“Os cinco” ex-presos cubanos na Flórida visitam Angola

Cartaz dos cinco cubano ex-presos nos EUA (ANGOP)
Cartaz dos cinco cubano ex-presos nos EUA (ANGOP)
Cartaz dos cinco cubano ex-presos nos EUA (ANGOP)

Os cinco cubanos que durante 16 anos cumpriram prisão na Florida, Estados Unidos da América, acusados de espionagem, chegam na primeira quinzena de Julho a Angola, para uma visita de três dias, durante a qual vão manter contacto com autoridades políticas e membros da sociedade civil angolanos.

A informação foi prestada nesta sexta-feira, em Luanda, pela embaixadora de cuba em Angola, Gisela Garcia, em conferência de imprensa improvisada, pouco antes do início da primeira reunião da comissão criada para preparar as “condições de uma recepção condigna” da comitiva.

De acordo com Gisela Garcia, a vinda a Angola dos cinco “heróis anti-terroristas” é uma resposta ao convite de sectores da vida sócio-política angolana, entre eles o partido de Governo, o MPLA, o Parlamento, organizações de solidariedade com Cuba, a Liga Angolana de Amizade e Solidariedade com os Povos (LAASP) e outros.

Na realidade, explicou a diplomata, Angola é a terceira etapa da digressão africana de “Los Cinco”, já que a comitiva responderá primeiro o convite do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul e da Organização dos Povos do Sudoeste Africano (SWAPO) da Namíbia.

A uma pergunta sobre o porquê da digressão não iniciar em Angola, Gisela Garcia respondeu que a situação se deve ao facto de, na Africa do Sul, realizar-se, nessa ocasião, um simpósio que vai abordar justamente a “batalha travada para a libertação dos cinco”.

Antônio Guerreiro, Fernando González, Ramón Labañino, Gerardo Hernandez e René González, acusados de espionagem, monitoravam os planos de organizações terroristas anti-cubanas, financiadas pelos EUA, e localizadas no sul da Florida.

Quatro membros do grupo, revelou a embaixadora, são conhecedores de Angola, já que fizeram parte do contingente militar cubano que, em apoio às FAPLA, combateram o regime segregacionista do apartheid.

Detalhando, Gisela Garcia deu a conhecer que três deles estiveram na segunda região militar de Cabinda, dois no regimento de tanques e o outro nas comunicações e o quarto na Huíla e Cunene, regiões que, a princípio, devem receber as suas visitas.

O presidente em exercício da LAASP, Elias Disengomoka, que faz parte do comité que prepara a recepção da comitiva cubana, disse à Angop que a vinda da delegação cubana é a demonstração de que os dois povos continuam unidos, “antes e agora”.

“Isso (a visita) é uma demonstração inequívoca da solidariedade que une os povos de Angola e de Cuba, tanto naquele tempo de sofrimento (dos angolanos) e agora que os dois países respiram a paz”, disse Elias Disengomoka.

Informações disponíveis revelam que a actividade dos cinco permitiu a frustração de numerosas acções, desde a transferência ilegal de armas para a ilha, a preparação de atentados contra a vida dos principais dirigentes cubanos.

Desde suas condenações, gerou-se uma campanha internacional para que os cinco fossem libertados. Mesmo nos Estados Unidos, foi criado um comité nacional, oito vencedores do Prémio Nobel escreveram cartas para o Procurador-geral dos Estados Unidos a pedir a sua liberdade.

Em Angola, muitas organizações sócio-políticas fizeram apelos e exigências para a causa dos cubanos, com destaque para “os Caimaneiros”, um activo movimento integrado por centenas de angolanos que fizeram grande parte dos seus estudos na ilha caribenha.

Este movimento, presidido por um dos mais conhecidos homens das artes angolanas, o escultor Tomas Ana Etona, chegou mesmo a escrever para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os “Cinco Heróis Cubanos” seriam libertados 16 anos depois, com a assinatura do acordo histórico, entre os Estados Unidos e Cuba. (portalangop.co.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA