Portugal pode contribuir mais para a diversificação económica

((D.R.)
((D.R.)
((D.R.)

Fórum Empresarial Angola-Portugal junta na próxima terça-feira, em Luanda, mais de 450 empresários, num megadebate sobre a diversificação económica de Angola, onde será lançado o Observatório do Investimento bilateral.

Presidente da ANIP está “optimista”, e líder da AIA vê novas oportunidades para os dois países, incluindo na SADC.

Mais de 450 empresas, mais de metade das quais de direito angolano, vão marcar presença, na próxima terça-feira, em Luanda, no I Fórum Empresarial Angola-Portugal. No evento, subordinado ao tema Juntos na Diversificação da Economia, os ministros da Economia dos dois países vão confirmar a criação de um Observatório do Investimento, que já havia sido anunciado, em Abril, pelo governo de Portugal.

Ao Expansão, António Pires de Lima, ministro português da Economia, explica que o Observatório “vai permitir uma abordagem mais prática e pragmática, levando à redução da burocracia e dos custos de contexto que se colocam às empresas”, o que “terá certamente efeitos muito positivos nos níveis de investimento e trocas comerciais” bilaterais.

A estrutura, adianta o ministro, “irá permitir dotar quer os governos, quer as empresas, de dados quantitativos sobre o investimento nos dois países” e monitorizar os “desafios que se apresentam aos empresários”. A estrutura, acredita António Pires de Lima, irá “ajudar não só a crescer os níveis de investimento entre os dois países, bem como a tornar os processos mais céleres”.

ANIP optimista Maria Luísa Abrantes, presidente do conselho de administração (PCA) da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), assume ter “expectativas óptimas” em relação ao evento, onde marcará presença, e destaca que Portugal tem dado provas de ser um parceiro de longo prazo.

“Mesmo num período difícil, Portugal concedeu uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar as suas empresas de comércio e serviços”, sublinha a responsável, em declarações ao Expansão, aludindo às ajudas que o Estado luso tem dado às suas exportadoras com dificuldades nos recebimentos de Angola, a braços com uma quebra no crescimento económico causado pelo recuo das receitas petrolíferas.

Para a PCA da ANIP, apesar de Angola estar a fazer uma forte aposta na captação de investimento e apoio chinês, Portugal não perde o ‘seu’ espaço. “É mais fácil trabalhar com as empresas portuguesas, nomeadamente por causa da língua comum”, afirma, sublinhando que Portugal “lidera as propostas de investimento e os projectos aprovados pela ANIP”. Em 2013, recorda Maria Luísa Abrantes, a China, que tem vindo a investir fortemente em Angola, passou Portugal, mas, em 2014, o país europeu “voltou a liderar” no investimento.

A ANIP não divulgou ainda valores do investimento até ao fim de 2014, mas, segundo dados do Banco de Portugal, o investimento luso em Angola ascendeu, em 2013, a perto de 350 milhões de euros.

Nesse ano, houve uma quebra do investimento directo de Portugal, fruto da situação de fragilidade económica que o país tem vindo a atravessar – e que motivou um pedido de auxílio financeiro internacional. Entretanto, o Banco de Portugal alterou os critérios de contabilização do investimento externo, o que torna difícil avaliar a evolução deste indicador em 2014.

Em 2013, também Angola investiu menos em Portugal face ao ano anterior. Em 2012, o investimento directo líquido angolano em Portugal tinha ascendido a quase 206 milhões de euros; no ano seguinte, caiu para cerca de 100 milhões.

De 2014, ainda não há dados fiáveis disponíveis. Um novo ‘olhar’ sobre Angola Banca, telecomunicações, energia e imobiliário, a par dos media e restauração, têm sido os sectores de ‘eleição’ dos investidores angolanos em Portugal. Em sentido contrário, os portugueses têm investido, também, na banca e telecomunicações angolanas, tendo uma forte presença na construção e em alguns sectores industriais associados.

Agora, defende Luís Moura, delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), numa altura em que Angola está mais empenhada em diversificar a economia, para reduzir a dependência do petróleo, os empresários lusos devem ‘olhar’ para outras áreas, como a energia, e a indústria alimentar e de bebidas.

“A logística e a distribuição estão a passar por momentos de grande dinamismo e desenvolvimento e que abrange uma transversalidade de sectores, dos bens de consumo aos materiais de construção, passando pelo sector farmacêutico”, destaca, defendendo ainda que há oportunidades nos serviços, tecnologias, formação e educação.

Portugal pode dar mais, diz José Severino Para José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), as empresas portuguesas têm “inquestionavelmente” contribuído para a diversificação da economia angolana, mas defende que poderiam ter contribuído mais “se a situação da economia de Portugal tivesse gozado de elasticidade” e se a lei angolana do investimento “não fosse tão envolvida e sem motivação para as micro, pequenas e médias empresas”.

Este contributo, afirma, pode ser melhorado se as empresas de Portugal tiverem “apoio financeiro” de Lisboa e se existir “adequação” da nova Lei do Investimento Privado angolana, numa altura em que já gozam do “conforto” na nova Lei Geral do Trabalho, que “equilibrou as relações entre empresas e trabalhadores”. Mas, sublinha, é também preciso haver “maior agressividade empresarial angolana e maior apoio do Executivo”.

“Em projectos conjuntos, teremos excelentes possibilidades de intervenção de sucesso na Zona de Comércio Livre da SADC”, com 220 milhões de consumidores, diz José Severino, que destaca a necessidade de haver mais “qualificação do sistema judicial e do nosso ambiente de negócios”, e “finalmente, saúde cambial” no País. (expansao.ao)

Por: Ricardo David Lopes

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA