidor não tem poder de gerência directa, mas pode vender a sua participação a qualquer momento (no mercado aberto) ou numa data de vencimento previamente especificada, se houver um contrato. 

(Angop/Expansão)

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