Rwanda: Detenção do chefe dos serviços de inteligência em Londres é uma “loucura” – Governo

MINISTRA DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO RWANDA, LOUISE MUSHIKIWABO (Foto: Angop)

Kigali – A detenção, no sábado em Londres, do chefe dos serviços rwandeses de inteligência na sequência de um mandado de captura europeu é “inaceitável” e demonstra a “loucura dos pró-genocidiários”, reagiu nesta terça-feira a ministra rwandesa dos Negócios Estrangeiros, Louise Mushikiwabo.

MINISTRA DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO RWANDA, LOUISE MUSHIKIWABO (Foto: Angop)
MINISTRA DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO RWANDA, LOUISE MUSHIKIWABO (Foto: Angop)

“A solidariedade ocidental para rebaixar os africanos é inaceitável. É um escândalo deter um responsável rwandês na base da loucura pró-genocida”, escreveu Mushikiwabo na sua conta no Twitter.

O general Emmanuel Karenzi Karake, de 54 anos, chefe dos serviços de inteligência do Rwanda, foi detido no sábado em Londres na sequência de um mandado europeu emitido pelas autoridades espanholas por crimes de guerra, confirmou terça-feira o ministério britânico dos Negócios Estrangeiros.

O general Karenzi Karake, que foi entre 2008 e 2009 o número dois da missão de paz da ONU-União Africana implantada em Darfur (MINUAD), no oeste do Sudão, é procurado juntamente com 39 outros oficiais rwandeses pela sua suposta responsabilidade nos massacres de civis rwandeses entre 1994 e 1997, presumidamente cometidos pelo Exército Patriótico Rwandês (APR).

Segundo o mandado de detenção, o general era na época o chefe da inteligência militar da APR, braço armado da Frente Patriótica Rwandesa (FPR). Inicialmente uma rebelião baseada no Uganda e comandada pelo actual chefe de Estado rwandês, Paul Kagame, a FPR tomou o poder no Rwanda em Julho de 1994, pondo fim ao genocídio iniciado em Abril de 1994 pelo regime extremista hutu, que causou 800 mil mortes principalmente na minoria tutsi.

Um alto responsável do ministério rwandês dos Negócios Estrangeiros qualificou o mandado de captura como “um acto de acusação”. “É um horror. Com todas as piores teorias de conspiração”, explicou à AFP em Kigali.

Em 2007, a ONG Human Rights Watch pediu à ONU para investigar o papel do general Karenzi Karake nos massacres de civis, presumivelmente cometidos pelo exército rwandês em 2000, em Kisangani, no leste da República Democrática do Congo, onde combatia as tropas ugandesas.

“Como comandante das forças rwandesas enviadas a Kisangani em Junho de 2000, o general Karake tem responsabilidade directa ou de comando por violações do direito internacional cometidas pelas tropas rwandesas contra civis congoleses”, escrevia então a HRW. (portalangop.co.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA