Governo vetou plano de cortes de custos da TAP que adiava entrega dos A350

TAP tem vindo a adiar a apresentação pública do plano ( Foto: Raquel esperança)
TAP tem vindo a adiar a apresentação pública do plano  ( Foto:  Raquel esperança)
TAP tem vindo a adiar a apresentação pública do plano
( Foto: Raquel Esperança)

Medida alterava estratégia da companhia, o que poderia gerar contestação dos investidores.

 

Foi o Governo que fez com que a TAP recuasse na intenção de adiar a entrega dos 12 aviões A350 para reduzir custos. A medida, que chegou a constar no plano de reestruturação desenhado pela equipa de Fernando Pinto, foi vetada pelo executivo porque significaria uma alteração substancial na estratégia, face à que os investidores tinham tido acesso quando decidiram entrar na corrida à privatização da companhia.

O PÚBLICO apurou que a gestão da transportadora aérea chegou a propor o adiamento por um ano da encomenda (que tem chegada prevista entre 2017 e 2019), o que permitiria suspender temporariamente os pagamentos à Airbus, que já começaram a ser feitos no início deste ano. No entanto, ainda no fim-de-semana antes de o plano de reestruturação chegar ao Ministério da Economia,  a 25 de Maio, a medida foi rejeitada pelo Governo.A decisão está relacionada com o facto de o adiamento da entrega dos A350 alterar o plano de negócios que a transportadora aérea disponibilizou, ainda no início do ano, a todos os investidores interessados em aceder a informação sobre a venda. Qualquer mudança deste calibre poderia ser contestada por um dos candidatos, quando sobram, neste momento, apenas dois: Germán Efromovich, que controla o grupo sul-americano Avianca, e o consórcio liderado por David Neeleman, dono da Azul.

Isto não significa que alguns dos investidores não vissem com bons olhos a medida. Aliás, o PÚBLICO confirmou que a proposta de Neeleman inclui precisamente esta possibilidade. Não se sabe, porém, se manterá a intenção na oferta final que entregará na sexta-feira – prazo limite imposto pelo Governo, dando por terminada a fase de negociação que decorre neste momento. Contactada, fonte do consórcio recusou fazer comentários.

Plano ainda por fechar
As medidas de reestruturação, que o executivo pediu para compensar os prejuízos de 35 milhões de euros provocados pela greve do sindicato dos pilotos, incluem outros pontos, como o cancelamento de rotas (algumas das quais tinham sido inauguradas há apenas um ano). Mas, neste campo, o executivo entende que há margem para fazer alterações, visto que a programação da rede é um tema de gestão corrente das companhias de aviação e não altera a sua estratégia a longo prazo (ao contrário do que acontece com os A350, que permitirão, por exemplo, chegar a destinos onde a TAP ainda não opera, com a China).

Mas o plano da administração da companhia continua a sofrer afinações, o que tem inclusivamente levado a adiamentos na sua divulgação pública, que a empresa chegou a prever na semana passada. A expectativa, ainda assim, é que a apresentação, que deverá envolver numa primeira fase os trabalhadores, ocorra até à entrega das ofertas finais, na sexta-feira.

Até lá, vão continuar as negociações com Efromovich e Neeleman, que terão sempre de apresentar propostas diferentes das que entregaram na primeira fase, a 15 de Maio. Ainda ontem, o secretário de Estado dos Transportes confirmou que tem havido “abertura” dos dois consórcios para melhorar as ofertas.

Nas reuniões, que começaram na passada quarta-feira, há vários pontos importantes que têm sido tocados: a vontade que o Estado tem de ver aumentadas as propostas pelo lado do valor a pagar pelas acções e da capitalização, a necessidade de renegociar a dívida da empresa e os 120 milhões de receitas retidos na Venezuela e em Angola. Outro assunto que continua a marcar as negociações é o cumprimento das regras da União Europeia, que impedem investidores não-europeus de controlar companhias de aviação comunitárias.

Efromovich tem passaporte polaco, mas Neeleman teve de encontrar uma solução diferente: juntou-se ao empresário português Humberto Pedrosa, dono da Barraqueiro, e apresentou um acordo parassocial que deixou o Governo menos preocupado. Mas o executivo ainda aguarda pelo parecer definitivo da sociedade de advogados que contratou, a Freshfields, para avaliar se o consórcio que o dono da Azul montou respeita as regras. E o seu adversário não está disposto a deixar passar qualquer dúvida sem resposta. (publico.pt)

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