PROFIR põe em marcha 257 unidades industriais até 2017

(Foto: D.R.)
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Programa de Fomento da Pequena Indústria Rural investe 6,2 mil milhões Kz em todo o País. Fernando Pacheco, perito em assuntos rurais, afirma que o programa é “bom”, mas alerta que verbas são reduzidas.

O Governo quer operacionalizar 256 pequenas unidades industriais, incluindo 117 novas, até 2017, no âmbito do Programa de Fomento da Pequena Indústria Rural (PROFIR), indica o diploma que aprova a iniciativa, publicado em Diário da República.

O programa envolve um investimento de cerca de 6,2 mil milhões Kz (61,8 milhões USD) e abrange todas as províncias. O diploma (Decreto Presidencial n.º 111/15, de 13 de Maio) explica que o PROFIR, que será implementado e acompanhado pelo Ministério da Indústria, “visa a promoção da pequena indústria rural a nível nacional através do fomento de microempresas industriais a nível das comunas e municípios”.

Os objectivos gerais do programa são trazer um “estímulo a mais de 20 actividades da indústria transformadora rural”, assim como “aumentar o emprego e geração de rendimento a nível local”, a “redução da pobreza no meio rural e das assimetrias regionais”, a “diversificação da economia” e a “integração das unidades do mercado”.

No total, são 256 unidades industriais, das quais 117 novas e 139 a requalificar, distribuídas pelos sectores da agro-indústria, ‘indústria alimentar’, ‘indústria da madeira’ e ‘prestação de serviços e outras actividades’.

No caso da ‘agro-indústria’, o PROFIR quer promover a construção e/ou requalificação de moinhos de mandioca para a produção de fuba de bombó, unidades de torrefacção de farinha de mandioca, moinhos de milho para a produção de fuba de milho, unidades de produção de doces e polpas, unidades de produção e embalagem de óleo de palma, unidades de transformação e torrefacção de café, unidades de destilação de cana-de-açúcar e milho, unidades de produção de ração e unidades de secagem, descasque, branqueamento e embalagem de arroz.

Na ‘indústria alimentar’, o programa aposta em unidades de panificação e pastelaria, unidades de seca de peixe e unidades de processamento de mel e cera. Para a ‘indústria de madeira’, o objectivo é promover serrações, carpintarias, marcenarias e estofadores.

Na ‘prestação de serviços e outras actividades’, o PROFIR quer desenvolver ou requalificar serralharias, oficinas de motorizadas e triciclos, e reparação dos respectivos pneus e câmaras de ar, oficinas para tractores agrícolas, reboques, alfaias e unidades de reparação dos seus pneus e câmaras de ar, afaiatarias por medida, unidades de confecção de roupa (produção em série), unidades de olaria, unidades de reciclagem de óleos, materiais ferrosos e plásticos, e unidades de passamanarias.

Investimento ronda 2 mil milhões Kz por ano

Este ano, segundo o diploma, o PROFIR, que é uma das componentes do Programa de Industrialização de Angola 2013-2017, vai investir cerca de 2,1 mil milhões Kz (20,9 milhões USD) na construção de 23 novas unidades industriais e na requalificação de 85 já existentes. Em 2016, o programa vai abranger 74 unidades, incluindo 37 novas, num investimento de cerca de 2 mil milhões Kz (20,5 milhões USD) e, em 2017, irá também lançar ou requalificar 74 unidades, das quais 57 novas, em idêntico valor.

As províncias de Benguela, Bié, Lunda Norte e Namibe, com 18 projectos cada, são as mais abrangidas (ver mapa nesta página), seguindo-se o Cuando Cubango, o Huambo e a Huíla, com 17 cada, e o Moxico, com 16. Luanda (8) e o Cunene (3) são as províncias onde o PROFIR terá menos impacto.

Programa surge “tarde”, diz Fernando Pacheco

Em declarações ao Expansão, Fernando Pacheco, engenheiro agrónomo e especialista em desenvolvimento agrícola e rural, considera que o PROFIR é “um bom programa”, ainda que “peque por aparecer tarde”.

“Pode e deve estimular a produção agrícola e contribuir para desenvolvimento rural, principalmente pela criação de emprego não agrícola, uma aspiração dos jovens rurais, e com isso contribuir para reduzir a sua migração desses jovens para as cidades”, defende o antigo director nacional da Agricultura, actualmente consultor independente. Para o responsável, o programa poderá ter, contudo “dois aspectos menos positivos”.

“Realizá-lo em dois anos em todas as províncias parece- medemasiadoambicioso”, diz, sublinhando que, “infelizmente, esta é uma tendência do Executivo que não tem dado certo, basta ver o que acontece com os BUE”. Para o responsável, seria preferível que o programa arrancasse “num pequeno grupo de províncias a fim de se testarem métodos e treinar empreendedores, operários e quadros, e só depois deve ser feita a expansão”.

“Seria mais seguro e sustentável. Mais uma vez, o objectivo político sobrepõe-se ao económico”, afirma Fernando Pacheco, para quem, por outro lado, “a verba [contemplada] parece ser exígua para a dimensão pretendida”.

“Em termos gerais, temos uma média que ronda os 3 milhões [USD] por província, o que me parece muito pouco. Mais um argumento para a restrição do número de províncias”, diz o especialista. (expansao.ao)

Por: Ricardo David Lopes

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