Há um número recorde de jornalistas presos no Egito, alerta organização

O jornalista da Al Jazeera Mohamed Fahmy (no centro) passou mais de 400 dias numa prisão egípcia. (Foto: REUTERS/Asmaa Waguih)
O jornalista da Al Jazeera Mohamed Fahmy (no centro) passou mais de 400 dias numa prisão egípcia. (Foto: REUTERS/Asmaa Waguih)
O jornalista da Al Jazeera Mohamed Fahmy (no centro) passou mais de 400 dias numa prisão egípcia. (Foto: REUTERS/Asmaa Waguih)

Mais de um terço dos jornalistas que se encontravam presos no Egito no princípio de junho foram condenados a prisão perpétua, de acordo com o Comité para Proteger Jornalistas.

Um número recorde de jornalistas, pelo menos 18, estão presos no Egito, essencialmente acusados de pertencerem à Irmandade Muçulmana, informou hoje a organização internacional Comité para Proteger Jornalistas (CPJ), que tem sede em Nova Iorque.

“Dos 18 jornalistas atrás das grades no dia 1 de junho (2015), mais de um terço foram condenados a prisão perpétua”, sublinha o comité num relatório. Segundo a organização, “o número de jornalistas egípcios presos é o maior jamais registado desde que o CPJ começou a sua inscrição em 1990”.

“Eles foram detidos por acusações que vão desde a incitação à violência e participação em manifestações ilegais ou pertença a grupos proibidos” e “a maioria trabalhava para meios de comunicação social digitais”, adianta o CPJ.

Após ter destituído em 2013 Mohamed Morsi, originário da Irmandade Muçulmana e o primeiro chefe de Estado eleito democraticamente no Egito, o ex-chefe do exército Abdel Fattah al-Sissi, eleito presidente em 2014, dirige um regime qualificado pelas organizações de defesa dos direitos humanos de mais repressivo que o de Hosni Mubarak, afastado do poder pela revolta popular de 2011.

Mais de 1.400 manifestantes pró-Morsi foram mortos em algumas semanas após a destituição de Morsi e mais de 40.000 pessoas, essencialmente membros ou simpatizantes da Irmandade Muçulmana foram detidos, segundo a Human Rights Watch.

Várias centenas foram condenadas à morte — entre as quais Morsi e responsáveis da confraria — em julgamentos em massa, muitos dos quais duraram alguns minutos e considerados pela ONU de “sem precedentes na História recente”.

Depois da repressão da Irmandade Muçulmana, que ganhou todas as eleições entre a queda de Hosni Mubarak e a destituição de Morsi, o poder investiu contra a oposição laica e liberal, nomeadamente a juventude revolucionária de 2011.

A maioria dos órgãos de comunicação social considerados pró-Irmandade ou próximos da oposição laica foram perseguidos e alguns encerrados após a destituição de Morsi.

“Sob pretexto de medidas antiterroristas, o governo (…) recorre a métodos duros para esmagar todos os que o criticam”, afirma Sherif Mansour, coordenador dos programas do CPJ para o Médio Oriente e o Norte de África. (dn.pt)

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