Novo presidente do BAD vai melhorar plano de ajudas

O nigeriano Akinwumi Adesina tem pela frente o desafio de controlar os fluxos dos custos operacionais da instituição (Foto: D.R.)
O nigeriano Akinwumi Adesina tem pela frente o desafio de controlar os fluxos dos custos operacionais da instituição (Foto: D.R.)
O nigeriano Akinwumi Adesina tem pela frente o desafio de controlar os fluxos dos custos operacionais da instituição
(Foto: D.R.)

O antigo ministro da Agricultura do Governo cessante de Goodluck Jonathan Akinwumi Adesina derrotou nas eleições realizadas a sua mais directa perseguidora a cabo-verdiana Cristina Duarte.

No passado dia 28 de Maio, o nigeriano Akinwumi Adesina foi eleito à presidência do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a maior instituição financeira panafricana. Os dossiers a tratar: o saneamento do ambiente de trabalho, o controlo dos custos operacionais e uma melhor orientação da ajuda aos países africanos.

Akinwumi Adesina é um nome até aqui desconhecido da alta finança africana. No entanto, este economista de 55 anos foi eleito presidente do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), com 58,1por cento dos votos dos accionistas e 60,5 dos africanos, deixando para trás o tchadiano Badoumra Kordjé e a cabo-verdiana Cristina Duarte.

Antigo ministro da Agricultura do Governo cessante de Goodluck Jonathan, Akinwumi Adesina ocupou sempre o primeiro lugar durante a corrida à presidência do BAD. Com a sua vitória, contraria todos aqueles que anunciavam o fracasso da primeira potência económica africana (fora os Marrocos, nenhum grande país do continente tinha até agora assumido a presidência do BAD) e o de um candidato que não pertence ao mundo das finanças.

Desde a obtenção do seu doutoramento em agro-economia na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, há vinte e sete anos, o nigeriano tem-se dedicado exclusivamente à área agrícola.

“Durante as suas audições da véspera, foi um dos três candidatos mais convincentes, explicou um assistente de um dos governadores. O lobbying intensivo de Ngozi Okonjo-Iweala (ministra nigeriana das Finanças cessante e ex-directora-geral do Banco Mundial) teve certamente uma grande influência junto dos votantes não africanos.” Aliás, tão logo eleito, foi com a sua “irmã mais velha” que Akinwumi Adesina posou para os fotógrafos.

Face ao seu estatuto de primeiro accionista do BAD com 9,3 por cento das acções, não se pode considerar um fracasso as demais candidaturas, especialmente de Cristina Duarte e Bedoumra Kordjé. A candidatura da cabo-verdiana revelou profundas divergências entre accionistas africanos e accionistas internacionais. Apoiada em força por estes últimos, com mais da metade dos votos na primeira volta, a ministra das Finanças de Cabo Verde, única mulher na corrida eleitoral, nunca conseguiu convencer os eleitores continentais: em cada uma das seis voltas, só alcançou 6 por cento dos votos. “O apoio concedido por vários países não africanos, principalmente por ser uma mulher, foi muito mal interpretado”, avançou um membro de delegação africana. E, ao contrário da eleição de Donald Kaberuka em 2005, cujo êxito tinha sido garantido por Estados não africanos, a obstinação destes últimos não foi suficiente.

OS DESAFIOS DE AKINWUMI ADESINA

Adesina é conhecido agora pela revolução verde que promoveu na Nigéria. A produção agrícola cresceu exponencialmente e hoje tem um peso grande no PIB do gigante africano.

Será que Akinwumi Adesina, animado pela revolução que suscitou na agricultura nigeriana através da sua luta contra a corrupção que gangrenava a distribuição de fertilizantes, será capaz de reformar o BAD? Pois o balanço de Donald Kaberuka foi apreciado, mas criticado… em “off”, apesar de ter sido muitas vezes elogiado oficialmente nas assembleias anuais da instituição, que ocorreram de 25 a 29 de Maio.

No entanto, cabe realçar os avanços significativos realizados pelo ruandês, tal como evocou no seu discurso: “a gestão da crise internacional; o discurso sobre o desenvolvimento de África levado até ao G20; a notação AAA do banco e, obviamente, um aumento histórico do capital (triplicou) em 2010”.

Em dez anos, o BAD, que se tornou um interlocutor credível e respeitado nas praças financeiras internacionais, investiu 28 mil milhões de dólares nas infra-estruturas (cerca de 3 triliões de kwanzas) e aumentou significativamente a sua actividade com o sector privado.

Bons resultados marcados, no entanto, por aspectos nebulosos e tensões. “O novo presidente (que tomará posse apenas a 1 de Fevereiro de 2016) terá de reformar substancialmente a organização interna, onde reina hoje a cultura do medo. Resultado: os empregados são pouco empreendedores”, salienta um especialista do banco. Adesina terá também de abordar a questão dos custos que se tornou uma fonte de conflitos entre Donald Kaberuka e os accionistas: entre 2009 e 2014, as despesas administrativas quase duplicaram, enquanto o resultado líquido foi dividido por dois. Com o regresso da sede do Banco em Abidjan, cujo custo ainda é um segredo bem guardado, os salários dos empregados (cujo número duplicou em dez anos) aumentaram provisoriamente de 26 por cento. Outro objectivo é tornar eficazes os escritórios descentralizados do banco, que são cerca de trinta.

Num estudo recente, a Africa Research Institute relembrou aliás que, entre 2004 e 2013, o BAD concedeu apenas 27 mil milhões de dólares (cerca de 2,9 triliões de kwanzas) aos 34 países mais pobres do continente e 36 mil milhões (cerca de 3,9 triliões) aos dez mais ricos, cuja maioria precisa cada vez menos dos seus financiamentos.

(jornaldeeconomia.ao)

Por:

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA