Moçambique: Nyusi avisa que divisão do país teria custos para o desenvolvimento

(Foto: dw.de)

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse hoje, no âmbito de uma presidência aberta à província de Nampula, que a divisão do país teria custos para o desenvolvimento, apelando à população para preservar a unidade nacional.

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Nyusi, que discursava no populoso bairro de Namicopo, em Nampula, capital da província com o mesmo nome, falou exaustivamente da necessida de manter Moçambique uno e indivisível no sentido de garantir um desenvolvimento equilibrado em todas as províncias do país.

“Como vai ser o desenvolvimento do país se for dividido? Imaginem que isso acontece com Nampula, como acham que será o desenvolvimento aqui?”, questionou o Presidente moçambicano, junto da população que participou no comício.

O estadista apelou ainda à população para que não seja manipulada para concordar com projetos que vão levar à divisão do país, numa referência ao projeto de autarquias provinciais da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), maior partido de oposição.

A crise política entre Governo e Renamo arrasta-se desde as eleições gerais de 15 de outubro, cujos resultados o maior partido de oposição não reconhece.

Para ultrapassar o impasse, a Renamo propôs a criação de autarquias provinciais nas seis regiões onde reivindica vitória eleitoral, mas o projeto foi chumbado pela maioria parlamentar da Frelimo.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama tem reiterado que não conduzirá o país para uma nova guerra, mas também já admitiu várias vezes tomar o poder pela força.

Nyusi e Dhlakama avistaram-se duas vezes este ano e ambos anunciaram disponibilidade para um novo encontro, com o Presidente da República e da Frelimo a exigir uma agenda concreta e sempre dentro dos limites da Constituição.

Paralelamente, as negociações de longo prazo entre Governo e Renamo sobre o desarmamento do partido de oposição e despartidarização do Estado caíram num impasse ao fim de mais de cem rondas de diálogo, e, na semana passada, o executivo encerrou a missão de observação militar, que, em mais de seis meses, esteve parada devido ao bloqueio das conversações entre as partes.

Após o chumbo do projeto das autarquias provinciais, Dhlakama dirigiu, a 02 de maio, a partir da Zambézia, um ultimato de 60 dias à Frelimo para mudar de opinião sobre as autarquias provinciais ou enfrentar consequências não especificadas.

Nyusi disse hoje em Nampula que os grandes desafios do seu Governo estão plasmados no Programa Quinquenal do Governo, que é a tradução do seu manifesto eleitoral.

Durante a sua presidência aberta a Nampula, iniciada na sexta-feira, Nyusi referiu-se várias vezes às reivindicações da Renamo e “àqueles que querem dividir o país”.

“Não nos devemos distrair com aqueles que nos querem dividir, porque essas pessoas querem afugentar investimentos que nos ajudam a criar emprego e desenvolver o país”, logo no primeiro dia da visita, em Nacala-a-Velha, acrescentando que “os investidores não gostam de locais onde há barulho”.

Mais à frente, o Presidente moçambicano declarou que não sabe o que a Renamo pretende, dando como exemplo o desarmamento do partido de oposição e integração dos seus homens nas forças de defesa e segurança, num processo que se arrasta desde o ano passado que não mostrou nenhum avanço.

“Mesmo para aquilo que o Governo cede a Renamo dificulta a sua implementação”, afirmou.

Hoje em Nampula, Filipe Nyusi anunciou a asfaltagem em 2016, da estrada que liga a capital provincial ao distrito costeiro de Angoche, numa extensão de cerca de 180 quilómetros, assim como da estrada que liga a cidade de Nacala-Porto ao posto administrativo de Alua, no distrito de Eráti, passando pelos distritos de Nacala-Velha e Memba, numa extensão de 350 quilómetros.

Filipe Nyusi termina hoje a viagem Nampula, durante a qual visitou os distritos de Nacala-Velha, Mogovolas, Ribáuè e a cidade de Nampula.

Depois de todas as províncias do sul e de Sofala, no centro, esta foi a primeira presidência aberta ao norte do país. (noticiasaominuto.com)

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