Governo gasta mais de 540 milhões na EMOCHM

(BANDEIRA DE MOÇAMBIQUE)

Maputo – O trabalho da Equipa Militar de Observadores Internacionais da Cessação das Hostilidades Militares (EMOCHM), ora extinta, custou ao governo moçambicano mais de 540,2 milhões de meticais (um dólar equivale cerca de 37 meticais).

(BANDEIRA DE MOÇAMBIQUE)
(BANDEIRA DE MOÇAMBIQUE)

Este valor consta de um relatório sobre as actividades da EMOCHM desde a sua instalação a 01 de Outubro de 2014 até a sua extinção anunciada no final da 107ª ronda de diálogo entre o governo e a Renamo, o maior partido de oposição, cujo teor foi hoje uma das matérias analisadas na 17ª sessão do Conselho de Ministros.

Citando o relatório, o Porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, explicou à imprensa, no final da sessão, que pouco mais de 324 milhões de meticais daquele valor eram para o funcionamento e 216 milhões de meticais para investimento.

“Com este dinheiro foram pagos o alojamento, alimentação, subsídios, ajudas de custo, passagens, consumíveis, combustíveis, aquisição de viaturas, equipamento de comunicação, formação e material de intendência.

Foram adquiridas 59 viaturas e também pagos subsídios a observadores internacionais e nacionais, no valor de 74.779, 350 meticais, o que corresponde a 20 por cento do orçamento alocado.

Para acomodar as forças residuais foram adquiridas os materiais de intendência, no valor de 63,3 milhões, que incluem tendas, camas, roupa de cama, cacifos, geradores, tanques de água, fogões, frigoríficos, material de cozinha e de refeitório.

“O governo criou todas as condições para a integração das forças residuais, mas, não havendo o cumprimento do previsto, encerrou-se a EMOCHM”, afirmou o porta-voz.

Saíde realçou que até a realização 107ª ronda a Renamo ainda não tinha entregado as listas dos seus homens residuais, cujo efectivo calcula-se em mil soldados.

“Assim, o governo reiterou que o acordo pode ser implementado pelos moçambicanos sem a presença de observadores internacionais, que deverão ser substituídos pelos nacionais apenas”, disse Saíde.

Neste quadro, segundo o porta-voz, “procedeu-se ao encerramento da EMOCHM, tendo o governo saudado o empenho desta equipa militar, muito embora a sua missão não tenha sido alcançada, por não haver as referidas listas das forças residuais que presumia que fosse cerca de mil soldados”.

Na última ronda do diálogo, o governo reiterou que não vê a pertinência da prorrogação do mandato da equipa militar de observação do acordo de secessão das hostilidades (EMOCHM).

Entretanto, a delegação do governo ao diálogo propõe-se realizar a próxima ronda, na segunda-feira, 8 de Junho.

Os observadores militares internacionais, cuja missão era assistir o processo de cessação das hostilidades militares, regressam aos seus países de origem a partir da próxima quinta-feira, segundo foi anunciou, segunda-feira, no final da 107ª ronda do diálogo.

No total, são 23 peritos militares estrangeiros oriundos da África do Sul, Cabo-Verde, Quénia e Zimbabwe, que depois de duas missões falhadas, a primeira com 135 dias, e a segunda de 60 dias, regressam aos seus países de origem.

Integravam também este grupo, observadores provenientes de Portugal, Grã-Bretanha e Itália que, com o fim da primeira missão, com a duração de 135 dias, não mais regressaram a Moçambique. Os representantes dos Estados Unidos da América (EUA) nunca chegaram ao país.

A EMOCHM foi empossada a 1 de Outubro de 2014 para fiscalizar a desmilitarização da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, e assegurar a integração dos seus homens residuais nas Forças Armadas de Defesa e na Polícia, bem como a inserção social e económica daqueles que não possuem aptidão física. (portalangop.co.ao)

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