Moody’s: Angola foi o país africano mais afectado pela queda do petróleo

(Foto: D.R.)
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Angola foi o país africano mais afectado pela descida do preço do petróleo, que piorou as contas públicas, o que torna a sustentabilidade da dívida mais problemática, considerou a vice-presidente da Moody’s para o crédito soberano.

Numa conferência sobre as economias da África subsariana, que decorre hoje em Londres, Rita Babihuga explicou que apesar de os países africanos estarem mais bem preparados para esta crise de receitas do que estavam no final da década passada, “Angola foi o país que viu a sua situação orçamental piorar mais” nos últimos meses.

Isto, acrescentou, cria um problema para as contas públicas, dado que a resposta de Luanda tem sido suprir a quebra de receitas com um aumento do endividamento externo, “o que torna cada vez mais problemática a questão da sustentabilidade da dívida” em relação ao Produto Interno Bruto, que se aproxima dos 40 por cento.

Ainda assim, o crescimento económico da África subsariana, como um todo, é encarado de forma positiva pela agência de notação financeira Moody’s, que antecipa um crescimento da região entre os 04 e os 05%, num contexto de aproximação das taxas de crescimento das economias dos países produtores de petróleo com as dos restantes.

O recurso aos mercados internacionais como fonte de financiamento foi uma das respostas que Angola adoptou para lidar com a quebra das receitas fiscais, mas a tendência já tinha começado antes, lembrou o vice-presidente da Moody’s para a área financeira, Constantinos Kypreos.

“As emissões de dívida nos mercados internacionais surgem para financiar o desenvolvimento e aumentar a exposição internacional”, disse o responsável, sublinhando que as instituições financeiras da África subsariana vão ter de enfrentar cinco aspectos para conseguirem ter sucesso: desafios no ambiente económico, evolução do preço do petróleo, tecnologia móvel, desenvolvimento dos mercados financeiros e evolução dos blocos de comércio regionais.

Por outro lado, completou o vice-presidente da Moody’s para a área do crédito soberano africano, Matt Robinson, o recurso aos mercados internacionais traz outras vantagens para os países: “é mais barato relativamente ao preço dos empréstimos internos, potencia uma padronização para o resto da economia, aumento o escrutínio e a visibilidade internacionais”, disse.

A diferença entre as taxas de juro mais elevadas que são cobradas pelos bancos locais às pequenas e médias empresas resulta da “falta de credibilidade das informações financeiras fornecidas pelas PME às instituições financeiras, que assim aumentam as taxas para cobrir o risco que percepcionam”. (jornaldenegocios.pt)

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